28 de dez de 2011

Que venha 2012!

Existem anos bons e anos ruins. Anos que terminei querendo que se perpetuassem eternamente e anos que apaguei toda e qualquer lembrança da memória. 

Não consigo enquadrar 2011 em nenhuma dessas categorias. 2011 foi... 2011. Um ano que começou repleto de possibilidades, e que no entanto, foi seguindo seu curso, em alguns momentos, sem dizer a que veio, em outros, intenso e doloroso, como nunca imaginei possível. 

Eu que achei 2010 um ano difícil, descobri que até pra ano, Murphy é implacável. 

Foi um ano onde as cores se ausentaram da minha vida. De repente, o cinza concreto da realidade se fez presente, e com ele, a única opção possível: seguir em frente.

Viver a vida como ela me era dada. Foi a minha constante. Bem ou mal, aceitar o que me era imposto. Sem lamúrias, ou exaltações. Fiz-me silêncio, como nunca antes. 

Àquela, que amigas, no tempo de faculdade, rotulavam como " muito boazinha demais", descobriu que dizer Não, era essencial para sobreviver em tempos gris. Foi um ano de Nãos, recebidos e ditos. Causaram mágoas, que podem ou não originar correntes que irão se arrastar por décadas. Nãos necessários, mas dolorosos...

Travei uma guerra, particular e aguda, repleta de batalhas, com algumas vitórias amargas, mas ainda assim vitórias. 

Quis desistir em vários trechos dessa estrada, mas a mães não é dado o direito de desistir. A gente tem que seguir em frente, sempre. Arrancar forças a cada manhã e sorrir segura, ajustando os passos, daquele serzinho que só iniciou o seu caminho.

Em 2011 aprendi a esperar menos de mim mesma, das pessoas, da vida... E, isso ajuda tanto a enxergar o outro como ele deve ser enxergado. Quando não se tem expectativa no outro, as decepções são quase nulas e as pequenas alegrias se fazem mais presente.

Descobri que poucas coisas são verdadeiramente essenciais. De repente, o supérfluo é tudo aquilo que precisamos abrir mão para garantir a felicidade daqueles a quem você ama.

Não abri mão de nenhum dos meus sonhos, apenas guardei-os todos em caixas arejadas de fácil acesso, para, quem sabe, trazê-los todos de volta em 2012.

Então, chego ao final dessa história, sem expectativas, planejamentos ou resoluções pro ano que se inicia. Dele só espero, (que não acabe - não resisti a piada), que me traga cores. Que retire das retinas esse gris compacto e me inunde com a intensidade luminosa dos girassóis, o vibrante colorido dos amores-perfeitos,  a exuberância lilás das orquídeas... (sobre flores e suas cores, a Bel fez um post lindo, termina aqui e corre lá pra ler)

E, é isso que desejo para todos nós:  que 2012 seja todo ele múltiplo em tons! E que as cores invadam nossas vidas!

19 de dez de 2011

Super Natal para Todos


Jack Kirby disse uma vez que acreditamos em heróis, porque acreditamos em nós mesmos. Neste Natal, acredite em você e faça um Super Natal, para você, para sua família e amigos!

16 de dez de 2011

O Sequestro de Rudolf - A Rena do Nariiz Vermelho

Rio, 20 de Dezembro

Caro Papai Noel,

Antes que ache que essa é mais uma cartinha repleta de pedidos e lamúrias de Natal, aviso que o senhor esta muito enganado. O objetivo dessa carta é informá-lo do seqüestro da sua rena predileta, o Rudolf. É, aquele mesmo, o do nariz vermelho e andar desengonçado. (sabe que até hoje eu não sei como o senhor gosta dessa rena, eita bicho esquisito!), mas voltando ao assunto que motiva essa carta, eu seqüestrei Rudolf!

Mas, entenda Papai Noel, foi por uma boa causa. E na verdade, ele estava pedindo para que alguma coisa acontecesse com ele, aonde já se viu, ficar dando bobeira na véspera do Natal naquela boate gay? Ainda bem que fui eu que o seqüestrei e não um vigarista qualquer que aplicasse no pobrezinho o golpe do "Boa Noite Cinderela".

O lance aconteceu assim. Estava eu lá, junto com uns amigos, (só a titulo de explicação, sou o S do GLS, simpatizante, tão somente). Então, estava eu lá e meus amigos, quando vi aquela rena esquisita, completamente bêbada, dançando em cima de uma mesa e um bando de marmanjos, alguns muito mal intencionados, incentivando o coitadinho. De cara, reconheci o Rudolf, afinal, não é muito difícil reconhecer uma rena famosa. E percebi que ali poderia estar a solução dos meus problemas. Fingi ser uma conhecida para me aproximar e no atual estado etílico que ele estava, consegui convence-lo a vir comigo para meu apartamento, local onde se encontra agora.

Agora que o senhor está devidamente informado do fato, aguarde novas orientações. E não pense em avisar a polícia, nem qualquer outro órgão! Lembre-se: a vida de Rudolf depende de como o senhor irá se comportar!

Atenciosamente,
Desesperada.


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 Rio, 22 de Dezembro

Caro Papai Noel,

Antes de qualquer coisa, deixo claro que Rudolf está sendo muito bem tratado, quando ele acordou, no dia seguinte ao seqüestro, estava bem mal, vítima de uma ressaca memorável, mas no momento, ele já está devidamente medicado com Engov e acabou de tomar um café da manhã reforçado, e enquanto escrevo essa carta, está dormindo. Efeito ainda da ressaca e não de nenhuma droga que tenha dado. Mas, aviso, que se fosse o senhor, olharia com mais atenção esse bicho, pois encontrei nas coisas dele, uma trouxinha de maconha e uns comprimidos rosas esquisitos.

Nessa altura, acredito que o senhor deva estar se perguntando que tipo de seqüestro é esse. Então, vou parar de enrolar e tratar de explicar as condições para que o senhor reveja Rudolf antes do Natal.

É bem provável que o senhor tenha ai nas suas anotações todo o meu histórico e por conseqüência deva saber que eu sou uma menina normal, (sei que tenho mais de trinta, mas vamos tratar-me como menina, é melhor para o meu ego), nem boazinha demais, tampouco malvada ao excesso. Tive meus furos aqui e ali, aquele lance com o namorado da Wanda, já foi há muito tempo, não é? Pode ser considerado fora do prazo de validade! (Espero), mas poxa, Papai Noel, por que as coisas não dão certo comigo? Tenho um emprego de merda (o senhor me desculpe o palavreado, mas é que sou assim), moro ainda com meus pais, não sou um primor de beleza, travo uma guerra cotidiana com a balança, não consigo engrenar um relacionamento sério, resumindo, para cortar os pulsos falta um isso!

