6 de jul de 2010

O Primeiro Bullying a Gente Nunca Esquece: (blogagem coletiva)

Antes de mais nada, preciso dizer que eu detesto matemática. Na verdade, eu não consigo entender matemática, consigo me virar o suficiente para não ser enganada no troco e nem enganar ninguém na mesma situação.

Para vocês verem o nível da minha relação complicada com matermática, no meu primeiro vestibular, embora tenha tirada notas fantásticas em física, química e biologia, zerei matemática! E alguns concursos públicos feitos ao longo da vida, também tiveram essa característica, a matemática me detonou.

O meu problema com matemática é resultado direto de um trauma vivido na infância e que, apesar de ter feito terapia durante anos, não consegui, ainda resolver de maneira adequada.

Mas, o que tem a ver matemática com bullying? Nada. Ou melhor, para a maioria das pessoas, nada, mas para mim, matemática e bullying vão andar a vida toda de mãos dadas. Explico:

O meu primeiro bulliyng se deu na década de 70, quando eu tinha entre 8 e 9 anos e, embora eu fosse uma criança esquálida e portadora de óculos, não foram meus amigos da escola que me deram esse prazer, mas sim um professora, da qual o nome desapareceu da minha mente, desde então, mas sou capaz de fechar os olhos e lembrar com detalhes da sua fisionomia fechada, quase raivosa.  E, é claro, ela era professora de matemática.

Lembro também dos seus gritos, que eram altos e constantes, principalmente quando se destinavam aos alunos “esquisitos”  - ah, para esses, e eu me incluía nesse rol, ela dedicava os melhores berros, ao pé-do-ouvido, e as ofensas mais contundentes: não tinha uma aula que ela não dissesse que eu nunca seria nada na vida. Ou que gritando, mandasse toda a turma olhar aquela idiota que não conseguia entender aquele exercício tão simples. De vez em quando, eu escapava e era outro o alvo dessa selvageria.

E ela tinha uma régua, grande, de plástico duro, com a qual ela costumava bater em nossas carteiras, fazendo um estrondo e assustando todo mundo. Daí teve um dia, onde ela estava particularmente pior, que ela usou a régua, não para bater em minha carteira, mas na parte detrás da minha cabeça, o susto com a situação, fez com que eu quicasse a cabeça na carteira e abri um pequeno talho na testa.  E ela riu, e ainda, autorizou a turma a rir junto com ela.

Eu nunca tinha falado dessa mulher para minha mãe. Afinal de contar, ela era a minha professora, e na década de 70, professores eram semideuses aos olhos dos alunos e de muitos pais.  Como explicar que a professora estava me agredindo?

Fiz o que a maioria das vítimas de bullying fazem, calei tudo. Mas, aconteceu comigo o que acontece com a maioria das vítimas desse crime, fiquei retraída, não queria ir pro colégio no dia em que teria aula de matemática, chegava a ter febre nesses dias! E, claro, minhas notas despencaram. E eu que sempre tinha sido uma excelente aluna, estava para ser reprovada.

E, foi graças a esse sintoma, que minha mãe, quis entender o que estava acontecendo e fez o que todas as mães deveriam fazer ao se depararem com um quadro assim: veio conversar, por mais que achasse que eu nunca iria conseguir falar, contei tudo. De todas as coisas que aquela mulher me xingara, dos gritos e principalmente, que ela tinha me batido.

Minha mãe que era uma pessoa extremamente ocupada – trabalhava e estudava direto, passou os próximos dias depois da minha confissão, com um único objetivo, tirar a professora do colégio. E, ela conseguiu, pois apesar de ser um colégio público, onde professores problemáticos acabam nas secretárias administrativas, com essa mulher não aconteceu isso. Não sei ao certo o que aconteceu com ela, sei que nunca mais apareceu por lá. E eu ganhei outra professora de matemática. Não boa o suficiente para tirar o trauma que anterior me causara, infelizmente.

Quis contar essa experiência por que, a grande maioria das vezes que se fala em bullying, vem logo na mente um grupo de crianças marrentas cercando o gordinho da escola, ou um grupo de adolescentes idiotas, cercando o nerd do colégio.

Mas, é importante destacar que o bullying, não se dá apenas de uma maneira, e principalmente que existem vários tipos  e que nem sempre é fácil reconhecer que se está sendo vítima de uma agressão, seja ela verbal ou física.

Por que embora o termo bullying seja uma novidade aqui nessas terras tropicais, a agressividade que o caracteriza, esse vem de longe,  muito antes da gente entender o que é.

