1 de fev de 2011

Ninguém segura!


Passeio de domingo após o pagamento era a quinta da Boa Vista. A família toda ia, incluindo ai, filhos, netos, parentes próximos e vizinhos. Íamos de Kombi ou furgão verde, o transporte oficial. 

Os preparativos começavam no dia anterior, assar o frango, fazer a farofa, cozinhar os legumes, para acrescentar a maionese no dia seguinte para não estragar. Além dos sanduíches, refrescos e águas colocados no congelador para que estivessem no ponto no dia seguinte.

Isso eram os adultos, nós, as crianças, ficávamos rondando pernas e mesas, excitadas demais para dormir, ainda muito pequenos para ajudar. A festa se encerrava com a bronca do avô ou de uma das mães e lá íamos nós, para um sono forçado, antecipando o passeio tão aguardado todos os meses.

Ainda sonolentos éramos encaminhados para o carro da família, e era o som do motor que nós despertava e trazia de volta a excitação do dia anterior. Cantávamos, brigávamos, brincávamos até chegar a Quinta.
Lá éramos libertos e toda energia contida era destinada a subir e descer montes rolando, brincar de pique tá, pique alto e tudo que envolvesse pernas para que te quero.

Até os gritos de: Crianças, venham almoçar! E lá íamos nós, atrás da comida, já disposta na toalha sobre o gramado.

Num desses dias de farra ao extremo, no corre-corre daqui e acolá, alguém, foge completamente a memória o autor do feito, tropeçou na toalha estendida sobre a grama e num puxão involuntário, fez o frango, mal equilibrado na travessa, rolar.

Daí, foi jogo de futebol, o povo correndo atrás do frango, que se desvencilhava de pernas e braços e rolava disparado, barranco abaixo.

E era uma confusão de vozes gritando: Segura o frango! E a danada da ave, que parecia estar viva, seguia quicando sobre toalhas de outras famílias que no impulso do jogo, juntavam-se à perseguição.

O destino do frango, que por uns momentos ansiou pela liberdade, foi cruel. Embora não deixasse que mãos ou pés desesperados interrompessem sua inusitada trajetória, encerrou sua triste sina debaixo das rodas da bicicleta, de um ciclista distraído, que não ouviu os apelos familiares que gritavam a plenos pulmões: - Segura esse frango!

14 comentários:

Dona Amélia disse...

ôoo delícia esse texto, Pat!!
Me fez lembrar de quando fazíamos o mesmo, só que a caminho do Rio São francisco, lá pras bandas de Pirapora/MG.. Ô tempo bão, que mano caçula abria o berrero toda vez que gritávamos que tinha uma carranca correndo atrás dele. kkkkkkkk

Obrigada, linda!!
Xerinhos
paty

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

eu adorei esse texto, me lembrei de qdo era criança e a família se juntava toda pra ir pra chácara, ou praia...era bom demais.

Mas fiquei com dó do frango... tadinho...atropelado!

Cintia Branco disse...

Patrícia,

Que gostoso ler esse texto, coisas boas da infância, ri até não poder mais desse frango fujão, adorei!
Beijos

Giuliana: disse...

Paty,

Texto gostoso que nos faz relembrar tantas coisas da infância. Bate uma saudade, chega a dar um aperto no coração. =]

Fiquei imaginando a cena do frango, só não dei risada porque aqui no trabalho não entenderiam..haha

Beijos

Lola disse...

Já tô vendo o frango rolando pela estrada e o povo todo correndo atrás...não tá fácil mesmo pra ninguém né?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Adorei Pati!

Bjs

disse...

E aposto que enquanto todo mundo estava preocupado com o que iam comer no almoço, vocês crianças só acharam a melhor coisa do mundo correr atrás do frango.

hehehe

Beijos!

Kelly disse...

Que legal, passou um filminho na minha cabeça, adorei, beijos

Adriana disse...

Me fez lembrar a minha infância, dos passeios que faziamos!! Quanta lembrança esse "causo" me trouxe!!! Tão bom lembrar os velhos e bons tempos!!!
Adorei!!!
Beijos
Adriana Balreira

Renata C., UMA ESPOSA EXPATRIADA disse...

Para um texto tao simples, e Tao delicioso qto o frango com farofa... O que eu poderia dizer? Palmas e palmas! Feliz Ano Novo Vhines?

Afrodite disse...

Teus post me fez lembrar minhas idas a Quinta,qd morava em São Cristóvão...quanta saudade!
BeijO!

.Intense. disse...

Adorei. Me fez rir deliciosamente.


:D

Nika disse...

Adorei o texto, ri do frango..rsrsrs Que delícia lembrar dessa época, minha familia é menor mas tinhamos esses momentos tbm..que delicia era ser criança...ficavamos tão ansiosos e nos divertiamos tanto ...
bjs

Matheus Farizatto disse...

Oloko! Esse frango poderia ter MATADO o ciclista!

Vocês sabem disso, né?

Hehehe

Rita Vieira disse...

Obrigada, Tia Paty!

Adorei seu comentário lá no blog!
Chá de fraldas virtual?!? kkkk

Não consigo imaginar como! Hehehe...

Mas você fará um bichinho de pano lindo pro meu filhote, depois de saber o sexo, nós acertaremos tudo.

Beijoca!