O meu pedido é bem simples: Liberto a sua Rena se o senhor me arranjar um namorado. Não precisa ser lindo, nem muito inteligente, (se não tomar sorvete com a testa, já está legal), mas um namorado. Não um rolo, ou ficante, ou pretê, ou ainda, qualquer das denominações possíveis. Um cara que me ligue no dia seguinte e não divida a conta no motel, já caia bem...

Perceba que não estou pedindo um emprego novo, nem dinheiro, mas um mísero namorado! Será que sua Rena não vale isso? Aguardo sua resposta até a meia-noite de hoje.

Atenciosamente,
Desesperada.

Ps. Rudolf ficou me olhando esquisito hoje. Será que ele é realmente gay? Ou fazia apenas tipo naquela boate? Talvez quisesse apenas se divertir... Não sei.


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 Rio 23 de Dezembro

Caro Papai Noel,

O que houve? Aguardei sua carta até meia-noite de ontem e nada! Será preciso mutilar sua rena predileta para que o senhor entenda a gravidade da situação?

Rudolf me disse que não esperava outra coisa do senhor. Parece que ai no Pólo Norte impera um regime de semi-escravidão. Trabalho exaustivo em troca apenas de casa e comida. E após o Natal, o senhor esquece completamente dos pobres duendes e renas que tanto lhe ajudaram naquela ocasião. Cruel, muito cruel, arrisco-me a dizer.

Cheguei ir às lágrimas ouvindo a história dessa pobre rena. Passar a infância inteira sendo chamado de veado e chifrudo... Não me admira a vida que tenha. E o senhor! Que tanto podia ter auxiliado a sofrida criatura, só aparece uma vez por ano e apenas para explorá-lo!

Mas, não posso ser piegas nessa hora! Então, trate de me responder até a meia-noite de hoje ou agüente as conseqüências!

Atenciosamente,
Desesperada.

Ps. Sabe que olhando melhor, Rudolf não é tão desengonçado assim? Na verdade, acho que o jeito atrapalhado dele é um charme.


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 Pausa para os noticiários:

Aqui é Celina Limões para o Jornal A Verdade – estamos aqui em frente a delegacia onde o Sr. Papai Noel acabou de entrar. Nossas fontes informam que a rena Rudolf foi seqüestrada. – o que é? Heim? – Jonas, tem que consertar esse ponto! Isso ta uma merda! Ah, o quê? Estamos no ar? – ehhhrr, desculpinha. Bem, está confirmado. Rudolf, a famosa rena do nariz vermelho foi seqüestrado! Parece que a policia já tem o retrato falado do seqüestrador! Como? É uma seqüestradora?! Sim, é uma seqüestradora, já entrou em contato com o Papai Noel. Continue com a gente para saber mais dessa trágica noticia.

Entrevistar? Entrevistar quem, Jonas? Ah, ela? Mas quem é ela? A imagem corta para uma loira vestida de rena., ela puxa o microfone das mãos da repórter. – Sou Alice, da ApLBFdN – Associação pela Libertação dos Bichinhos Fofos do Natal! E estamos com você, cara Seqüestradora! Sabemos que está fazendo isso em protesto pelo uso indiscriminado de ursos polares, renas, duendes e outros bichinhos fofinhos em enfeites de Natal.

Essas criaturas tem que ficar penduradas em janelas e tetos de shoppings, ou pior, circulando em torno de uma árvore de natal, dias inteiros, sem ganhar um único centavo, tem seus rabos, pelos e o tudo mais, sujas de poeira, mãos gordurosas de pirulito, algodão doce e sabe lá Deus o quê mais ! E, - a loira agora chora, ainda disputando o microfone com a repórter, - quando acaba o Natal, esses bichinhos fofos são jogados nos sótãos, porões, lugares escuros e desumanos. Muitos ficam largados a própria sorte, postos nas ruas, e acabam se drogando ou se prostituindo... é preciso acabar com essa desumanidade, temos que criar regras par... – ei?!

Acabamos de ouvir a jovem? Como é seu nome mesmo? Alice, ah tá! Muito obrigada... Discretamente empurra a mulher, que continua pulando como uma desvairada atrás dela. A repórter faz uma cara de dor.

As últimas noticias são tristes. Realmente, Rudolf foi seqüestrada, nossas fontes exclusivas dizem que por uma tal Desesperada. Ainda não se sabe o que ela quer como resgate... Nós, seres humanos de todo o mundo, imploramos a você, Desesperada. Não acabe com o sonho do Natal, liberte Rudolf! Liberte Rudolf!

Outras pessoas começam a gritar fazendo coro com a jornalista. Liberte Rudolf!

E assim, com esse apelo dos milhares de fãs dessa rena querida, encerramos nosso noticiário. Voltaremos a qualquer momento com novas informações sobre mais esse caso de violência que assola nossa cidade.


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 Polo Norte, 24 de Dezembro

Cara Desesperada,

Desculpe-me o atraso na correspondência anterior, culpa dos correios e dessa época confusa. Você sabe, é Natal, e todo mundo resolve escrever. Parentes que não se falam há anos, nessa época, trocam cartões... Não consigo entender esse povo.

Não acredite em tudo que Rudolf disser. Ele mente! Um dos defeitos dele. Seu pedido foi devidamente registrado e acredito que antes do dia um do próximo ano, irá recebe-lo.

Mas, por favor, liberte Rudolf! É muito difícil conseguir uma Rena nessa época do ano. Sabe como é: elas acabam preferindo trabalhar nos shoppings e nos estúdios de Hollywood. Sem Rudolf  fico com o trenó desfalcado e com o sério risco de atrasar a entrega dos presentes.

Atenciosamente,

Papai Noel.
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Algum Lugar, 25 de Dezembro

Caro Papai Noel,

Sua carta anterior não chegou nas mãos da pobre Desesperada. Por que EU não deixei! E não adianta escrever novamente. Pois estou tomando conta das correspondências agora!

Trate de arranjar outra rena para puxar o seu trenó! Pois estou começando uma vida nova! Longe de sua crueldade e do frio infernal dessa terra. Eu e a Desesperada nós casamos em Las Vegas e agora sou uma Rena livre! Há!Há!Há!

Atenciosamente,

Rudolf - a Rena do Nariz Vermelho.

