29 de dez de 2009

Tudo Novo, de Novo?

Era inevitável. O final do ano chegava e ela era inundada de uma estranha euforia. Espectativas do impossível, que aos seus olhos refletiam possibilidades. Era como pudesse se despir daquela que era e então, metamorfosear-se em outra.

A dos sonhos. Que sempre sabia como agir, falar, pensar. A outra que não ela, que tinha em uma das mãos a certeza dos caminhos a serem percorridos...

Tola. Ao final do espocar dos últimos fogos. No instante onde a escuridão e o silêncio se tocavam, leve roçar, quase imperceptível fração de segundo, dentro dela já se aquietavam os sonhos.

A máscara daquela que um dia sonhará ser desfiaria tal qual renda delicada puxada por grosseiras mãos e ela se veria apenas ela. E a vida que era a sua. Porque era apenas um novo ano, onde a vida se desenrolaria do mesmo modo de sempre. As oportunidades surgiriam e desapareceriam como sempre; onde os sonhos seriam todos trancafiados em lugares ermos dentro de si.

Ainda haveriam dias de lágrimas e dias de muitos sorrisos. Dias de solidões inconfessáveis e de abraços inesperados. Dias de beijos e outros de intrigas. Dias de sim e muitos de não. Viver era isso, sempre fora. Mesmo agora, quando o ano novo já a espia pelas frestas.

20 de dez de 2009

Eu que (quase) fiz:


Há uma semana do Natal, cheia de encomendas e com uma produção incompleta, claaaro que eu tinha que me meter em um curso de bonecas!

Mas, valeu a pena, desse curso, nasceu a pequena miss que vocês estão vendo acima! Criação da professora de bonecas Amei Garcia.

E agora que aprendi fazer, em breve vou aumentar a família e apresentar as irmãs!

Para quem quiser saber mais sobre o curso, foi ministrado pela professora Amei Garcia, no Armarinho Izabel - Rua do Catete, 274 galeria. E em janeiro, vão ter mais aulas por lá!

E maiores informações sobre como adquirir a boneca, pelo meu e-mail: patricia.daltro@gmail.com

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E, finalmente chegou minha semana de descanso! O que significa que: vou poder visitar meus blogs amigos, fofocar no twitter, curtir marido e filhote, bater pernas por ai e, escrever, escrever e escrever!

Ando com saudades de colocar meus textos por aqui, em breve isso irá voltar.

12 de dez de 2009

Dias Felizes

Eu e marido no shopping com o pequeno, para escolher presentes de Natal. A dúvida era, filhote acredita ou não em Papai Noel? Nas conversas, ele parecia não se ligar muito nisso. Mais preocupado, é claro, com o presente, do que, com quem entrega.

Dentro da loja de brinquedos, perguntamos, e ai, filhote, o que vai pedir pro Papai Noel? Ele ia para lá e para cá e escolhia, claro, todos!
Papai e filhote! A carinha de felicidade não tem preço.

Na saída, o bom velhinho tirava fotos com as crianças. Filhote não quis foto, mas quis falar com ele. Conversamos com as atendentes, que gentilmente deixaram o pequeno falar com o Papai Noel. Ele chega, dá um super-abraço no velhinho e sussurra alguma coisa no ouvido dele. Depois volta todo feliz e sorridente.

Papai Noel dá um jeito de avisar o que foi sussurrado no seu ouvido: - Pais, ele pediu um boneco Max Steel.

Bem, respondida nossa pergunta: Filhote acredita em Papai Noel e não gosta de intermediários.

Olha que carinha mais fofa!

8 de dez de 2009

Pequenos Defeitos:

IMPACIÊNCIA

A impaciência nela existia como um verme que corroia sua paz. Ela não sabia esperar. Muitas vezes, não sabia o quê esperar. E, no entanto, a agonia, a vontade de ter as respostas, para perguntas que, muitas vezes, nem formuladas foram...

Dentro dela, um vulcão em estado de perpétua erupção. Queimando etapas, destruindo planos, atropelando falas, calando atos... E tudo que ela queria era saber esperar. Calmamente, num banco de praça. As mãos sobre o colo, sem pressa esperaria que ele se declarasse, que a vida melhorasse, que as oportunidades acontecessem...

Mas nada era assim, no segundo seguinte do que poderia ter sido, ela já queria ter ou ser, não importa. Ela queria o amanhã, quando o ontem ainda desfilava em suas retinas. Queria o futuro preso em cadeias de planos intermináveis e nem percebia que era areia da praia e escorria por entre os dedos.

Arrastava-se em meio a tempestade, porque não conseguia aguardar a calmaria. Perdia-se em brumas do impossível, eternamente desejando o impalpável. Sedenta demais, mas incapaz de ver o rio.

Talvez um dia ela aprenda a arte da paciência, mas enquanto isso, ela tambolira nervosamente os dedos na mesa e fuma cigarros intermináveis esperando o que não deveria ser esperado.

4 de dez de 2009

Primeiro Encontro em Duas Versões:

A Versão Dele

Pô sai com a Leninha ontem. Não que tivesse muito afim, mas sabe como é, sexta-feira à noite e nada para fazer. Abri minha agenda e fui tentando, com ela colou. E aí e que nem o ditado: melhor uma na cama, do que acabar na mão. Ainda mais em uma se(x)sta-feira.

Marquei de passar lá por volta das nove da noite, mas ai o povo do escritório inventou de beber e é claro que não podia deixar de ir. Acabei me atrasando, mas descolei uma desculpa de trabalho e a gata ficou até com pena de mim. Eu sou o máximo, não é? A Globo não sabe o artista que 'tá desperdiçando...

Ela até que tava gostosinha com uma blusinha de renda que dava para ver o sutiã, mas preferia que ela estivesse com um vestidinho preto que de vez em quando usa, um que dá para ver bem os melões... Coisa de louco. Para fazer média, deixei que escolhesse o restaurante, e é óbvio que tinha que escolher o mais caro...

Ficamos lá, no maior chove e não molha, a mulher não parava de falar um segundo. Eu até que tentava participar da conversa, mas o máximo que conseguir era dar um sorriso meio sem-graça e fingir que estava ouvindo aquele tagarelar todo! Cheguei a ficar com o maxilar doendo!

E na hora da conta? Pô, maior sacanagem da mina! Esperou eu pedir a conta para o garçone e se mandou para o banheiro. Ficou aquele pinguim engomado, lá do meu lado, com cara de: "não vai pagar não é?" Acabei tendo que pagar tudo e a mulher nem para perguntar quanto foi quando voltou, ou pelo menos disfarçar e colocar um troco na minha mão. Mô prejuízo!

Além de tudo isso, inventou de irmos dançar. Maior mico! A mulher parece que tá tomando eletrochoque na pista de dança. Todo mundo olhando para a gente e ela nada. Tava se sentindo uma Madonna. Nunca mais vou poder pisar naquele lugar...

Aí final da noite, fui levar a madame em casa. Na porta do apartamento dela começou rolar uns amassos maneiros. Pelo menos isso, né! Pô, tive o maior preju, paguei um king-kong e não ia comer?! Claro que comi, oras! E cá entre nós, ela bem que gostou, pediu até telefone no final. Eu dei é claro, mas disse que estava indo para São Paulo e só voltava na semana que vem.
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A Versão Dela


Ontem sai com o Anselmo. Ai, que foi tudo de bom. Antes dele chegar foi a maior correria. Tive que passar no salão e dar uma ajeitada nas unhas e no cabelo que estavam horríveis. E na hora de me vestir, foi traumático, eu não tinha roupa para ir. Olha que já tinha programado ir com o vestido preto, mas na hora que botei, vi que ele estava horroroso! Quase perdi a hora tentando ver uma roupa, ou não cabia mais em mim, ou estava fora de moda, ou era ousado demais e não queria parecer muito dada... Um sufoco, acabei optando por uma saia jeans comprida e uma blusa branca de rendas.

