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5 de fev. de 2012

Amores de Verdade

Amores de verdade doem quando terminam. Deixam a gente com raiva de um dia ter amado. Fazem chorar lágrimas demais. Querer sair, encher a cara. Amores de verdade quando terminam ficam entalados no peito, e as palavras que saem, são certeiras como balas de fuzil; são pensadas e ditas para criarem estragos, fazerem o que nossas mãos não se permitem fazer, são para machucar, pisar, fazer com que o outro sofra tanto, mais tanto, como se só assim toda a nossa dor fosse se esvair...

Mas, ela não termina, e continua latejada por dias, meses, até mesmo anos, e tem gente, que carrega essa dor no peito pelo resto da vida... É uma ferida que não cicatriza e que costuma reabrir em momentos de reencontros ocasionais ou propositais. Onde a gente tenta, mas na maioria das vezes, decide por se humilhar, implorando respostas que nunca virão. Não, não existe outra, ou se existe, não é por ela que te deixou, mas por que o amor, até mesmo os de verdade, um dia acabam...

Mas a gente não quer, e continua alimentando esse amor, comprando as coisas que o outro gosta, ouvindo a música que foi deles, até mesmo a casa continua sendo como antes de não ser...

E mesmo quando a ferida cicatriza, tem muitos que ainda insistem em retirar a casca, até fazê-la sangrar novamente. Por que amores de verdade quando terminam, deixam a gente com um gosto acre na boca, um gris escuro no olhar e um vazio na alma, que a gente tenta preencher com outros copos, outras bocas, outros corpos... até acordar com o som do nosso desespero, numa madrugada qualquer, insone, olhando para as paredes do quarto e descobrindo que está só. Numa solidão tão escura e densa, que ninguém, absolutamente ninguém será capaz de resgatar.

E nessa hora, só nos resta duas escolhas, amanhecer ou seguir noite adentro, envolta na escuridão daqueles que perdem seus amores de verdade. E por mais que pareça a mais fácil para aqueles que nos cercam, amanhecer é a escolha mais difícil.

post republicado

15 de jul. de 2011

Amores Virtuais

Se conheceram na comunidade de ex-alunos. Ele, achou bonitinha a foto dela, de tranças olhando o mar. Ela, interessante a caricatura que ele colocou no lugar da sua.

Trocaram scraps inicialmente. Fuxicando as comunidades que pertenciam, descobriram algumas semelhanças. Ela também adorava coca-cola, ele também detestava acordar cedo.

De scraps diários, começaram a trocar e-mails. Textos engraçados que ela recebia, correntes que ambos participavam, logo, evoluíram para animações em Power Point, flores e gatinhos, que lhes desejavam bom-dias coloridos e mensagens de auto-ajuda.

Conversavam no msn todos os dias, no inicio, conversas inócuas e gerais, aos poucos, foram se tornando mais íntimos. Ela confessou que já tinha tido um blog, mas que deletou ao perceber que ficara viciada em comentários; ele riu, e disse que tivera um blog também, mas que enjoara dele.

Estavam apaixonados e já falavam em se encontrar pessoalmente, mas, a crueldade do destino se interpôs em seus caminhos.

O amor deles não resistiu a web cam nova dela, quando ela descobriu que ele era um moleque de quatorze anos! Ele até que continuaria gostando dela, não fosse o fato dela ter sido a professora de matemática que o reprovara três vezes, fazendo-o sair do colégio.
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Poliana e suas aventuras continuam depois - ainda não leu o primeiro capítulo? Corre no post anterior e conheça as desventuras de uma cama inflável.

23 de mar. de 2011

Bem Me Quer

Desliza os dedos pelas folhas, suavemente retirando pétalas. Bem-me-quer, mal-me-quer, o que será que o destino lhe reserva? Amor não se escolhe! Frases ditas e repetidas por todas povoam sua mente. Por isso suspira, a espreita da próxima esquina, aonde surgirá o amor encantado que um dia sonhou nas estórias infantis. 

Ao lado, cavaleiro errante, mal percebido, pois suas lentes focalizam o homem inexistente. Aquele que em noites insones a faz debulhar folhas de uma pobre flor. Expectativas do acaso, sem perceber que o destino não se escreve em linhas indômitas, mas antes, desenhado em traços por nossas próprias mãos. 