Ps. - A propósito: odeio o Natal e acho você é um bundão!

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Para descontrair um pouquinho na semana de Natal, republico esse post para darmos umas risadas e desestressar um pouco da correria das festas de final de ano!

13 de dez de 2011

Pausa

Blog parado por tempo indeterminado.
Beijos e um Feliz Natal e um bom 2012 pra todos que ainda passam aqui.

5 de dez de 2011

Notícias do Front

A guerra ainda não acabou. Mas já vencemos muitas batalhas. 
Sem tempo pra nada, nem pra DR da máquina, que andou dando piti, mas já voltou as boas comigo. 
Aguarda que volto com novidades e mudanças. 
Enquanto isso, que seja bem vindo dezembro!

23 de nov de 2011

Vocação

Pequena descobriu o prazer da leitura. A mãe, professora de literatura, cercada de livros por todos os lados, despertava e atiçava sua grande curiosidade.

Habituou-se a ficar ali, junto da mãe, fingindo ler aqueles livros de desenhos complicados e páginas em preto e branco. A mãe divertia-se, ao vê-la, deitada de barriga no chão, as mãozinhas no rosto, compenetradíssima "lendo" o livro de cabeça para baixo.

Aprendeu a ler quase que sozinha. Entrava nos quatro anos, quando pediu a mãe uma cartilha. Mesmo cansada, quando chegava em casa, depois de uma dura lida de trabalho, a mãe sentava-se com a menina e explicava que vovó viu a Uva e Ivo visitou o Vovô, no tatibitate das cartilhas infantis.

Logo aprendeu a ler. Lia, de revistas em quadrinhos à bula de remédio. Até que descobriu o prazer dela mesmo contar suas próprias histórias. E alugava os adultos da casa com longas histórias de fadas, interpretada, muitas vezes, por seus personagens prediletos dos desenhos animados.

Um dia indagada sobre o que seria quando crescesse, respondeu depressa, sem titubear: Escritora. O que causou certa estranheza nos presentes: crianças querem ser professores, médicos, bombeiros, astronautas até, mas de onde essa menina tirou que quer ser escritora?

Depois de toda aquela reação, achou prudente guardar a vontade por dentro. E quando perguntavam, ela rápido respondia uma profissão, qualquer que estivesse na moda. Aos poucos, as histórias contadas oralmente, foram se amontoando em papéis escondidos em seu quarto. Somente a mãe suspeitava da luz acesa, quando todos dormiam, da eterna olheira. Certo era que as noites dedicava à escrita. Debruçada no papel, criando personagens e enredos.

Hoje já não perguntam o que ela quer ser quando crescer, perguntam o que ela é: e ela diz, em voz meio apagada, a profissão que garante as contas no final do mês. Mas, a criança que ainda existe dentro dela, ignorando o fato das muitas recusas das editoras e revistas, grita: Escritora.

20 de nov de 2011

Poliana em Tempos de Crise - cap. IV

Capítulo 4 
Caindo na real
Ou a vida não presta 


Os primeiros meses de separação foram caóticos. A casa sempre bagunçada e não adiantava pedir para Lia ajudar, que o máximo que ela fazia era passar uma vassoura na casa e colocar um congelado no microondas. O resto sobrava para mim mesmo, oras. 

Algumas estudiosas no assunto rotularam a mulher moderna como supermulheres. Denominação que, sinceramente, tem mais glamour no nome do que no real.

Não lembro de ver a Mulher-Maravilha ou a Super-Girl tendo que lidar com máquina de lavar, trouxa de roupa para passar, barriga no fogão ou vassoura na mão.

Enfrentar supervilões parece ser mais divertido do que ter que acordar às  seis da manhã, correr para o banheiro e tomar uma ducha rápida, acordar as filhas para a escola. Preparar o café, pentear o cabelo da filha mais nova e colocar o lanche das crianças na mochila.

Engolir um pedaço de torrada e entornar um copo de café, ao mesmo tempo em que manda as crianças para o colégio. Tirar a carne do congelador, botar a roupa na máquina, escrever instruções para as meninas e pregar na geladeira.

Trocar de roupa e partir para a condução lotada. Quando tenho sorte, consigo um lugarzinho espremido entre a janela e alguém que fatalmente irá dormir caindo em cima de mim. Muitas vezes, babando.

Depois de quase uma hora de condução, chegar ao trabalho e encontrar a mesa cheia de relatórios e ofícios para digitar e/ou arquivar.

Ainda enrolada com os documentos, terei que interromper tudo para servir cafezinho para o chefe e a visita. Além de providenciar o presente dele para a filha mais velha, agendar e reservar hotel para a viagem de negócios, que bem sabe, não é de negócios, na maior parte das vezes.

Meio dia, pausa para um almoço rápido num restaurante a quilo da esquina, se for inicio do mês, caso seja no final, quando o dinheiro mal dá para a passagem, contentar-se com um pé-sujo que vende um joelho e um refresco por R$ 2,00.

Voltar para o escritório, onde agora tem mais uma infinidade de documentos para arquivar, digitar, além é claro de providenciar água, café, e o que mais o chefe desejar.

Fim do dia, voltar para a casa, a cabeça estourando e enfrentar uma fila de vinte minutos para entrar em um ônibus cheio, aonde vai espremida e sarrada metade do caminho, quando finalmente consegue sentar. Mas logo chega a hora de descer, caminhar uma quadra inteira, pegar a filha que está na creche, que cobra quase 1/3 do salário, para ficar com ela.

Em casa, antes de sentar, preparar o jantar, estender a roupa que deixei batendo de manhã, se Liliana tiver prova ou trabalho para o dia seguinte ajudá-la nos estudos, depois finalmente, sentar, prato no colo em frente à tv e ver a mocinha sofrendo horrores nas mãos do vilão da vez, normalmente durmo ali mesmo, até a filha mais nova me acordar, choramingando, por que o irmã bateu nela.

Aí a supermulher tem que servir como juiz e decidir por dar razão a uma ou a outra, mas como está com os olhos pregados, resolve dar uma bronca nas duas e colocá-las para dormir.

Fala sério, vai dizer que não é melhor ter que dar porrada no Lex Luthor ou no vilão da vez?
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Os capítulos anteriores de Poliana em Tempos de Crise você pode ler aqui: http://polianaemtemposdecrise.blogspot.com/view/classic

16 de nov de 2011

Ainda sobre Felicidade

Desde o inicio do ano que tenho a sensação de que Murphy fez acampamento por essas bandas.  Coisas simples viram emaranhados; situações corriqueiras, dramas mexicanos; A casa parece revoltada: é a cama que quebra, a bomba da caixa d'água que pifa, dá pane no luz e queima o ventilado de teto e etc As contas do mês que não fecham e a guerra, que parece eterna, para continuarmos na nossa casa, entre outras coisas.