Mas, apesar disso tudo, estava pronta antes das nove, hora que ele iria passar para me buscar. Deu 9:05h e nada dele, com certeza era o transito. 9:10 e nada, nem um telefonema para avisar que ia chegar atrasado, eu já achando que tinha levado um bolo. Meia hora depois e nada dele, o discurso pronto para quando ele chegasse (ou ligasse), iria esculhambar geral, mas quando o interfone tocou e ele disse que tinha ficado preso no escritório, fiquei com uma pena, tadinho, não era culpa dele.

Fomos jantar em um lugarzinho ótimo, ele deixou que eu escolhesse, como mea culpa pelo atraso e ainda elogiou minha roupa, ou melhor, não falou nada, mas lançou uns olhares que diziam tudo. E ele é tão divertido e tão atencioso, não é daqueles que não sabem ouvir uma mulher, ficou ouvindo tudo e quando eu parava, ele abria um sorriso lindo, incentivando que falasse mais.

Além de tudo isso, ainda pagou a minha conta! Eu ia dividir, sabe que sou dessas mulheres modernas, que não têm problema nenhum em dividir despesa. Mas, sabe que me deu uma vontade danada de ir ao banheiro? Poxa, tinha bebido muito, não dava para segurar. E quando voltei, ele já tinha pago e cavaleiro que só ele, nem comentou nada!

Depois fomos dançar. Caramba, dançamos muito! Ele é um dançarino nato e eu, sem falsa modéstia, danço muito bem. Eramos o casal sensação da pista, todo mundo olhando, quase babando de inveja. Achei o máximo!

A noite terminou por volta das três da manhã, quando chegamos na frente do meu apê. Ai, não resisti, rolou uns amassos muiiiito boooommmm.... Até pensei em falar para ele subir, e bem que nós dois queríamos isso, mas quer saber, na hora pensei nas meninas falando e achei que o melhor seria deixar para o próximo encontro.

Achei que iria ficar chateado, mas reagiu numa boa, me deu seu cartão e pediu que eu ligasse! Tudo de bom, não é mesmo? Pena que ele foi para São Paulo e só volte semana que vem...

30 de nov de 2009

Hoje não...

Você me fala de seus problemas. E pela primeira vez, eu não quero te ouvir. Por que dessa vez, só para variar, eu queria falar dos meus. Não, não se espante, sei que não é meu estilo falar de mim mesma. Mas acho que ando cansada de ser forte. Cansada de esconder minhas lágrimas em banheiros. Esgotada demais de frases que me dizem que tudo irá dar certo.

Ando precisando esquecer essa dor que se insinua por entre as frestas da minha pseudo-tranquilidade. Não, eu não quero frases que elogiem minha força e coragem. Quero me assumir frágil e covarde. Nada de resignações que me dizem que tudo tem um porquê. Hoje quero revoltas!

Você diz que admira a forma como encarei tudo. Não consegue entender que eu fingia, chorando escondido todas as manhãs, lavando o rosto e mascarando a dor em sorrisos que não eram os meus. Que engolia em silêncio, cada recusa recebida: das propostas de empregos, das promessas que eram desfeitas.

Mas, hoje eu não quero mais dizer que está tudo bem. Não, não está nada bem. E eu não quero mais fingir que esta. Sei que amanhã vou me vestir novamente de coragem e força. E sorrindo direi que tudo está bem. Mais uma vez ocultarei silêncios e omitirei meus gritos.

Hoje o que quero, e preciso, é o escuro do quarto, o silêncio, a ausência do riso. Quero o cinza e nada de flores. Hoje a dor é vencedora. Amanha a batalha recomeça...

26 de nov de 2009

Arte Natal

Nos próximos dias 27, 28 e 29/11, eu e a turminha abaixo:




Estaremos aqui ô:

ARTE NATAL no Clube Monte Líbano - Lagoa/RJ das 12 às 20 hs.

Vá lá nos visitar, mas se não der, visite meu flickr e escolha seu presente de Natal.
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UPDATE: Eu vacilei e esqueci de colocar como saber dos preços e informações sobre as peças! Sorry! Em breve a Bicho de Pano vai virar uma loja virtual, mas enquanto isso não acontece, informações pelo meu e-mail: patricia.daltro@gmail.com

24 de nov de 2009

Poesia Muda

Poema na alma. Passarinho aprisionado na garganta. Revejo versos escritos na infância. Dentro da gaveta, cheiros esquecidos. Amores impróprios. Cartas que um dia silenciaram.

Poesia muda. A realidade da rotina arrancando asas. Mas olha o retrato e ainda reconhece o brilho no olhar ausente e percebe que já não há mais tempo para a dor.

Despede-se na porta: Já volto. Mas, bem sabe que caminha rumo ao precipício em busca de novos vôos.

23 de nov de 2009

Aniversário de 4 anos do blog Quer Ler, Eu Deixo!

O Blog Quer Ler, Eu Deixo, da querida Bel, completa dia 29, domingo, quatro anos. E ela resolveu comemorar a data dando presente pra gente!!! Bolou um Concurso Cultural, que terá como prêmio um livro!

Então, vou fazer o seguinte, vou colocar aqui a explicação da coisa toda por ela mesmo, antes que me enrole e dizer que adorei a idéia!

Regulamento:

Dessa vez, no 4º aniversário, resolvi planejar um Concurso Cultural. Seguinte: Vou dar de presente 4 (tem que ser, né? são 4 anos!) livros, “O conto em 25 baianos”, livro de contos de autores da minha terra, publicado pela Editus, editora da UESC.


Explico: o nome do blog é “Quer ler? Eu deixo!”, então a promoção tinha que ser sobre leitura e o prêmio, tinha que ser livro. Mas vamos às regras:

1. Dois livros serão dados como prêmio a quem enviar para mim o MELHOR CONTO, em duas categorias: CONTO e MICROCONTO.

1.1 Na categoria CONTO, o máximo são duas laudas A4, fonte Arial 12, espaço simples.

1.2 Na categoria MICROCONTO, o máximo são 140 caracteres, incluindo a hashtag #microcontos, então 128 caracteres onde possa ser lido um conto, em qualquer estilo.

1.3 Os MICROCONTOS que não atenderem plenamente à única exigência (128 caracteres) serão automaticamente desclassificados.

1.4 Os CONTOS ou MICROCONTOS podem já ter sido publicados em blogs dos seus autores, mas não podem ter sido publicados em sites especializados em literatura ou quaisquer sites de terceiros ou ter sido premiados em concursos anteriores.

1.5 Cada participante pode participar com até 04 (quatro) CONTOS ou MICROCONTOS. (Tudo é 4 nesse concurso!)

1.6 O júri será formado por mim, eu, eu mesma e Irene, (4 pessoas no júri!) não cabendo recurso quanto à decisão final.

2. Dois livros serão sorteados entre os demais participantes das duas categorias, através do site Random.org, no dia 29/11/2009, sendo numerados pela ordem de chegada dos CONTOS e MICROCONTOS.

3. O prazo de recebimento dos CONTOS e MICROCONTOS se inicia a partir da publicação deste post e encerra às 23:59h do dia 26 de novembro de 2009, horário oficial da Bahia (não-horário-de-verão).