E se hoje chora, suspirando um amor não correspondido e pensa que sua sina é a dos homens errados, deixa escapar a última pétala, um bem-me-quer perdido por mãos descuidadas.

16 de nov. de 2010

Amor de Porcentagem

Quando mais jovem, tinha um grupo de amigos defensores convictos do tal "amor de porcentagem", que nada mais era que uma teoria que buscava o 100% do amor. Como? Simples, para eles nenhuma pessoa seria capaz de oferecer tudo que a outra buscava, isso é, seria impossível sentir tesão, respeito, confiança, admiração e etc numa única pessoa, para eles, você poderia ter uma pessoa que te enchesse de tesão, mas dificilmente essa pessoa te passaria, com a mesma intensidade, confiança... Assim sendo, no máximo essa pessoa te preencheria em 50% de afeto (bem matemático, mesmo). E o que seria feito dos outros 50%? Ora, procuraria outra(s) pessoas até que você obtivesse a porcentagem total afetiva que necessitaria para ser feliz.

O tempo passou, eu envelheci, ou melhor, amadureci e a principio, meus amigos também. Embora muitos deles continuem adeptos dessa teoria. E o que eu acho mais estranho, a sociedade hoje, pelo menos a maioria dela, vivifica essa teoria.

Andamos em busca da perfeição afetiva. Os homens, talvez dada a sua natureza histórica de caçador, reúnem em torno de si um harém, somando pontos em busca dos famosos 100%. As mulheres, essas resolveram partir para o tudo ou nada, ou acham o 100% num cara só ou preferem ficar sozinhas.

O que percebo é que nunca estivemos tão confusos e solitários como agora. A estabilidade afetiva ganha status de equação matemática. Os casamentos felizes são encarados sob uma ótica de ironia e suspeita.

O que mudou? Não sei. E duvido que alguém tenha essa resposta, o que sei é que se a gente se preocupasse menos com a receita do bolo, quem sabe, pudéssemos saboreá-lo mais à vontade.

23 de fev. de 2009

Desventuras Amorosas II

O horóscopo dizia: o melhor hoje é se recolher e aproveitar o dia para rever velhos conceitos. Mas palavras no jornal não foram suficiente para apagar a chama que amanhecera dentro dela. E ignorando todos os desígnios, o gato preto que passara correndo, quase lhe embaralhando os pés, a escada exposta na calçada que seguia, O fragmento de espelho quebrado que encontrara dentro da bolsa - como fora parar ali,? se perguntou. Tudo era de pouca importância.

Ela seguia seu caminho. Em direção a qualquer lugar. Olhar vitrines, talvez. Caminhar na orla. A areia e o sal no rosto. Mas, chovia. E ela sentou num bar. O mar emoldurando-lhe as retinas, que, num acaso, encontraram as dele.

Quer um café? Aceito. Cigarro. Parei. Barulho da chuva. O cheiro suave de um dia. Prosa e poesia entremeadas de fumaça e nicotina. 

Antes de entrar no elevador, subindo em direção ao apartamento dele, ela ainda pensa no horóscopo, e percebe que a vida é bem mais prazerosa, quando decidimos desafiar o destino.

19 de jan. de 2009

A Chave

Ela ali. Mão na bolsa. Cadê a chave? Cadê a droga da chave. Não podia entrar em casa sem ela. E tudo que era queria era entrar. Chuva caindo. Ensopada. As lagrimas secas. Dentro dela, inundações. Estava com ele, claro. Tinha que estar. E ela pensa em voltar. Mas não queria.

Sem retorno, claro. Mas como entrar então? Como recolher cacos espalhados pela sala? Arrebentar de vez as mãos nas paredes. Cabeças. Peito batendo. Rápido, rápido. Ninguém. Solidão e sem chaves.

Casa. Por que fora morar em uma casa? Mais fácil seria em um apartamento. Pediria ao porteiro: - Deixe-me entrar. Perdi-me lá dentro. E nada das chaves. Batons, retratos, carteira de identidade para saber quem era. No momento, nada.

Um carro, luz. Derruba tudo no tapete. Bem-vindo ao lar. Irônico. Escova de dente, pasta, um sabonete de motel. Fragmentos. As lágrimas chegam. Misturam com a chuva. Da casa ao lado cheiro de bolo. Saudades da mãe.

Ir para casa da mãe. Não pode. Ouvir o: "eu te avisei que não daria certo. Ele não presta”.