Natural que nessas horas, ou nesses dias,  a revolta/tristeza se apodere de mim. Natural também que se instaure a vontade de ficar mais quieta e escondida, afinal, ninguém quer ser a personagem Hardy Haha (ok, acabei de denunciar a minha idade! ) rs choramingando pelas redes sociais a eterna ladainha :  "Oh, dia, oh, céus, oh, azar..."  Mas, também não dá para ficar brincado de Pollyanna o tempo todo. Tem hora que até o Jogo do Contente dá no saco.

O feriado, particularmente, foi um dia complicado e a noite, estava me sentindo extremamente esgotada, vontade monstro de chorar e tal. Foi quando apareceu o link de uma escritora que adoro - Elenita Rodrigues (ou Lena, conhecida por ser ex-BBB), mas pra mim, ela é muito mais do que isso, é uma das boas coisas que a net deixou visível. O link dizia: "Porque eu chorei... e chorei".

“Eu tive um dia terrível.” Nós dizemos isso o tempo todo. Uma briga com o chefe, enjoo, engarrafamento… É isso que descrevemos como terrível, quando nada de terrível está acontecendo.

(Até que a gente perde alguém que a gente ama... até que um acidente, uma fatalidade, uma doença rouba e leva embora pra sempre ainda que ainda merecia estar aqui... neste planeta, neste minuto, respirando, vivendo... É quando percebemos que... 


E, mesmo sabendo que aquele texto não era pra mim, foi inevitável a sensação de que eu precisava ler aquilo! Que sim, a vida pode ter seus altos e baixos, que dias ruins acontecem e dias bons também! Mas, que perder alguém que amamos transforma tudo mais em nada... 


De repente, me dei conta que preferiria todo esse ano Murphyano por décadas, se me fosse dada a escolha de poder conviver novamente com pessoas amadas que partiram tão cedo. 


Infelizmente, não posso fazer essa escolha, mas posso enxergar mais do que meu próprio umbigo, posso escolher entender que se as coisas não dão certo, são apenas coisas que não dão certo hoje! Mas, amanhã, elas podem dar, ou não... Posso aprender a lidar com todos os baixos como aprendizados e posso, principalmente, sublinhar o que acontece de melhor. Viver os altos em plenitude. 

Felicidade é questão de escolha, tristeza também. E sou eu quem decide o que escolher. Sim, querer ser feliz o tempo todo pode virar uma neurose, e é preciso pequenas pitadas de melancolia para não esquecermos da nossa humanidade. Mas, fixarmos nosso olhar apenas no que nos faz mal, também nos retira nossa cota de ser humano. 

Ser infeliz o tempo todo, concentrados no que nos atinge ou ser feliz o tempo todo, "esquecendo" o que nos atinge,  cria uma carapaça de indiferença. E indiferença é o pior de todos os crimes!

A lição que quero levar desse ano tão repleto de montanhas russas emocionais é que 2011 foi apenas mais um ano. Que coisas ruins aconteceram, mas muitas coisas boas também me cercaram. Que terminar mais uma etapa na minha vida ao lado das pessoas que amo, transforma esse ano no melhor de todos os anos. Assim como tenho certeza de que 2012 também será o melhor de todos os anos, por que eu escolhi isso! E é assim que as coisas irão ser daqui pra frente pra mim.

13 de nov de 2011

Uma Estória de Fantasmas

- Mãe, a mulher loira está lá no banheiro.
- Heim? mulher loira?
- É, mãe! a assombração. Fantasma mesmo, sabe?
- Eu não acredito. Você fica lendo essas coisas na internet e agora não me deixa dormir. Vai deitar vai.
- Mas, eu quero fazer xixi...
- Então vá no banheiro e faça.
- Mas... é a mulher loira?
- Olha querido, mamãe teve um dia do cão. Muito trabalho, chefe pegando no pé... amanhã tenho reunião às 8:30 e são duas horas da manhã!
-...
- Você não vai chorar, vai? Ah, meu bem não faz assim... Mulher loira não existe, amor... é fruto da sua imaginação. Você pode ir no banheiro sossegado.
- Tem certeza?
- Tenho, querido. Agora deixa a mamãe dormir, por favor...
- Tá.

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- Mãe...
- O que foi agora, Rafael?
- É que a mulher loira quer falar com você. Ela disse que existe sim, e que você é uma mãe muito má por que me deixou ir sozinho no banheiro...
- Rafael, você fez o seu xixi?
- Fiz... no corredor...
- Eu não acredito! O que eu fiz para merecer isso! Faz uma coisa, deita aqui na cama com a mamãe e vamos dormir.

**********************

- Aonde você vai?
- Ao banheiro, filho. Essa conversa toda de xixi, acabou me dando vontade.
- Cuidado com a mulher loira, tá?
- Eu já falei, Rafael, mulher loira não existe!

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- A senhora é a mãe do Rafael?
- E quem é você?
- Eu sou a mulher loira, que você disse que não existia.
- Loira? Querida, você está mais para multicor. Que raízes pretas horrorosas!
- Você não está com medo de mim?
- Medo? Não, na verdade estou furiosa, você fez meu filho mijar no corredor! Afinal de contas, o que você está querendo por aqui? Seu negócio não é ficar assombrando colégio público?
- Era... mas com essa moda de traficante invadir colégio, ninguém mais tem medo de mim. O que é um fantasma quando se tem um AR15?
- Tem razão... mas eu acho que esse seu visual meio "riponga" também não deve estar ajudando muito. Esse cabelo desbotado, essa modelito horroroso... Ah, querida, você está meio caída!
- Você acha? Eu... eu... eu sempre usei essa roupa... desde que era uma fantasma iniciante.
- Então tá explicado! Isso tem quanto tempo? Nossa, quando eu era criança já ouvia falar em você! Não que isso tenha muitos anos... Afinal de contas, eu ainda não sou uma balzaquiana...
- Ainda não é? Sei... Mas o que vou fazer? Só sei ficar assombrando por ai... Se eu não conseguir mais fazer isso, vou ter que me aposentar... E você não sabe como é horrível aquele asilo para fantasmas...
- Ai... sabe de uma coisa, já vi que não vou conseguir dormir mesmo, acho que posso te ajudar. Deixa ver, precisamos pintar esse cabelo, arrumar umas roupas novas e arg! que unhas são essas?! A quanto tempo você não passa um esmalte nelas?
- Eu... eu não achava necessário...
- Esse é seu mal. Querida, se você não se cuida, ninguém presta atenção em você. O negócio agora é ser fashion, poderosa, entendeu?
- Mais ou menos... Acho que não vou conseguir ser essas coisas todas, não...
- Deixa comigo!