4. Não existe qualquer impedimento à participação de amigos, familiares, leitores, patrões ou empregados da blogueira que lhes escreve, uma vez que os participantes certamente estarão numa dessas categorias.

5. Os participantes podem ser blogueiros ou não. Os blogueiros que divulgarem o concurso cultural em seus blogs também serão contemplados com um prêmio surpresa a ser sorteado através do site Random.org, no dia 29/11/2009, sendo numerados pela ordem de chegada da informação da publicação dos respectivos posts de divulgação.

6. Os vencedores e sorteados receberão seus prêmios em sua residência, via correio.

7. Não há taxa de inscrição, isto aqui é pra vocês ganharem presentes, não pra eu ganhar dinheiro!

8. Os quatro melhores CONTOS e os dez melhores MICROCONTOS serão publicados neste blog na semana de 30/11/2009 a 04/12/2009, sendo dados os devidos créditos aos autores.

9. Ao enviar o seu CONTO ou MICROCONTO para participar desde concurso cultural, o autor estará automaticamente concordando com as regras aqui explicitadas.

10. Após a participação nesta promoção de aniversário do Deixo Ler, os autores têm total liberdade de publicar seus contos onde bem entenderem, não tendo o Deixo Ler qualquer direito autoral sobre eles. No entanto, conforme acordo posterior, pode-se aventar a hipótese de publicar em papel um livro com a coletânea dos CONTOS e MICROCONTOS participantes.

11. Quaisquer dúvidas serão dirimidas em tempo oportuno, com updates neste post.

É isso aí, galera. Sei que entre os que passam por aqui, muitos escrevem bem pra caramba. Então, deixando a timidez e a preguicinha de lado, mandem suas participações. Pode ser algo novo ou algo resgatado dos seus guardados. O importante é participar!!! Aguardo vocês pra nossa festa de premiação, dia 29, às 00:15h.

9 de nov de 2009

A Volta da Geni

"E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque

Quando minha amiga foi estuprada, a primeira pergunta feita pelo delegado foi que roupa ela usava na hora do estupro. Como se o fato de estar de micro-saia, nua ou burca mudasse o caráter da violência sofrida.

Lendo e assistindo, estarrecida, esse caso da estudante Geisy, essas memórias dolorosas vieram à tona. A aluna foi julgada e condenada (expulsa da universidade) devido a um vestido. Não quero entrar no mérito se o vestido é curto, transparente, decotado, poderia estar até de biquíni ou nua, nada justificaria ter sido ameaçada na sua integridade física e agredida moralmente através de ofensas verbais.

Se a roupa não estivesse de acordo com as normas (previamente definidas, anunciadas publicamente e acordada entre universidade e alunos), era caso de um representante da universidade notificar a aluna e pedir a sua retirada. Jamais, poderia acontecer o que aconteceu: um grupo de estudantes acéfalos, num ato de histeria coletiva proporcionar o linchamento moral (por pouco não físico) que todos nos assistimos, via internet ou tv. Nada justifica essa atitude. Nem a universidade poderia referendar essa barbaridade, como acabou fazendo, ao anunciar a expulsão da aluna.

O que mais me enoja nessa história toda, e que apenas na internet vi pessoas escrevendo sobre o assunto, (recomendo os post da Jady e Lola) focando no mais importante, que com certeza, não é o vestido que a Geisy usava! Toda a mídia resolveu abordar o assunto, quase como um tom de piada, a Vênus Platinada chegou a ponto de colocar uma comentarista de moda (?) para falar sobre o assunto; na emissora do Bispo, eu ouvi estarrecida, a apresentadora afirmar que a Geisy gostava de provocar os homens!!!! Mesma justificativa, alias, que o advogado da reitoria usou para justificar a expulsão da aluna.

Eu não quero focar no vestido, tampouco no comportamento da Geisy. O que quero saber é como, depois de anos de luta pelos direitos femininos, regredimos a tal ponto, onde o que falamos, vestimos ou fazemos, é propriedade do outro, no caso, o sexo masculino?

Isto é, eu me visto para eles, eu me comporto para eles, eu sou deles e não me pertenço. Sendo assim, cabe a eles (e, pelamordeDeus, quando digo eles, NÂO estou me referindo a todos os seres do sexo oposto, primeiro por que algumas mulheres são tão machistas quanto, segundo por que existem exceções, sou casada com uma exceção, por exemplo), fazerem o que quiserem conosco.

Esse incidente abre um precedente absurdo e fere gravemente os direitos da mulher, principalmente no que abrange a luta contra a violência sofrida por todas nós. A partir do momento onde uma universidade, local de construção do saber, espaço onde se formam opiniões, referenda atitudes agressivas, com a justificativa de que a “aluna provocou” (palavras do advogado da Uniban), nos é dito, em outras palavras, que a roupa que usamos, a forma como nos comportamos, podem justificar atitudes violentas, como por exemplo, o estupro.

E, o pior de tudo, é que acredito, que não foi em defesa da Tradição, Família e Propriedade que a universidade expulsou a aluna. A Uniban utilizou um discurso machista, extremamente retrogrado, para ocultar o verdadeiro motivo da expulsão, que é o financeiro. A reitoria achou que expulsar uma aluna sairia muito mais barato, que enfrentar uma investigação interna, provavelmente, que acarretaria em diversas suspensões, quiçá expulsões ou demissões de dezenas de alunos, funcionários e seguranças.

Na matemática capitalista, um, mesmo que esse um tenha razão, sempre é melhor que muitos prejuízos. Mesmo que para isso, utilizem um discurso retrogrado e extremamente pernicioso, como o que foi utilizado.

29 de out de 2009

Cadê meus Super Poderes?

Li um artigo onde rotularam a mulher moderna como supermulheres. Denominação que, sinceramente, tem mais glamour no nome do que no real.

Não lembro de ver a Mulher-Maravilha ou a Super-Girl tendo que lidar com máquina de lavar, trouxa de roupa para passar, barriga no fogão ou vassoura na mão.

Enfrentar supervilões parece ser mais divertido do que ter que acordar às seis da manhã, correr para o banheiro e tomar uma ducha rápida, acordar os filhos para a escola. Preparar o café, pentear o cabelos dos pequenos e colocar o lanche das crianças na mochila.

Engolir um pedaço de torrada e entornar um copo de café, ao mesmo tempo em que manda as crianças para o colégio. Tirar a carne do congelador, botar a roupa na máquina, escrever instruções e pregar na geladeira.

Trocar de roupa e partir para a condução lotada. Quando tem sorte, conseguir um lugarzinho espremido entre a janela e alguém que fatalmente irá dormir caindo em cima de você. Muitas vezes, babando.

Depois de quase uma hora de condução, chegar ao trabalho e encontrar a mesa cheia de relatórios e ofícios para digitar e/ou arquivar.

Ainda enrolada com os documentos, terá que interromper tudo para servir cafezinho para o chefe e a visita. Além de providenciar o presente dele para a filha mais velha, agendar e reservar hotel para a viagem de negócios, que bem sabe, não é de negócios, na maior parte das vezes.

Meio dia, pausa para um almoço rápido num restaurante a quilo da esquina, se for inicio do mês, caso seja no final, quando o dinheiro mal dá para a passagem, contentar-se com um pé-sujo que vende um joelho e um refresco por R$ 2,00.

Voltar para o escritório, onde agora tem mais uma infinidade de documentos para arquivar, digitar, além é claro de providenciar água, café, e o que mais o chefe desejar.

