19 de mai de 2014

Nós que Nos Odiamos Tanto

Você sente que está vivendo numa sociedade estranha quando a frase que mais lê/ouve no seu dia-a-dia é "Eu Odeio..." complete com qualquer coisa, afinal, parece que a moda agora é odiar. A tudo, a todos, indiscriminadamente.

Tudo que te cerca parece repleto desse sentimento, que na minha hierarquia, ocupa um lugar destinado a poucos, muito poucos, na verdade, escrevendo esse post acabo de perceber que não odeio nada, nem a ninguém. Sou eu a estranha e é melhor começar a arrumar as malas pra ir pra Nave Mãe, ou a banalização de um sentimento tão pesado é uma constante?

Fui criada aprendendo que amar é mais bonito e faz melhor ao corpo e alma do que o ódio. Sempre aprendi que o ódio pode matar. A quem odeia e a quem é o odiado.

Quem odeia ter seu carro fechado num cruzamento, pode se sentir no direito de sair e simplesmente disparar vários tiros na direção do carro que o fechou. O adolescente que odeia ser tachado de qualquer coisa no colégio, pode achar que nada mais natural que juntar outros que odeiam como ele e espancarem outro adolescente até a morte... O jovem que odeia os diferentes, seja de etnia, time, religião ou sexual, pode acreditar que seu ódio justifique um linchamento daquele que se odeia... 
E poderia aqui continuar ad infinitum com todos as consequências do que o odiar banalizado pode fazer.

Na tv assisto em realitys, participantes simularem tiros em seus adversários do jogo. Na internet leio frases e posts insistindo que o certo é ser o errado, e que ser certo é chato. E sou odiada ao questionar isso...

E dai, tem meu filho, que tem seis anos e está apreendendo esse mundão de Deus, e dai tenho medo. De verdade, porque eu não quero ensinar meu filho a odiar. Não quero que ele cresça achando que ser bom é démodé, ou entediante... Mas, também não quero que ele seja vítima de uma sociedade que odeia demais. 

Querer mais amor e solidariedade é pedir demais? Menos ódio e mais tolerância é piegas? Pois que seja! Vou assumir aqui que sou entediante e piegas, mas mesmo sendo uma voz minoritária, tenho certeza de que pode ecoar pelo menos um pouco e quem sabe, assim como a moda muda, mude também essa sintonia do ódio e entremos todos na sinfonia do amor.

(texto escrito e publicado em 2012 e infelizmente continua mais atual que nunca)

3 comentários:

Renata disse...

Oi Patrícia!

Muito interessante o que você escreveu. Parei para pensar e também cheguei a conclusão de que não odeio nada! Tá tem umas coisas que "não gosto", "não suporto", mas odiar...não vejo motivo para tal.
Acho que hoje em dia as pessoas muitas vezes falam as coisas sem pensarem realmente no que estão dizendo, vão apenas repetindo o que vêem por aí. Entendo a sua preocupação com seu filho, que mundo é esse que estamos deixando para eles...

Beijos, Renata
palpitandoemtudo

António Jesus Batalha disse...

Passei e encontrei o seu blog, estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes,
mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu.
Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante,
deixe um comentário, e se desejar fazer parte de meus amigos virtuais, esteja à vontade, irei retribuir.
Mas por favor não se sinta coagido, siga apenas se desejar. Abraço.
António.
http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Patrícia
Realmente, parece que o mundo tá de cabeça pra baixo mas os verdadeiros valores não podem ser deixados de lado... nunca!!!
Bjm fraterno de paz e bem