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- Pronto, agora pode se olhar no espelho.
- Você pintou meu cabelo de ruivo?!
- Claro, aquele loiro estava horrível, te envelhecia horrores.
- Mas... mas... EU SOU A TEMIDA MULHER LOIRA E NÂO RUIVA!
- Ei! Pare de gritar! Eu te fiz um favor! Você ficou uma gata ruiva. Nem parece ter a idade que tem! Além do mais. Está na hora de você se reciclar. Chega dessa coisa de ficar assustando criança em banheiro público! Ah, e quer saber? Eu estou muito cansada desse lenga-lenga. Vou dormir e você trate de ir embora daqui!
- Mas... mas...
- Nem mais, nem meio mais! Amanhã de manhã eu não quero ver vestígio de sua presença, ouviu bem?

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- Mulher loira? mulher loira?
- Xiiii! Fala baixo, senão sua mãe vai acordar e brigar comigo de novo!
- Ela brigou com você também, não é? Ela faz isso com todo mundo...
- Coitadinho de você, merecia uma mãe melhor...
- Nãaaao, ela é assim, mas é uma mãe muito legal. De vez em quando até vai passear comigo...
- Sei...
- E então, o que você vai fazer?
- Sei lá, acho que voltar para os banheiros dos colégios...
- Mas, e esse cabelo ruivo? Não dá mais para ser a mulher loira...
- Eu sei... Estou pensando em criar um novo mito... A Popozuda Fantasma, o que acha? Uma funkeira que morreu depois de ouvir música clássica e volta para aterrorizar geral cantando "Eguinha Pocotó" nos banheiros?
-...

10 de nov de 2011

Felicidade Compartilhada

A felicidade, tão almejada (quase obsessivamente) por tantos, não vem num pacote fechado, somatória da equação: amor+casamento+realização profissional+maternidade+dinheiro+etc, até porque conseguir reunir numa única vida todos os elementos dessa equação, é dádiva restrita a poucos. 

Muitos passam a vida em busca dessa soma perfeita e vivem eternamente infelizes, uma pena. 

A felicidade não é um Santo Graal, algo externo a nós mesmos, que precisamos encontrar para nos acharmos. Eu diria que, ao contrário, precisamos nós achar, para tocar no cálice sagrado. 

Parece piegas, mas viver a vida saboreando os pequenos momentos felizes é muito mais eficaz do que essa eterna busca, que só traz angústia e, muitas vezes desilusão. 

Não é contentar-se com pouco, mas aprender que aquele pouco é muito. Que diariamente somos abordados por esses momentos felizes e cabe a nós abrir os braços para recebê-los.

O sorriso do meu filho, por exemplo, e uma descoberta que ele faça, nesse mundo novo que ele está a desbravar, é um dos meus muitos momentos de felicidade.


Um dia de bobeira frente a tv com marido, ou um passeio em família, com direito a sorvete e muita conversa  divertida.

Bate-papo furado nas redes sociais, com risadas garantidas e carinhos virtuais.

Uma tarde no meu spa mental com uma amiga querida, né Luci Cardinelli? Com papos animados e comidinhas gostosas.

Encontro no Centro para rever  amigas (as lindas Vanessa, Lin e Fernanda Reali) e conhecer novas (Josiana e Clara Miranda), trocar carinhos, conversa boa e presentes, mesmo de quem não está presente pessoalmente, mas no coração, né Elis? (Cadê você? saudade grande sua)
Baton e boneca de fuxico que a Elis mandou pra mim!

bloco lindo feito pela LolaSPFC  e canetas que ganhei no sorteio no blog da Fernanda Reali

Presente fofo que a JosianaJo me deu!

Tudo isso são momentos de felicidade para serem curtidos, relembrados e compartilhados. 

Por que, para mim, felicidade é isso e um pouco mais! É viver a vida, com a certeza de que ela é bonita! É bonita! É bonita! Mesmo que de vez em quando, ela apareça sem maquiagem, descabelada e sem unhas feitas.

Toda 6ª é dia de Pequenas Felicidades no blog Botõezinhos

5 de nov de 2011

Poliana em Tempos de Crise


Cenas de um Divórcio
 Caiu a Ficha! - Última parte - por que ninguém está mais agüentando essa novela.


A ficha caiu no sábado depois de assinar os papeis do divórcio. Minha primeira providência após assinar a papelada, foi comprar uma cama nova. Fim do casamento e fim da era das camas infláveis! E, é claro, os amigos chegariam a noite, para comemorar minha solterice, disseram eles, (pra não me deixar sozinha, sabia eu, por que agora que a separação era definitiva, incluindo legalmente, tudo parecia estranhamente vazio) 

Havia marcado de sair com o pessoal, mas precisava deixar Betânia com alguém. Logicamente, pensei em Adalto, além de ser o pai, morava no mesmo prédio. - Ah, isso ainda não contei, meu querido, agora ex-marido, alugara um apartamento no mesmo prédio onde eu morava. Dissera que era pra não se distanciar das meninas, eu achava que era provocação... 
Logo cedo, bati na porta dele, para perguntar se poderia ficar com ela. Quem atendeu a porta foi uma adolescente. Tá! Tá! Não tão adolescente assim, uns dois ou três anos mais velha do que a filha mais velha dele!!!
Era uma guria de cabelos loiros, trajando uma camiseta (por coincidência, uma que eu havia dado para ele, de presente de casamento).
- Oi.
- Você é a faxineira? - eu não podia deixar de alfinetar.
- Não, tia. - Se a gente matar um garota que tem tudo no lugar e chama a gente de tia, pode ser considerado legítima defesa?
- Então você é a...?
- A senhora quer falar com ele? - Eu odiava muito aquela garota. Muito mesmo!
- Ele está? - Autocontrole. Muito autocontrole.
- Não. Foi na padaria, acho. Quer deixar recado?
- Não. - virei as costas, dei uns dois passos, pensei e depois voltei. - Aliás, quero sim. Diz que a esposa dele esteve aqui. - tecnicamente, ainda era a esposa, oras.
Sim, ser cruel é uma arte. E a sensação é maravilhosa. Principalmente ao ver a fedelha ficar branca que nem papel e engolir em seco. Vingança feita dei as costas e fui embora.