Fim do dia, voltar para a casa, a cabeça estourando e enfrentar uma fila de vinte minutos para entrar em um ônibus cheio, aonde vai espremida e sarrada metade do caminho, quando finalmente consegue sentar. Mas logo chega a hora de descer, caminhar uma quadra inteira, pegar o filho na creche, que cobra quase 1/3 do salário, para ficar com ele.

Em casa, antes de sentar, preparar o jantar, estender a roupa que deixou batendo de manhã, ajudar nos estudos das crianças, depois finalmente, sentar, prato no colo em frente à tv e ver a mocinha sofrendo horrores nas mãos do vilão da vez, normalmente dorme ali mesmo, até acordar com o choramingo das crianças, que sairam no tapa.

Aí a supermulher tem que servir como juiz e decidir por dar razão a um ou a outro, mas como está com os olhos pregados, resolve dar um esporro único e colocá-las para dormir.

Fala sério, vai dizer que não é melhor ter que dar porrada no Lex Luthor ou no vilão da vez?
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Update: Atualmente minha rotina mudou, trabalho em casa e, quer saber? é tão cansativo quanto e o pior, continuo sem superpoderes.

23 de out de 2009

Viver a Vida das Propagandas

Sempre sonhei a vida das propagandas de margarina. Coisa linda de se ver. Casa com jardinzinho na entrada, pai, mãe, irmã adolescente e pequerrucho de rosadas bochechas, cachorro grande mal-criado tentando roubar a comida da mesa. Sempre farta, sucos, biscoitos, bolachas... todos sorridentes. Ah, que delicia que seria.

Daí cresci e comecei a achar essa vida meio boçal. Foi quando me deparei com as propagandas de cervejas. Foi como se eu tivesse recebido a iluminação divina. Pensa bem: nas propaganda de cervejas os pés-sujos são sempre lindos. Todas as mesas tem toalhas alvas, não existe apenas um garçom para o bar inteiro, são vários. E todos eles te atendem!!!! Na hora! Você olha e ta lá o cara com uma cerveja estupidamente gelada ao seu lado.

Alias, as cervejas sempre vem geladas, você vê aquele arzinho gelado saindo na hora que a tampa é aberta. Os fregueses são todos jovens, bonitos, com ar de felicidade, ninguém ali tem conta para pagar, aluguel vencido, está desempregado ou coisas similares! Lei seca? Violência, problemas de família? Ah, isso não existe nas propagandas de cerveja.

Lá você é atendido por atrizes/atores globais, não importa a quantidade de cerveja que beba, nunca fica bêbado, no máximo meio alegrinho e o melhor e mais surpreendente de tudo, é que todos, todos mesmo, são magros! Daí eu vejo uma pesquisa que fala que beber cerveja emagrece e isso só confirma a minha tese, não existe vida melhor do que àquela apresentada numa propaganda de cerveja!

21 de out de 2009

Alienação

No cabeleireiro mudou cabelo. Cor e tamanho. No cirurgião-plástico reduziu gorduras e criou contornos, qual boneca de modelar.

Nos shoppings acompanha as capas de revista, metamorfoseando-se em cores e marcas da moda. À noite, encharca-se de cremes e promessas de juventude eterna.

O outro na cama é acessório, conquista dispensada na manhã seguinte. Não sorri mais por que sorriso está fora de moda. O amor, ah, esse é produto descartável.

E assim segue todos os seus dias, em busca da alienação perfeita e a sua maior felicidade vai ser quando puder enxergar outra, que não ela mesma, no espelho.

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Love Your Body Day
Dia de Amar Seu Corpo

Dia 21 de Outubro foi escolhido para ser o "Dia de Amar seu Corpo" em uma tradução livre. E vários blogs brasileiros e estrangeiros estarão falando sobre isso hoje, eu optei por fazer uma abordagem diferente, um micro-conto sobre o que seria a alienação perfeita para muitas.

Minha sugestão para o dia de hoje, é se dar um tempinho e olhar-se no espelho, de cara limpa, e fazer uma enorme declaração de amor para você mesma! Sabe, cada parte de você tem uma história para contar, deixe-as falar, sem se preocupar tanto em ocultá-las!

Para quem for falar sobre isso no twitter, usar a tag #lybd

19 de out de 2009

Celebrando as Coisas Boas!

A Mamis do Fofocas de Marte concebeu a idéia e criou o selo, a Neiva, do A Itinerante me ofertou (obrigada, querida) e eu estou compartilhando com todos os que frequentam esse espaço.

A idéia é celebrar as coisas boas da vida, listando tudo aquilo que você ache bom, alegre, legal, interessante, etc e depois repassar para quem você quiser.

Bem, eu tenho infinitas coisas que me fazem sentir leve e feliz, vou tentar resumir:

1) Meu filho - de tudo o que já me aconteceu, ser mãe foi a mais louca e maravilhosa delas. Enxergar o mundo sendo descoberto através dos olhos do meu pequeno, não tem preço, e nem palavras.

2) Meu marido - além de ser a única pessoa no mundo, com disposição de me aturar (inclusive na TPM), tem um bom humor maravilhoso. Tenho que gravar os comentários sobre filmes e propagandas que ele faz. Impagável.

3) Pessoas com bom humor - amadoro pessoas que tem a capacidade de fazer humor com o que a vida lhes dá.

4) Livros - todos, de todas as formas, enredos, sabores...

5) Entrar na roupa que gostei na loja, sem problemas com numeração, com vendedor, com modelagem, com nada. Ver na vitrine, levar pro provador e ficar linda!

6) Tempo - ter tempo sobrando para fazer tudo o que gosto, brincar com filhote, fuxicar na internet, conversar com amigos...

7) Dinheiro - dizem que dinheiro não traz felicidade, mas quer saber, ajuda à beça!

8) Escrever - Sentar em frente ao pc e a história escorrer pelos dedos, naturalmente.

9) Criar uma peça de artesanato nova, exclusiva, linda e que todos amem!

10) Pequenos momentos - é impressionante como durante um único dia, nós temos tantos pequenos momentos que podem nos fazer feliz, e a maior parte do tempo, sequer prestamos atenção: saca aquele e-mail inesperado cheio de coisas boas? , ou um twitter de alguém querido, te desejando bom dia? Ou ainda, o/a desconhecido(a) que do nada te dá um sorriso?

17 de out de 2009

Desejos Secretos

Ela arruma camas e faz cafés. Penteia cabelos e conta estórias. Ouve sobre dias complicados e promoções que nunca chegam. Rotinas imperfeitas. Sonhos que se constroem sobre castelos de cartas.

Dias de chegar mais tarde. Insinuando serviços no escritório. Frases que já sabe de cor. Até o dia que cansada de tudo, descubra no fundo do bolso da calça, o lenço encharcado de perfume.

Ela chora, não pela traição, enfim confirmada, mas por que, cansada da rotina das frases cotidianas, ela apenas queria ser a outra.

14 de out de 2009

Resenha do Livro: A Volta

Em um primeiro momento, quando li do que se tratava o livro A Volta, imediatamente, pensei tratar-se de um romance espírita. O que para mim, não seria problema, para muitos poderia ser encarado de forma diferente, quase com preconceito.

Tive também o receio de tratar-se de mais um romance sensacionalista, que se utiliza fatos sobrenaturais para serem diferentes.

Ainda bem que nenhum desses motivos me desmotivou a leitura.

Se fosse reduzir o livro a uma única frase ou contexto, eu diria, que A Volta é um livro que fala sobre o amor:

Amor de um casal a seu filho, de maneira tão pungente, que se despe de crenças e preconceitos para aceitá-lo e entender o que havia de errado.

