16 de out de 2011

Poliana em Tempo de Crise - Cap.III (continuação)


Capitulo III: 
Cenas de Um Divórcio:

Cena 5- Restam os Amigos

No dia em que Adalto foi embora. Ainda resmungando sobre livros e cds, eles chegaram para me consolar. Eles quem? Você pergunta, muito apropriadamente, pois até agora minha rotina parecia apenas um emaranhado familiar sem outros elementos estranhos. 

Mas, é claro que em toda separação, ainda mais quando é um casamento longo, fica a pergunta, e os amigos? Ficam com quem? Não dá para separar como objetos e afirmar que eu quero ficar com aquele e aquela, é preciso discernimento para perceber que alguns são os amigos do casal, mesmo que separados, continuaram sendo os amigos do casal e outros, por afinidade, ou motivados por interesses próprios, acabam sendo mais amigos um ou do outro. E nessa história toda, restaram quatro: Wanda, que era minha amiga mais antiga, a tal do aparelho de dente que ao prender minha blusa, foi responsável pelo meu nariz torto. Lucinha, que surgiu depois do casamento, sendo inicialmente amiga do casal, mas que no final virou minha amiga mesmo. Solteira, louca e responsável pelo meu maior mico.

[Um domingo qualquer, recebo um telefonema às 10 horas da noite.
- Poli?
- Lú?
- Você está muito ocupada?
- Não? Algum problema?
- É... Mais ou menos... É que perdi minha carteira... Acho que foi no Barraco. - um barzinho que freqüentávamos sempre que a grana espichava um pouco.
- Você quer que eu vá lá? - como eu morava mais perto, achei que era isso que ela queria.
- Não... Ou melhor,... 
- Lú, estou ficando preocupada, quer me dizer o que está acontecendo?
- É que tô em um motel...
- Sim?
- E o carinha não tem grana para pagar... E acabei de ver que estou sem a carteira...
- Você o quê? Está num motel com um cara que não tem como pagar a conta? Hahaha!
- Para de rir, que a coisa é séria! Não agüento mais ficar aqui com esse cara! - ouço uma exclamação de revolta ao lado, ela diz alguma coisa pouco afetuosa para alguém, depois volta. - Você pode vir me buscar? Depois a gente acerta...

Juro que me segurei para não rir. Quer saber, não segurei não, cai na gargalhada, enquanto ela, fula da vida, xingava minha família inteira.

- Tá. Tá. Diz o endereço que passo aí.

Anoto o endereço. Troco de roupa. Adalto, pergunta aonde vou. Digo que a um motel encontrar com Lú. 

- Heim?
- Depois explico.

E vou embora, rindo. Da situação da minha amiga e da cara de espanto do meu (na ocasião) marido.
Não desço do táxi. (Carro, eu? Quem dera.) Paro na portaria e a mocinha da recepção já vai me entregando uma chave. 

- Não querida, por favor, avise ao casal do quarto 302 que Poliana está aqui.

A mulher arregala os olhos. Tenta dizer alguma coisa, mas eu insisto. Ela então liga para o quarto. Não demora muito, desce Lúcia, cabelos molhados e cara de puta, acompanhada de um cidadão maravilhoso, com aparência de adolescente que foi pego se masturbando com a meia da prima.
Lúcia vira para a mocinha da recepção e pergunta quanto. Depois caminha até o táxi, onde estou e me pede a quantia. Dou a ela o dinheiro. Ela paga e diz um a gente se vê mal-humorado para o rapaz que parece desejar um buraco para se enfiar.

O taxista dá ré e partimos. Enquanto Lucia, que perde a vida, mas não perde uma piada, começa:
- Preço do jantar - R$ 100,00, Quarto do motel R$250,00 - a cara de idiota da recepcionista quando a sua amiga paga a conta, não tem preço. 
E caímos na gargalhada.]

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Este texto faz parte do Romance: Poliana em Tempos de Crise e você pode ler os capítulos anteriores nos links abaixo:

Capitulo I - A Arte de Dormir numa Cama Inflável
Capitulo II  - Muito Prazer, Sou Poliana
Capítulo III - Cenas de um Divórcio - Cena 1 - Homens não prestam e mulheres não sabem o que querem. 

4 comentários:

Vanessa disse...

:-) Continue, continue!

Cissa Branco disse...

Patrícia,

Mais uma vez a Poliana me faz rir e pensar, adorei a história. Claro que, como sempre, quero mais.
Grandes beijos

Casa das Bonecas de Pano de Ipiabas disse...

Olá A Poliana me fez lembrar com quem fica os amigos depois da separação eu fiquei com muitos e ele não lembro bjs uma linda semana Leila

Nanael Soubaim disse...

O tema é sério, a maioria o faria ser chato, mas escrito leve assim dá gosto de se ler.