Maldita chave! Está com ele. Certeza. Fez de propósito, para que ela voltasse. Mas, nunca mais piso aqui. Última frase dita assim, com forças profundas. Senta no meio-fio.

– Que foi, nunca viu não? Menina de bicicleta. Vizinha. Passa correndo. Tudo espalhado. Espelhos, batons que nunca usara. Um chicle de menta. Pedaços de fotos. Dela. Passado. Dele.

Relembra caminhos. Estradas. Desertos sentimentos. Claro. Vislumbra o brilho das chaves sobre a escrivaninha. Dele. Voltar? Nunca, jamais. Sentada no meio-fio, pensa no ridículo da situação. A vida espalhada aos seus pés. O caminho sem volta. A porta trancada. E a chuva caindo docemente sobre seus cabelos. Ri. Gargalhada triste.

A menina da bicicleta corre para casa. - Mãe, a moça ai do lado enlouqueceu!

6 de dez. de 2008

Instantâneos

O cheiro da chuva anestesia vontades. A tarde se arrastando numa preguiça lagarta. O frio invadindo ânimos, insinua chocolates e conhaques.

Lábios e abraços, risos e o contorno do seu corpo na penumbra da acizentada tarde, lembram-me de que a felicidade se faz em pequenos instantes.

1 de dez. de 2008

Desventuras Amorosas.

m algum momento a poesia se perdeu. Podia ser nas palavras, que agora desciam em sua pele como lâminas afiadas. Podia ser nos olhares, que antes ternos, soavam agora como uma sutil ironia, eterna desconfiança nas retinas.

Ela fingia não perceber a ausência do lirismo e escondia dores no detergente. Seguia passo-a-passo na direção do abismo infinito do não-amor. Estradas alteradas, ela sabia, mas insistia na contra-mão.

E, o pior de tudo, era perceber-se cada dia mais tênue. Desaparecia. E ninguém a sua volta parecia ao menos notar. Fazia-se silêncios, mesclava-se à rotinas de marido e filhos. Engolindo em seco e tentando não olhar no espelho, pois sabia, que em algum momento, quando não houvessem mais fugas, ela olharia em busca de reflexos e veria o nada, ausência final dela mesma.

10 de out. de 2008

Infância
por Patricia Daltro



De vez em quando o cheiro da infância me invade. Sempre de repente, sem explicações ou avisos. 

E tudo que antes era cinza ou furta-cor, é invadido por nuances coloridas dessas lembranças. 

Você lembra do cheiro do algodão-doce vendido na rua? Comia-se com as mãos, cabelos e onde mais aquela nuvem colorida tocasse. E a pipoca quentinha, encharcada de leite moça? O pique-esconde nas tardes de domingo? 

Ou apenas o prazer de sentar ao lado do grande amigo, a tarde desfazendo-se lentamente diante dos nossos olhos, ainda tão repleto de esperanças e certezas
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observação: A imagem que ilustra o micro-conto era do meu antigo blog "A Criatura e a Moça" - desenhado por Marcelo Daltro (minha querida e amada Criatura)

21 de set. de 2008

Pequenos Defeitos: (in)Felicidade

Ela sabia que poderia ser feliz se enxergasse a vida com olhares menos carregados de nãos, se pudesse, pelo menos por alguns instantes, acreditar em livros de auto-ajuda.

Ela seria feliz com certeza, se fosse capaz de acreditar em fadas, duendes, fantasia e príncipe encantado. Se carregasse menos incertezas na face e menos impossibilidades nas mãos. Se ela se ativesse mais nos sonhos e menos no despertar. Ah,sim! Ela seria muito feliz.

Se o coração batesse menos descompassado, se a cabeça não girasse tanto repleta de ansiedades, se fosse capaz de enxergar o fim do arco-íris, se tivesse uma flor amarela na janela... A felicidade faria parte da sua vida, ela sabia.

Sabia também, que se não soubesse tanto, se intuísse mais, se cantarolasse àquela canção romântica, se não se preocupasse tanto com as calorias consumidas, e não se importasse com o sumo da fruta escorrendo no queixo, a felicidade seria a companheira de todas as horas.

Mas o que ela sabia de verdade, era que talvez se não falassem tanto que ela deveria ser feliz, se a felicidade não ficasse tão exposta em banca de revista, se não a transformassem em produto obrigatório, talvez, ela até pudesse ser feliz. No entanto, com tudo isso que sabia, ela não sabia ser.