Amor, que aos poucos se transforma em uma bela homenagem aos veteranos da Segunda Guerra Mundial, particularmente, aos pilotos e combatentes do porta-aviões Natoma Bay, os que sobreviveram e os que faleceram neste terrível confronto.

A trama do livro se dá toda em cima de uma busca. O que motiva o menino James a ter pesadelos terríveis toda noite. E, por que da familiaridade do menino com aviões, termos e personagens que de alguma maneira estejam ligado ao esquadrão que serviu naquele porta-aviões.

E através dessa busca, mais por parte do pai do menino, Bruce Leininger, (já que a mãe opta por crer desde o inicio na teoria da reencarnação), esse o tempo todo prefere se manter numa linha fina de incredulidade, e devido a isso, começa uma potente investigação sobre o personagem dos pesadelos do filho e, junto a isso, uma batalha interna se desenvolve, em torno da questão religiosa, onde a fé anglicana de Bruce, consolidada em dogmas inalteráveis há séculos é posta a prova, em virtude do que acontece com o pequeno James, seu filho.

E, é através dessa busca, que passamos a conhecer a rotina, os familiares e os costumes da família Leininger. E, mais do que isso, nós somos apresentados às histórias de vida e morte dos combatentes do esquadrão do piloto James.

Em busca de explicações sobre o que acontecia com seu filho. Bruce traz de volta a várias famílias, entes queridos, que de certa forma, nunca tinham sido enterrados. Esse pai retira esses personagens do anonimato dos memoriais de guerra e os revive dando-lhes nomes e histórias de antes e durante a terrível guerra.

A Volta, não é o primeiro, e com certeza, não será o último romance a querer comprovar “cientificamente” a reencarnação, mas também, não é isso que ele se propõe. O que sinto, é que foi escrito por uma família que precisava falar, expurgar definitivamente os pesadelos acometidos a seu filho durante anos e, com isso, talvez, ajudar outros pais, que possam passar por experiências similares.

E quando é lido, despido de qualquer tipo de preconceito, a favor, ou contra, é um belo livro, como disse antes, uma singela história de amor.

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Sobre o Clube do Livro:

Passeando pela web, descobri o blog da Sam - a vida como a vida quer e no post book Crossing ou Clube do Livro? , soube que a Sam estava organizando um. Quando mais jovem, adorava participar deles, e fiquei imensamente feliz, em saber que tinham esses clubes on line.

O primeiro livro a ser debatido foi o livro A Volta - A incrível e real história da reencarnação de James Huston Jr. de Bruce e Andrea Leininger com Ken Gross, da Best Seller. O livro conta a história de um menino da Louisiana, James Leininger, que aos 2 anos começa a ter pesadelos e lembranças de sua vida passada como o piloto da marinha James Huston Jr, morto em 1945 em Iwo Jima.

O grupo editorial da Record fez a gentileza de enviar um exemplar para cada participante. O que me deixou ainda mais feliz!

Para quem quiser saber mais sobre o clube e o livro, indico os links abaixo:

11 de out de 2009

E o Cartão Vermelho vai para:

A Mari, do Cartas para Bial e a Lily do Coisas de Lily me convidaram para uma brincadeira: listar as 10 coisas que merecem levar um cartão vermelho. Nossa, ultimamente, em meu estado de tolerância zero, dez coisas vão ser pouco!

1. Metro cheio! Eu odeio muito! O metro, em horário de rush, desafia a lei da física que diz, que dois corpos não ocupam o mesmo espaço! Se você levantar o braço, não dá para abaixar mais, ou se levantar o pé, vai fazer a viagem toda que nem Saci pereré, num pé só.

2. Filas. Não importa o local, o dia ou a hora. Se eu entrar em uma fila, pode apostar, ou o caixa vai ser trocado, ou vai ser hora da contagem do dinheiro, ou da troca da fita, não importa, escolhi a fila, esqueça, que ela vai parar por no mínimo 40 minutos.

3. Acordar cedo. Eu odeio acordar cedo, mas tenho um filho de 3 anos. Complete a frase...

4. Pessoas que me olham torto, fazem piadinha, ou me usam como ponto de referência, por que estou gorda. A vontade que tenho é de chegar junto, e falar que minha obesidade é contagiosa, transmitida por fluídos corporais e só para sacanear, começar a espirrar e tossir na pessoa.

5. Falta de tempo. Outro dia fiz as contas, se o meu dia tivesse mais 12 horas, ainda assim, estaria atrasada em quase quatro para fazer tudo o que tenho que fazer!

6. Lavar roupa. Ainda mais com uma máquina que resolveu que só lava três peças de cada vez, colocou uma quarta e o motor não roda, e eu tenho que ficar implorando a fdp para funcionar, ou então, girando o motor na mão.

7. Atividades de casa. Definitivamente, não sou uma Amélia. Odeio varrer, passar, lavar, só gosto de cozinhar, e ainda assim, dia sim, dia não. O que salva a zorra total aqui em casa, é que o marido ajuda muuuuito.

8. Casa com prazo de validade. Funciona assim, renovou o contrato de aluguel, a casa começa a quebrar. É a pia do banheiro, o encanamento da cozinha, a tinta da parede... Às vezes, acho que é um complô, os eletro-eletrônicos e outros daqui de casa se rebelaram e estão construindo uma guerrilha doméstica. Tenho pesadelos horríveis, onde me vejo acordando um dia, presa pelo fio do ferro de passar...

9. Fazer dieta. Preciso falar mais alguma coisa?

10. Pessoas chatas, que falam me segurando, mijando, gozando, ou repletas de gírias. Em outro post, tem uma lista de coisas que me irritam, e que também merecem muitos cartões vermelhos...

E para dar sequência à brincadeira, escolho os seguintes blogs:

26 de set de 2009

Cenas de Um Divórcio

Cena 4 - Eu fico com o disco do Pixinguinha...
(Francis Hime e Chico Buarque)

A confusão começou na hora de dividirmos as coisas. Até então, tirando o episódio primordial (quando ele pediu o divórcio), tudo estava transcorrendo na maior paz. Mas na hora de saber quem ficava com o quê, a coisa pegou!

- A coleção do Machado de Assis fica comigo! - o Ex bradou, já colocando os livros dentro da caixa.

- Claro que não! - Retruquei, retirando os mesmos da dita cuja. - É minha!

- Mas, você já ficou com os da Clarice!

- E, mas te deixei Shakespeare!

- Sei, mas não quis me dar o do Manuel de Barros!

- Ora, ele não pode se separar da Florbela Espanca!

- É, mas você não reclamou quando separou Fernando Pessoa de Camões! Eles são portugueses, deviam ficar juntos!

- Os portugueses se separaram quando vierem dar por esses costados, não tem um problema muito grande se separarem novamente...

- E Borges, fica com quem?

- Borges, não! Borges é meu!

- Tudo bem então fico com Garcia Marquez!

- Eu te dou Garcia Marquez se me deixar ficar com Virginia Woolf e Kafka.

- ...

- O que foi?

- E Henry Miller, o que vamos fazer com o pobre do Miller?

- ...

- Eu não posso... Eu não posso ver isso! Fico pensando neles sozinhos, em um apartamento estranho... Imagina o Graham Greene ao lado de Jorge Amado, ele que sempre ficou ao lado de D.H Lawrence, de Tolstoi, de Jane Austen...

- E o Jorge?

- Borges?