E agradeço a iniciativa da Vanessa ao fomentar essa discussão, por que a verdade é que, o bullying sempre vai existir, a menos que a gente não se cale mais, e denuncie sempre! Seja você a vítima ou a testemunha de um.

No Blog Mãe é Tudo Igual - da Vanessa, a lista de links de outros blogueiros que também falaram sobre o tema.

8 comentários:

Tays Rocha disse...

Triste, comovente e revoltante sua história, você saber que limitou algo em sua vida por conta da postura cruel de alguém. Escrevi na minha blogagem sobre isso, saber identificar o bullying e como prevenir e tratar o problema. São traumas gerados que dificilmente conseguimos recuperar depois. Obrigada por compartilhar amiga e não se ache ou permita que alguém ache que você é incapaz em nada na vida, se quisermos, podemos tudo ;o)
Beijos de bom dia

Vanessa disse...

Patricia, fico muito feliz que vc tenha resolvido escrever depois de ler os posts da blogagem, isso quer dizer que a iniciativa deu resultado, despertou a vontade de debater. E depois de ler sua história lembrei que tb passei com isso.Escreverei ainda hoje sobre minha professora de desenho :-).

beijo

pensandoemfamilia disse...

Olá
Só hoje estou conhecendo seu post e seu blog
lamentável o ocorrido com vc. Estas coletivas são bem importantes pois não só ampliamos a visão sobre as temáticas, mas também conhecemos um pouco das pessoas que compõem a blogosfera.
bjs.

Fernanda Reali disse...

Adorei e vou retuitar. Que bom que tu tinhas um mãe atenta e corajosa para te defender, senão tua auto-estima teria sido muito mais ferida.

Eu tenho medo que isso aconteça com meus filhos, pois minha revolta vai me fazer agredir alguém. Sou sempre calma, mas quando explodo, fico num dia de fúria.
Bjs

Sandra disse...

OLA!
ESTAMOS NESTA LUTA.
QUEM SABE VOCÊ VEM COMIGO CONTRIBUIR TAMBÉM
O DEBATE CONTINUA.
Estou participando da coletiva.
Pois ele tem suas diversas manifestações, que precisam ser observadas.
Algumas atitudes e comportamentos são comuns de um estudante vítima de bullying.
Venha ver as demais no meu blog interação de amigos.
http://sandrarandrade7.blogspot.com

Vamos todos lutar por esta causa.Vamos dizer não.Temos que lutarmos contra o tempo. Muitas coisas ruins já estam acontecendo.
Muitos ainda estam cegos..Outros não querem se envolver. Mas nós podemos fazer a diferença..Divulgando e lutando..
A batalha é nossa, não podemos perdê-la.
Carinhosamente,
Sandra

Thaisa Santos disse...

Eu também sempre fui uma criança esquisita e além da xacota dos meninos "marrentos", também passei por uma situação semelhante com professores. Simplesmente depois que reclamei para minha mãe da bagunça da sala, os professores ao receberem a queixa se reuniram e começaram a ironizar quando na sala. Tinha 14 anos e fui obrigada a mudar de escola porque a situçao tornou-se insuportável. Depois disso ao 15 anos um professor de física perguntou se eu sabia ler enquanto os alunos riam da minha cara. Dessa vez revidei e disse que se ela estava me chamando de burra, burro era ele que estava sendo sustentado pelo dinheiro da minha mensalidade. Então que era mais burro? Quem precisava de quem? Mesmo tendo respodido na bucha o fato não foi suficiente e eu passei o resto da minha adolescência com serias dificuldades em física, embora fosse uma excelente aluna nas outras disciplinas.

Luma Rosa disse...

Sinto muito que não tenha conseguido superar! E imagino a dor que sua mãe sentiu ao imaginar que na escola você estivesse segura. Muito triste! Nestas horas me sinto uma pessoa inútil, porque não tenho palavras que possa ajudar porque nada ameniza. Também acho que um problema não deve ser alimentado e durante todos esses anos, isto repercutiu em sua cabeça, te podando ações.
Vou te contar uma coisa: eu era muito boa em matemática e muitas vezes fiquei no lugar da minha professora (a última), mas, como tudo tem um mas na vida, hoje em dia, uso a matemática somente para que não me enganem no troco. Viu, você não perdeu nada!! Beijus,

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu passei por isso tb! E com uma professora de Matemática!!!
tb peguei trauma da matéria por causa de uma professora.

Me identifiquei muito com esse post.

Vim conhecer seu blog pela Fernanda. E gostei! Logo de cara já leio este texto aqui...

vou seguir.
Bom domingo!