Em casa, claro, caí no choro. A ficha finalmente tinha caído. E eu percebia que estava sozinha com duas filhas para criar, que a gravidade tinha sido implacável com meu corpo, as gorduras localizadas, as rugas, os cabelos brancos e que eu tinha mais de trinta anos e que meu casamento tinha fracassado.

Somente agora percebia o vazio do apartamento. A imensidão da cama. Sentia uma dor tão intensa que parecia corroer tudo em mim.

Despertei da sessão de autopiedade ao ver o olhar assustado de Betânia. Resolvi que não podia fazer isso com ela, então tomei um banho, vesti uma roupa e decidi por deixá-la com a minha mãe.

Essa logo percebeu que algo não estava bem. Mas, pela primeira vez, ficou quieta, enquanto eu explicava que pegaria a menina no dia seguinte. Na porta, abraçou-me e disse baixinho, que tudo voltaria aos eixos.

Fui embora chorando. Uma cena ridícula, as lágrimas escorrendo e eu tentando disfarçar. Todo mundo no ônibus olhando para a minha cara. A senhora ao meu lado, me deu um papel da Assembléia de Deus e começou uma conversa de Cristo salva ou coisa parecida. Agradeci, mas resolvi fazer o resto do trajeto a pé.

Chorei tanto, que adormeci. Acordei com a campainha tocando estridentemente, o apartamento todo as escuras. Mal conseguia abrir os olhos de tão inchados, minha cabeça estourando.

Abri a porta e milhares de pontos de luz explodiram em minhas retinas. Ronaldo e Marlene com o dedo grudado na campainha.

- Hei, o que houve? Estávamos quase chamando os bombeiros...
- Você ainda não está pronta?
- Eu não vou...
Marlene acendeu a luz. Eu ainda tentei virar o rosto para que eles não vissem meu estado. Tarde demais...
- Você andou chorando?
Foi o que bastou. As lágrimas voltaram com força total. E eu que achava que não haviam mais.
- O Adalto está com outra! - Pelo menos foi o que tentei dizer, afinal, falar e chorar é uma tarefa extremamente complicada. - Uma fedelha loira e gostosona!
- Gostosona você disse? - Ronaldo perguntou.
- Cala boca! Não ta vendo que ela está arrasada! - Fui gentilmente empurrada até o sofá mais próximo, enquanto murmurava frase desconexas e de autocomiseração.
- Roni, liga para Wanda e fala que nós não vamos, explica o que houve.
Meia hora depois, Wanda chegou. Esbaforida e com uma garrafa de vinho.
- O que aconteceu, minha gente?
- Eu sou uma fracassada! Uma velha frustrada e fracassada! Meu marido me traiu com uma vagabunda de vinte anos! Ainda por cima loira!
- Ixi, que a coisa é séria!

Eles podiam ter me deixado ali. Podiam também ter ficado comigo e enchido o pote de vinho. Mas, não eram disso. Por isso, passado uma hora de lamentações e lamúrias, recebi um esporro fenomenal de Wanda e Ronaldo, enquanto Marlene me enfiou no chuveiro e me fez trocar de roupa. Acabei sendo arrastada para uma noitada. Minha primeira noite de nova solteira.
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NOVIDADE:  Poliana agora tem blog próprio e se você chegou agora e quer acompanhar a trajetória dessa heroína desde o inicio é só clicar em Poliana em Tempos de Crise e se divertir!

2 de nov de 2011

Carinho pelo Correio

Coisa boa é ouvir o carteiro gritar seu nome e melhor ainda é receber uma caixa cheia de carinho e cuidado!

Mês passado participei do projeto de blogagem coletiva Há Amor Em Mim - promovido pela querida Elaine Gaspareto  e como ela adora dar presentes, foi realizado um sorteio entre os participantes, e eu ganhei! Alias, vai lá e vê no vídeo quem me deu sorte - doida pra dar um beijo nessas mãozinhas fofas! rs

E o prêmio era uma presentaço, uma BioJóia feita pela artista Bia Jubiart
Na foto o detalhe da pulseira feita com sementes de Jatobá e penduricalhos banhado em prata, a Bia explica aqui com mais detalhes:

Criei um conjunto especialmente para o evento: Semente de jatobá natural, com metalúrgica banho prata (dando um ar mais fashion e contrastante), suas seguidoras merecem! Quando for enviado, vai com uma ficha técnica em papel reciclado e com orientação para conservação da semente.


E as peças vieram todas embaladas em saquinhos reciclados, com bilhetinhos fofos escritos a mão pela artista! Coisa linda de viver!

Além do conjunto de pulseira e brincos, vieram dois marcadores de livro lindos demais! Um de renda de bilro colorido, que é a coisa mais delicada do mundo! Outro com sementes de açaí e coco tingido - também de uma lindeza, que só vendo! 

Além disso vieram dois fatiados naturais de babaçu, que já estou aqui maquinando como aproveitá-los para fazer um cordão, usando meus tecidos também! E um saquinho cheio de sementes de açaí lixadas que só não sei se uso para fazer uns móbiles com bichinhos nacionais ou se guardo e faço um cordão pra mim... Aceito sugestões! 

Eu só tenho a agradecer a Elaine Gaspareto que além de me permitir participar e me emocionar nesta festa de aniversário do Blog Um Pouco de Mim, também me proporcionou a chance de conhecer (e me apaixonar) pelas criações da Bia.

E a Bia Jubiart, agradeço pelas lindezas recebidas e pelo carinho! E eu se fosse você, corria lá pra conhecer as outras criações da artista, por que é cada biojóia mais linda do que a outra!

