20 de ago de 2009

(Des)Encantamentos

Espero e-mails que não chegam. Correspondências secretas que não existem. Telefones que não tocam. Encaro a madrugada vagando em sites onde não me acho. As palavras fogem. As ausências se vestem de saudades.

Procuro nas propagandas que chegam na minha caixa postal, qualquer uma que me indique o caminho percorrido. Mas até elas não me pertencem. Falam de pênis e remédios, oferecem dinheiro como por encanto.

E eu ando atrás de encantos. Encantamento. A família reunida, que não a minha, comemora a data sagrada. Doçura do cacau substituindo afetos. Eu penso nos quilos que ganhei nos últimos anos, no cigarro que trago e não devo, na vontade de estar distante, no entanto, presente. No emprego dos sonhos, onde não me adaptei. No livro que terminei e não publico.

Minha alma melancólica insinua felicidade pelas frestas e eu teimo ainda atrás de arco-íris fictícios. Ignoro falas. E continuo a busca do que já não sei se quero. Esperança de outras eras que não essa. Outras que nunca existiram, mas pelas quais, insisto em sentir saudade.

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Da série "As alegrias que a net me dá": Esse texto foi publicado anteriormente no A Criatura e a Moça (meu blog extinto). Hoje descobri que existiam dois blogs com esse texto, sem autoria e sem identificação de onde havia sido copiado. rs Então já sabem, se receberem também esse texto perdido por ai, sou a autora. :o)

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