Amores de verdade doem quando terminam. Deixam a gente com raiva de um dia ter amado. Fazem chorar lágrimas demais. Querer sair, encher a cara. Amores de verdade quando terminam ficam entalados no peito, e as palavras que saem, são certeiras como balas de fuzil; são pensadas e ditas para criarem estragos, fazerem o que nossas mãos não se permitem fazer, são para machucar, pisar, fazer com que o outro sofra tanto, mais tanto, como se só assim toda a nossa dor fosse se esvair...
Mas, ela não termina, e continua latejada por dias, meses, até mesmo anos, e tem gente, que carrega essa dor no peito pelo resto da vida... É uma ferida que não cicatriza e que costuma reabrir em momentos de reencontros ocasionais ou propositais. Onde a gente tenta, mas na maioria das vezes, decide por se humilhar, implorando respostas que nunca virão. Não, não existe outra, ou se existe, não é por ela que te deixou, mas por que o amor, até mesmo os de verdade, um dia acabam...
Mas a gente não quer, e continua alimentando esse amor, comprando as coisas que o outro gosta, ouvindo a música que foi deles, até mesmo a casa continua sendo como antes de não ser...
E mesmo quando a ferida cicatriza, tem muitos que ainda insistem em retirar a casca, até fazê-la sangrar novamente. Por que amores de verdade quando terminam, deixam a gente com um gosto acre na boca, um gris escuro no olhar e um vazio na alma, que a gente tenta preencher com outros copos, outras bocas, outros corpos... até acordar com o som do nosso desespero, numa madrugada qualquer, insone, olhando para as paredes do quarto e descobrindo que está só. Numa solidão tão escura e densa, que ninguém, absolutamente ninguém será capaz de resgatar.
E nessa hora, só nos resta duas escolhas, amanhecer ou seguir noite adentro, envolta na escuridão daqueles que perdem seus amores de verdade. E por mais que pareça a mais fácil para aqueles que nos cercam, amanhecer é a escolha mais difícil.
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