31 de out de 2011

Vampiros - O Final

Alexander
Ele a vê através do vidro da janela. Madalena está sentada na beira da cama. Tem o olhar perdido. O corpo imóvel. De vez em quando, um tremor percorre-lhe o corpo. Parece tão frágil e desamparada.
- Vim buscar Madalena. - diz para o guarda.
- Foi você que pagou a fiança? - 
Ele afirma com a cabeça.
Madalena o fita, mas Alex não consegue enxergar o brilho de reconhecimento em seus olhos. Estão opacos e vazios. Sente que chegou tarde demais. Puxa-a pelas mãos, ela não oferece resistência, apenas segue em silêncio.
Eles agora estão no atelier dela. Um sentado frente ao outro. Ainda não emitiu um som sequer.
- Madalena... - ele a chama. - por favor, fale comigo...
Ela estremece. Até mesmo levanta os olhos em sua direção, mas depois volta à mesma expressão sem vida de antes. O olhar perdido em algum ponto distante.
Ajoelha aos pés dela. Encostando a cabeça em seu colo. Tão bela. Acaricia seu rosto e cabelos que caem em sua face delicada.
 - Desculpe-me... Desculpe-me... - chora. Uma culpa profunda em seu coração. ­ se eu pudesse voltar ao passado... você não sabe o quanto eu me arrependo... ainda lembro de quando te conheci. Não parecia ter mais de quinze anos. Estava vagando pelas ruas. Alguma coisa em você me chamou a atenção, não sei explicar.
Senti que você também era uma criatura amaldiçoada, os condenados a mais profunda solidão e às trevas... você estava confusa e eu a trouxe para mim. Eu a amei tanto, como eu não sabia ser capaz de amar. Você era como eu, embora humana. Eu não conseguia entender... então chegou aos meus ouvidos a estória de uma menina, por quem um ancestral se apaixonara, um demônio tão poderoso, quanto milenar, um vampiro como eu, mas mais forte que qualquer um de nossa raça. Ele havia se apegado a uma mortal e a colocado sob a sua proteção. Um dia ela fugira... eu soube na hora que a menina era você e que quando ele soubesse de seu paradeiro, a roubaria de mim. Mas não iria permitir... eu não podia... então fugi com você para o Brasil e te deixei na casa de um casal de mortais. Apaguei todas as suas lembranças e passado... construí em sua mente frágil de mortal uma estória de menina feliz, filha de amorosos pais.
- Mas ele descobriu tudo e com a ajuda do criado, matou seus falsos pais. Eu estava lá e vi quando ele revelou sua verdadeira face para você, criança, uma face de dor e loucura... eu entrei na sala, disposto a intervir... consegui matar o empregado dele... queria te proteger. Tirar você dali a qualquer custo... mas ele era mais forte do que eu...por uns instantes, achei que ele fosse me matar... mas ele não fez isso. Apenas gargalhou. Ainda sonho com aquele riso horroroso... ele apenas gargalhou e disse que não te levaria naquele momento, que eu poderia ter você, mas que um dia ele voltaria e tiraria sua alma.
Por uns momentos Alex revive o passado, a voz do demônio ecoando pela sala: “Ela é como eu... um dia você verá a besta surgir dentro dela... ela vai com você agora, mas irá voltar para mim. Por que ela é minha! Minha! Pobre idiota!!!”
Então ele sumira, deixando Alex sozinho ao lado de três cadáveres e uma menina em choque. O dia amanhecia e ele partira, o sol era seu pior inimigo, deixando para trás um legado de dor e lágrimas para a mulher que amava.
- Você não foi a julgamento por ser menor de idade e eu consegui abafar as investigações pagando propina para policiais, advogados e juízes. No final o pobre infeliz do serviçal levou a culpa do crime e tudo ficou por isso mesmo. Levei-te de volta para os Estados Unidos, sabendo que o germe da loucura crescia em suas entranhas, e eu nada podia fazer! Um dia, você quis voltar, eu sabia que era o demônio que te chamava, e minha covardia impediu-me de reclamar-te para mim. Deixei que retornasse, mesmo sabendo que te perderia...
- Já não me ouves mais... vejo em teus olhos que a fera já possui tua alma, mas eu ficarei ao teu lado, ao teu lado minha amada, até a eternidade nos reclamar...
Ele pára de falar. Cansado e abatido. Lágrimas escorrem em seu rosto, sangue. Madalena o fita. Um brilho no fundo dos olhos. Passa a mão sobre os cabelos do homem ajoelhado aos seus pés. Alguma coisa se rompe em definitivo em sua alma. O mundo torna-se distante. A dor penetra por todos os poros. Ela vê o demônio estendendo-lhe os braços no fim do corredor. Ela caminha em sua direção...

Capítulo V
Noites no Abismo
Doutor Pedro
O doutor passa a mão pelo rosto. Madalena, ou melhor, Eleanora, uma jovem artista, linda. Enlouquecera após o assassinato dos pais... se fosse simples assim. Ainda se lembra do caso. Ninguém nunca fora capaz de explicar como matara a mulher e o jovem, tampouco a ausência do sangue nos corpos das vítimas. A última pessoa a ouvir sua voz fora o delegado. Segundo ele, ela confessará os crimes e se calara, para sempre... 

Mas havia coisas que ele não consegue entender, ou melhor, não quer entender, sua sanidade assim exigia: O vulto no quarto de Madalena, isso ele não quer entender. A sombra que surge todo o entardecer e passa a noite ao lado dela... ou as crises que às vezes ela tem, quando  presas extremamente pontiagudas crescem na lateral de sua boca. Ou o fato dela continuar tão bela e jovem como quando chegara ali, o tempo não a atingindo... Em breve ele irá se aposentar... não vale a pena tentar conhecer o que não quer ser conhecido, o melhor é fingir que não existem, mesmo sabendo que ele estão lá, às vezes do nosso lado.