- Não. Amado... Como separá-lo da Rachel de Queiroz? Da Lígia Fagundes? Da Nelida...

- E os Andrade? Não posso separar Oswaldo, do Mario...

- ...

- Não chore querida... Por favor, não chore...

- É que... é que... é que não posso nem pensar em abandonar o Veríssimo!!!

- O pai?

- O filho...

- É... O Luiz... Demos boas gargalhadas com ele, não é? Com o pai também, boas lembranças...

- E se a gente revezar?

- Como?

- Assim, cada semana fica com um.

- Biblioteca itinerante? Acho que não vai dar certo...

- O que você prefere? Separá-los? Nunca! Só por cima do meu cadáver!!!

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Instantâneos:

>> Uia, meu prêmio chegou! O Livro Para Ler Como Um Escritor de Francine Prose, editora Zahar está em minhas mãos e olhos. Comecei a ler já e assim que terminar vou fazer uma resenha para publicar no blog dela, que é só de resenhas (não tenho o link, ainda!), pedido feito pela Georgia Aegerte e prontamente aceito.

>> Eu adoro a Mamis, todo o dia fujo para Marte para ler seus posts espirituosos e essa semana ela me deu um este selinho:

Agradeço o carinho e repasso o mimo para todos os frequentadores desse espaço. Ou seja, tá vendo o quadro na lateral Consulte também? Pois é, todos os que estão ali são os meus indicados.

21 de set de 2009

A Mulher da Foto

Coisa boa é chegar da rua, depois de uma manhã esgotante e dar de cara com uma notícia maravilhosa: Meu conto A MULHER DA FOTO foi o vencedor do concurso de contos promovido pela Vanessa do blog Fio de Ariadne.

Fiquei feliz, envaidecida e, é claro, muito orgulhosa, principalmente por saber das qualidades fantásticas dos outros contos participantes!

Nossa, obrigada Vanessa por essa chance e estou louca para começar a ler o meu prêmio, o livro de Francine Prose Para ler como um escritor da Jorge Zahar Editor.


Além de tudo isso, ainda fui presenteada com o comentário da Georgia Aegerter dos blogs Saia Justa e O que elas estão lendo?! sobre A mulher da foto, vencedor do concurso : "Sensacional a maneira como este escritor/a interligou a Macabea de Clarice Lispecto à sua Macabéa. Desta forma, dois níveis de existência se fundem e dialogam entre si. A procura da mulher da foto. O próprio narrador revela seu amor incabível pela personagem; sofre por ele, sonha e nao se conforma com o próprio destino e volta ao Sebo numa busca de realizacao. Se me lembro do romance de Macabéa; digo que A mulher da foto, foi muito bem escrito; nao há um momento sequer plágio e sim um novo romance dentro de um outro romance. Uma das coisas que mais gostei foi mesmo essa ousadia do autor. Parabéns!"

Nossa, tudo isso faz um bem danado ao coração da gente, e só estimula a minha vontade de escrever mais e mais.

E, é claro, tenho que agradecer com todo o meu amor, à Clarice Lispector, que com seu belíssimo romance "A Hora da Estrela", inspirou a escrita desse conto. Desde que eu o li a primeira vez, amei Macabéia! E esse conto foi a minha maneira de homenageá-la.

Abaixo, o conto vencedor do concurso.

A Mulher da Foto

Apaixonara-se pela foto. Uma mulher de cabelos ondulados, cor indefinida. Olhos e peles num colorido desbotado de foto, não antiga, mas que já sofrera nas mãos do tempo.

O mais estranho é que ele não conhecia a mulher. A foto fora encontrada dentro de um livro, A Hora da Estrela, comprado num sebo no centro da cidade. Adorava Clarice Lispector e particularmente a estória de Macabéa. A estrela escondida no seio da cidade grande. O livro estava na vitrine. Coisa rara, tratando-se de um livro antigo para os padrões editoriais.

Durante o dia inteiro, após a compra, lutara contra a vontade de largar o serviço e sentar-se num banco de praça e entregar-se à simplicidade cativante de Macabéa. Em casa, a noite, copo de refrigerante na mão, o cigarro na outra, iria finalmente começar a leitura. Então a foto escorregou por entre as páginas, planando suavemente até o tapete.

E fora ali que ele se apaixonara. Atrás da foto, lembranças do verão passado... Mas que verão? Ele queria saber. Não havia como. Por não haver nomes, chamou-a Macabéa, dando rosto ao personagem tantas vezes admirado.

Na cama, a imagem da mulher surgia por entre as pálpebras, invadindo seus sonhos. Ela sorria e desaparecia dentro de um ônibus. Outra hora, podia vê-la observando vitrines, tomando sorvete de casquinha... Ele tentava seguir, mas a mulher desfazia-se em brumas na próxima esquina.

Acordou mais cansado do que deitara. A foto sorrindo sobre o criado-mudo. No trabalho, as horas se arrastavam, a cabeça doía, alguma coisa dentro dele parecia prestes a arrebentar e tudo que ele conseguia pensar era como encontrar Macabéa, a mulher da foto.

Saída do serviço encaminhou-se para o sebo. Embora improvável, único lugar que poderia dar-lhe alguma pista. O racional embotava-lhe o cérebro com pragmatismos vãos. Poderia ser a foto de uma pessoa morta, ou ainda, de alguém que poderia ser sua mãe, ou ainda, uma digníssima senhora, casada e mãe de quatro filhos... hipóteses racionalmente possíveis, mas inconscientemente descartadas uma-a-uma. Ele amava a mulher da foto. A sua estrela, Macabéa dos seus sonhos.

Em frente ao sebo, a surpresa. Não havia mais nada, ou melhor, havia um café. Mas como um sebo se torna café do dia para a noite. E as pessoas ali? Aquilo sempre fora um café? Sim, responde uma garçonete oxigenada, sem nem olhar para ele. Glória? - pergunta ele. Como sabe? ela pergunta, olhando-o com um pouco mais de atenção. Não era mais um dos desesperados que costumavam freqüentar o lugar. Ensaia um sorriso, mas ele já saira. Olhando ao redor. Maluco, isso sim. Sentencia. Voltando à limpeza da mesa.

Agora a angústia transborda peito. A certeza de que a mulher da foto não existe, de que o sebo não existe, de que finalmente acontecera. A loucura, a sina decretada por uma vizinha quando, ainda moleque, escondia-se no fundo do quintal enlameado, procurando palavras escondidas para preencher as lacunas das folhas em branco.

Então era assim a loucura, ele pensa, arrastando pés em direção a algum lugar onde não importava mais. Macabéa não existia. Foto esquecida no livro, ficção.

O som do carro derrapando e dos gritos chegou aos seus ouvidos num repente. A multidão, figura principal nos momentos de tragédia, já se compactava ao redor, enquanto um Mercedes Benz fugia em disparada. No asfalto, a mulher da foto, Macabéa que virava estrela, cercada de atenção e público, morria.

Mas esse não era o final que ele esperava. Por isso ligou do celular pedindo uma ambulância e afastou a multidão. Enquanto esperava o socorro, sentou-se ao lado da mulher caída no asfalto, segurando a sua mão.

Gesto inesperado, ela procurou seus olhos e ele viu o que já esperava encontrar, reconhecimento. A cartomante estava certa, ouviu sua voz dizendo, num sussurro confuso de sangue e suor, agora tenho um destino... Sim, ele confirmou, nós dois temos.

10 de set de 2009

Promoção DinoAmigos


A promoção continua, na compra do livro DinoAmigos, você participará automaticamente do sorteio de um Bicho-Maçaneta da minha marca de artesanato Bicho de Pano.