30 de out de 2011

Vampiros - Capítulo IV


O delegado olha a mulher a sua frente. Uma dessas grã-finas da zona sul. Cabelos louros, olhos claros. Uma dor de cabeça se insinua. Pega o copo de café e oferece. Ela recusa.
Madalena está nervosa. Abraça a bolsa fortemente ao corpo. O delegado a olha, ela lembra alguém...
- Então, você sabe quem é o assassino misterioso? - pergunta o delegado. Bebendo um gole de café.
- Sim.
- E quem é? - mais uma maluca, pensa. É a décima que diz saber. Outros já vieram, dizendo serem o assassino. Até um que dizia ser um vampiro. Teve também o profeta, falando do sinal dos tempos...
- É o mesmo homem que assassinou meus pais.
Uma faísca de interesse. Talvez ela não seja maluca. Talvez ela saiba realmente de alguma coisa...
- Seus pais foram assassinados?
- Há cinco anos.
- Seu nome é Madalena? - pergunta conferindo a ficha que lhe passaram.
- Não é meu nome verdadeiro, eu me chamo Eleanora. Troquei de nome quando sai do país. Eleanora do Amaral Mesquita.
O delegado para um minuto. Amaral Mesquita? Conhece o nome... lembra-se de alguma coisa, estava começando quando acontecera o assassinato... fora um caso comentado.
- Moça, como sabe que o assassino é o mesmo dos seus pais? - alguma coisa não estava se encaixando, precisa pedir ao assistente a ficha do caso Mesquita.
 - Eu o vi. - Madalena sabe que precisa se controlar agora. Se desabar, o homem a tomaria por maluca e não acreditaria nela. Respira fundo, pensa no que vai dizer. – Eu o vi matando aquelas pessoas.
- Você viu? - o delegado está surpreso - as duas?
- Sim.
- E como ele as matou? - seu tom de voz soa irônico. É uma pena, parecia ser uma possível pista. Por que ele ainda achava que a conhecia?
- Ele as sugou, como um vampiro... - sabe o quanto soou ridícula aquela afirmação. Fita o delegado, percebe a sobrancelha se arqueando.  - eu sei que parece loucura o que estou dizendo, mas é a verdade. Eu o vejo, por que estou dentro dele. Eu sinto o prazer dele quando os mata...
O delegado está riscando algo no papel. Não acreditara nela. Ninguém acreditaria.
- Desculpe tomar o seu tempo... – Madalena se levanta, pronta para partir.
Ele a olha. Alguma coisa que ele não sabe explicar o faz detê-la.
Ele as mutilou, não foi? – não sabe porque faz aquela pergunta, mas uma hipótese começa a se formar em sua mente.
- Não... ele não os mutilou, ele sugou o sangue deles, mordendo o pescoço da mulher e o antebraço do rapaz.
O delegado arfa, ansioso. Alguma coisa, alguma coisa realmente não se encaixava. Fora uma pergunta capciosa, e o tipo da informação que ela dera, só a policia e os legistas sabiam.
Você se incomoda de sentar-se novamente? E, pode me dar um minuto?
Madalena sente a mudança no comportamento do homem. Ansioso demais, condescendente demais... mesmo assim, senta-se e espera.
Ele volta, algum tempo depois. Traz uma caixa. Tem o rosto modificado. Uma estranha excitação o consome. Senta-se na mesa e olha a mulher a sua frente.
- Eleanora, não é? Ou prefere Madalena?
- Tanto faz.
- Você disse que o homem que matou a mulher e o garoto é o mesmo que assassinou seus pais? Não foi isso?
- Sim, foi o que falei.
- Importa-se de me contar como seus pais morreram? Faz muito tempo, e não me lembro direito. Além do mais, - aponta para a caixa. - meus arquivos estão bastante bagunçados.
Ela sabe que há algo errado. Não sabe dizer o que é. Sente-se testada.
- Esse homem entrou em minha casa e matou meus pais. Eu estava no quarto, ouvi gritos. Quando cheguei na sala, minha mãe e meu pai estavam mortos.
Ele estava sobre meu pai, terminando de matá-lo, eu acho... - sua voz se embarga ao relembra a cena. - então, eu comecei a gritar e a gritar... sinto muito, mas eu só lembro até ai. - enxuga as lágrimas com as costas da mão. - mas eu vi aquele rosto, eu nunca poderia esquecê-lo. Nunca...
- E esse homem agora voltou e matou duas pessoas?
- Eu o vi! Eu sei que é ele. - as lágrimas escorrem agora em profusão pelo seu rosto e ela não se preocupa mais em secá-las.
O delegado joga uma foto em sua direção. Uma foto de um homem branco, de olhos e cabelos castanhos. Um desconhecido...
- É esse o homem de que você fala?
Ela nega com a cabeça. Nervosa demais para emitir sons.
- Como não reconhece? Foi ele que matou seus pais, Madalena ou Eleonora... foi esse o homem. O nome dele é Jacó e está morto. Morto! E sabe como?
Ela nega com a cabeça. As palavras dele ecoando em sua mente.
- Assassinado. Foi assassinado por uma menina. Uma adolescente de quinze anos. - ele a olha fixamente. - você! Sabe, depois que você viu seu pai e sua mãe mortos, você foi até ele e o matou... você não lembra? Este homem morreu há cinco anos atrás, por suas próprias mãos...
- Não foi ele... não é a mesma pessoa...
- É claro que é, Madalena. As impressões digitais dele estavam por toda parte. E quando a policia entrou na casa, você chorava em um canto, suas mãos cheias de sangue e três cadáveres no cômodo. - ele suspira. E puxa um desenho de dentro de uma pasta. Um rosto de mulher. - reconhece?
Seu coração agora está preste a explodir. Segura o desenho com as mãos trêmulas. Olha o desenho, sem conseguir entender. Ali estava o seu retrato, mal desenhado. Tosco e um pouco impreciso, mas não têm como ter duvidas, é ela...
- O que significa isso? - sussurra.
- É o retrato falado do assassino da mulher e do jovem. Demorei a reconhecer você quando chegou aqui. O desenho não faz jus a sua beleza. Alguém te viu, Madalena...
- Você está achando que eu sou a assassina daquelas pessoas!? Não! Eu não as matei, foi ele... foi ele! Eu vi!
O delegado acende um cigarro. Quase sente pena. Uma maluca. Tinha uma história triste como pano de fundo, mas nada que justificasse o assassinato de pessoas inocentes.
A mulher se encolhe sobre a cadeira. Seu corpo tremendo compulsivamente. Não consegue encarar o delegado. Sua mente é um turbilhão de imagens distorcidas. Vê o homem, mas agora é ela que se debruça sobre a mulher, então é o homem de novo. Imagens passam como um flash. Vê a si mesma gritando, enquanto o homem mata seus pais diante de seus olhos.
- Você tem algum parente no Brasil? - o delegado interrompe sua aflição.
- Não... - sua voz ecoa distante.
- E nos Estados Unidos? Foi para lá que você foi, não é?
-Alex... Alexander Johnson.
- Ele tem telefone?
- Eu não matei essas pessoas... você precisa acreditar em mim...
Por uns instantes ele gostaria de acreditar. Mas não tem dúvidas. Ela matara aquelas pessoas. Tem um retrato falado, e uma quase confissão.
- Gostaria de acreditar. - está sendo sincero quando fala. - mas não posso... você viu o retrato, além do mais, somente o assassino e o legista poderiam dizer com tanta precisão sobre as perfurações das vítimas...
Ela o olha em silêncio. Seus olhos distantes e confusos. As lágrimas escorrendo na face. Abre a bolsa e entrega-lhe a agenda.
- Aqui tem o telefone de Alex.
O delegado pega, também em silêncio e a deixa só na sala.