Como Funciona:

Você compra o livro (R$ 15,00 + Frete) e ganha um número (informado por e-mail) e divulgado no blog no dia 30 de setembro, o sorteio acontecerá no dia 1º de Outubro. O vencedor ganhará um bicho-maçaneta (cor e modelo a sua escolha).

Outras Informações:

DinoAmigos - Resgate em Cretácea
por Armando Leite Ferreira e Patricia Daltro
Ed. Expert Book
Faixa Etária: 4 a 8 anos

Resgate em Cretácea, conta a história de três dinossaurinhos brasileiros que ganharam do Mago Saurin um poder muito especial: a inteligência. Receberam também dons individuais: generosidade, coragem e cautela. Resgate em Cretácea tem muitas aventuras e atividades para você brincar, enquanto ajuda os DinoAmigos a vencerem a malvada bruxa Tiranarex. Junto com o livro tem um CD muito legal. Nele você vai ver e ouvir o Mago Saurin contar a história da origem dos DinoAmigos e, também, um pouco da história dos dinossauros no nosso planeta. O CD tem muitos jogos e atividades além de um dicionário do período Cretáceo com mais de 100 dinossauros para você conhecer.


Preço: R$ 15,00 + Frete
(Fazemos preços especiais para escolas e/ou pessoas que queiram representar o livro em sua região)

9 de set de 2009

Dá para ser?

Nada contra ter problemas, faz parte da vida e não conheço ninguém que não tenha, mas quer saber? Dá para se organizarem, pegar senha, fazer fila, essas coisas? Se tem que ser na porrada, poxa! Que pelo menos, seja um de cada vez!

8 de set de 2009

Promoção 2 em 1

Junte 180 elefantes, 140 gatinhos, 70 bichos-maçanetas, 75 bruxas, 75 fadas, 82 corujas e 104 corações e o que acontece? Uma mulher quase enlouquecida e sem tempo para dizer "oi".

Mas, só para não deixar tudo aqui parado e aproveitando o dias das crianças que se aproxima, apresento para vocês o DinoAmigos.


Escrito por mim (Patricia Daltro) e por Armando Leite Ferreira, conta a história de três dinossaurinhos, que vivem no mundo mágico de Cretácea, com seu amigo e cientista Saurin e que subitamente se envolvem em uma aventura danada para combater a bruxa malvada.

Além de uma história bem dinâmica, ilustrações primorosas, o livro também é interativo, com atividades pedagógicas que estimulam a criança a resolver, junto com os personagens os desafios da história.


Junto com o livro vem um CD de atividades (jogos, dicionário dos dinossauros, atividades lúdicas, etc) e histórias extras com os personagens do livro.

Esse livro não está nas livrarias (problemas na distribuição) e só podia ser adquirido via site da editora, mas agora pode também ser comprado aqui no blog e para comemorar esse momento, estou fazendo a seguinte promoção: Quem comprar o livro via blog participa também do sorteio de um bicho-maçaneta da minha marca de artesanato Bicho de Pano.

Já pensou? Você compra um livro e pode ganhar um simpático bichinho para colocar em sua porta! Interessados e só avisar nos comentários, que respondo por e-mail.
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DinoAmigos - Resgate em Cretácea - R$ 15,00 + Frete
por Armando Leite Ferreira e Patrícia Daltro
Faixa etária: 4 a 8 anos
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Outra novidade boa, é que Glorinha, a personagem da peça "A Vigilante, Uma Comédia de Peso" agora tem blog, e é uma delicia de ler! Aproveita e vai , vocês vão amar!

31 de ago de 2009

Coração de Menino

O menino se assustou com o barulho do carro, mais ainda quando sentiu a mão da mãe largar a sua. Virou confuso para trás e não entendeu a mãe caída no chão. Ficou olhando: prestando atenção no filete de sangue escorrendo do ouvido. O monte de gente parando em torno. A mãe, imóvel, quietinha. Segurou suas mãos, tão leve, tão fria. Achou que a mãe tinha frio, tirou o casaco e cobriu seus braços.

Gente chegava, parava, depois ia embora, fazendo o sinal da cruz. Alguns olhavam o menino, exclamavam: coitadinho! E se iam, apressados.

Um policial chegou, olhou a mulher, olhou o menino, pediu aos curiosos para se afastarem. Gritou por um médico. Alguém avisou que já haviam chamado uma ambulância.

- Licença, licença. – um homem empurrava a multidão. – Ô seu guarda, sou médico, posso ajudar?
- Acho que morreu.
- Posso verificar? – perguntou o homem, apontando a mulher caída no asfalto. O guarda concordou.

O médico abaixou e examinou a mulher. Sentiu pulso, tocou na pele da face. Fez tudo isso sob o olhar atento do menino.

- Morreu. – sentenciou, limpando as mãos. Depois, sumiu na multidão.
- Morreu... – sussurraram os curiosos, alguns já indo embora, perdido o interesse.
- Ai, cancela a ambulância e chama o rabecão. – pediu o policial, voltando a controlar o trafego.

A palavra morte não era muito compreensível para o menino: qualquer coisa como viajar. Mas, se ele podia ver a mãe, ela não tinha viajado. Poderia ser dormir, mas seus olhos estavam abertos. Sabia que o carro havia machucado a mãe, mas não entendia o porquê dela não chorar, (quando ele se machucava, costumava chorar tanto que um dia inundaria o mundo, dizia sua mãe).

Ficou lá, do lado da mãe, enxotando as moscas que insistiam em pousar nos seus lábios. Sentia uma coisa esquisita dentro do peito. Seu coração de menino não sabia explicar o nó da garganta. Botou a cabeça da mãe no seu colo, fez um carinho em seus cabelos encharcados de sangue, e tentou acordá-la com um beijo.

Escrito em janeiro de 1995

25 de ago de 2009

Contradições.





Falo das coisas que não deveriam ser ditas. Acredito em promessas, que sei que não serão cumpridas. Finjo sorrisos e anseio por abraços.

Tem horas em mim que a felicidade jorra nos gestos, tem horas que falta.

Sinto sozinha uma cidade repleta de faces. Fico em silêncio, rodeada de sons. Falo em angústias e procuro poesias. Contradições.







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1) Ganhei selinho do Mulheres da Vida Real - obrigada meninas! :o) Como tem algumas perguntas a serem respondidas, irei fazer o post sobre ele no final-de-semana.

2) Hoje (25/08) é aniversário de um ano do blog da Itinerante Neiva - Parabéns, querida!

23 de ago de 2009

Acaso?

Obra do acaso? Lembre-se que o caminho percorrido até ali,
foi todo feito por sua vontade e através de seus próprios pés.

21 de ago de 2009

Projeto Canções da Minha Vida

Por que quando se tem um sonho, a gente deve fazer o possível para torná-lo realidade.
Ela está começando a realizá-lo. Saiba mais sobre Canções da Minha Vida.

20 de ago de 2009

(Des)Encantamentos

Espero e-mails que não chegam. Correspondências secretas que não existem. Telefones que não tocam. Encaro a madrugada vagando em sites onde não me acho. As palavras fogem. As ausências se vestem de saudades.

Procuro nas propagandas que chegam na minha caixa postal, qualquer uma que me indique o caminho percorrido. Mas até elas não me pertencem. Falam de pênis e remédios, oferecem dinheiro como por encanto.

E eu ando atrás de encantos. Encantamento. A família reunida, que não a minha, comemora a data sagrada. Doçura do cacau substituindo afetos. Eu penso nos quilos que ganhei nos últimos anos, no cigarro que trago e não devo, na vontade de estar distante, no entanto, presente. No emprego dos sonhos, onde não me adaptei. No livro que terminei e não publico.

Minha alma melancólica insinua felicidade pelas frestas e eu teimo ainda atrás de arco-íris fictícios. Ignoro falas. E continuo a busca do que já não sei se quero. Esperança de outras eras que não essa. Outras que nunca existiram, mas pelas quais, insisto em sentir saudade.

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Da série "As alegrias que a net me dá": Esse texto foi publicado anteriormente no A Criatura e a Moça (meu blog extinto). Hoje descobri que existiam dois blogs com esse texto, sem autoria e sem identificação de onde havia sido copiado. rs Então já sabem, se receberem também esse texto perdido por ai, sou a autora. :o)

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19 de ago de 2009

Uma Outra História de Fadas

Vivia em uma torre. Alta, de paredes de cristal. O que era pior para ela. Pois podia ver tudo o que acontecia ao seu redor, sem, no entanto, poder vivenciar. Um dia uma bruxa má a aprisionara ali. Por isso era triste. Sozinha. Dia e noite a pentear seus longos cabelos.

Olhava a vida que se descortinava por entre as paredes de cristal, emitindo longos suspiros de pesar. Invejava a mulher simples que todos os dias saia, cesta na cabeça, a vender seus produtos na feira. O casal que todas as tardes, sentava à beira do riacho a enamora-se do pôr do sol. Do homem que atrás do arado, plantava sua subsistência.

Triste seus dias iam se passando. De todos os que ela via através das paredes da torre, um em especial, acirrava o seu suspirar. Um jovem que todas as tardes passava sob a alta janela da torre. Sabia que ele também a olhava. E isso só lhe trazia mais pesar. Por saber o quão impossível seria o encontro.

Um dia, o tal jovem não seguiu, parou e deixou uma rosa, aos pés da torre. E a partir daí, todos os dias ele deixava flores para ela. E cantava, versos tão bonitos, que aqueciam seu coração prisioneiro.

Não demorou que ele implorasse o seu amor. Propôs que ambos fugissem da tirania da bruxa. O coração da donzela bateu acelerado. Sequer dormiu aquela noite, pensando na doce proposta.
Mas, no dia seguinte, ao passar sob a torre, o jovem não a viu. As paredes, antes cristalinas, agora opacas, escondiam o seu interior. As janelas fechadas ocultavam a face de sua amada. Dias passou ali. A gritar, a tentar escalar paredes tão lisas.

Não se sabem ao certo o que aconteceu com esse jovem, dizem que se apaixonou novamente, agora pela moça do cesto, aquela que passava todo dia, para vender seus produtos na feira. Outros dizem que ele apenas cansou, e voltou para sua terra natal.

Quanto a jovem da torre, ninguém nunca mais ouviu falar nela. Pois na noite anterior a sua fuga. Quando se entregaria pela primeira vez ao amor. Descobriu que a bruxa má que a mantinha aprisionada, não era outra, senão ela mesma, que as portas nunca estiveram fechadas, e a torre nem tão alta era...
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17 de ago de 2009

Amiga é para essas coisas

Um domingo qualquer, recebe um telefonema às 10 horas da noite.

- Poli?
- Lana?
- Você está muito ocupada?
- Não? Algum problema?
- É... Mais ou menos... É que perdi minha carteira... Acho que foi no BarX. - um barzinho que freqüentavam sempre que a grana espichava um pouco.
- Você quer que eu vá lá? - como morava mais perto, achou que era isso que a amiga queria.
- Não... Ou melhor,...
- Lana, estou ficando preocupada, quer me dizer o que está acontecendo?
- É que tô em um motel...
- Sim?
- E o carinha não tem grana para pagar... E acabei de ver que estou sem a carteira...
- Você o quê? Está num motel com um cara que não tem como pagar a conta? Hahaha!
- Para de rir, que a coisa é séria! Não agüento mais ficar aqui com esse cara! - ouve uma exclamação de revolta ao lado, ela diz alguma coisa pouco afetuosa para alguém, depois volta. - Você pode vir me buscar? Depois a gente acerta...

Até tentou não rir. Mas, não deu. Caiu na gargalhada, enquanto a amiga, fula da vida, xingava toda a sua família.

- Tá. Tá. Diz o endereço que passo aí.

Anota o endereço. Troca de roupa. O marido, pergunta aonde vai. Diz que a um motel encontrar com Lana.
- Heim?
- Depois explico.

E vai embora, rindo. Da situação da amiga e da cara de espanto do marido.

Não desce do táxi. Para na portaria e a mocinha da recepção já vai entregando uma chave.

- Não querida, por favor, avise ao casal do quarto 302 que Poliana está aqui.

A mulher arregala os olhos. Tenta dizer alguma coisa, mas ela insiste. A recepcionista então liga para o quarto. Não demora muito, desce Lana, cabelos molhados e cara de puta, acompanhada de um cidadão maravilhoso, com aparência de adolescente que foi pego se masturbando com a meia da prima.

Lana vira para a mocinha da recepção e pergunta quanto. Depois caminha até o táxi, onde a amiga espera e pede a quantia. Dá a ela, o dinheiro. Ela paga e diz um a gente se vê mal-humorado para o rapaz que parece desejar um buraco para se enfiar.

O taxista dá ré e partem. Enquanto Lana, que perde a vida, mas não perde uma piada, começa:

- Preço do jantar - R$ 100,00, Quarto do motel R$250,00 - a cara de idiota da recepcionista quando a sua amiga paga a conta, não tem preço.

E caem na gargalhada.

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14 de ago de 2009

Pulsar

Não faço planos, são feitos de espuma do mar, não posso pegá-los com as mãos, pois deslizam por entre os dedos, criando sulcos na alma.

Cavalgo em estrelas selvagens, buscando a casa das palavras proibidas.

Não tenho sonhos, são feitos de nuvens, desfazem-se no toque das mãos.

Teço palavras com o fio das lembranças dos amores esquecidos.

Não creio em amores, são teias de aranha imaginárias, iludindo com o seu efêmero brilho, aprisionando os que com ele se encantam.

Construo castelos, erguidos em noites insones, regadas de vinhos, odores e orgasmos. E vivo. Sentindo o gosto da vida em minha boca, o real pulsando em minhas veias, acompanhado pelo arfar constante do meu coração.

12 de ago de 2009

Manual em Reforma:


Seu link sumiu? Por favor, deixe recado nos comentários. Sabe como é, casa com obra fica tudo um caos e sempre perdemos alguma coisa. :o)

11 de ago de 2009

Armadilhas Sentimentais

Uma lágrima, apenas uma única lágrima. Foi isso que fez com que ele a amasse. O delicado instante de um piscar de olhos, escorrendo suave pelo contorno do rosto, terminando na palma de sua mão, o que lhe bastou para fazer juras eternas.

Que duraram até o exato instante em que ele descobriu que não haveriam lágrimas todos os dias. A felicidade dela, o motivo do seu desamor. Na despedida, outra lágrima silenciosa.

Foi quando ambos perceberam a armadilha, o que ele amava nela era o que não poderia ser oferecido por ela, enquanto se sentia amada. E aos dois, restava a condenação do circular dilema.

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Pedido: Estou fazendo umas mudanças no layout do blog, em um dos testes feitos, perdi quase todos os links de blogs amigos, se você não estiver na lista ali do lado, pode por favor, avisar nos comentários? :o)