10 de dez de 2010

Dia de Lavar Alma

Caminho distraída pela calçada. Carros, pedestres, confusão de rostos e corpos me esbarrando. Chove e deixo-me estar ali. Pingando pelos caminhos, sem guarda-chuvas. Por que decidi que hoje é dia de lavar alma. Logo ela, tão cansada do eterno estar e ser do dia-a-dia. Deixo que descubra a poesia das gotas.

Ando incrivelmente com vontade de abraçar o universo. Sorriso bobo no espelho. Nem mesmo as rugas em torno dos olhos conseguem amenizar a estranha sensação de felicidade que por hora me invade. Sei que é breve. Em mim, há pouco espaço para alegrias, natureza noturna, circunspectamente minha face espreita indagações. Mas hoje, não. Hoje me visto de certezas e sensações.

E caminho lavada de chuva pelas avenidas cinzas da cidade. Percebo cores no asfalto. Poesias nos bêbados e mendigos do sinal. Busco balés nos passos cabisbaixos do que vão e vem. Música me acompanha. Cantarolando baixinho mantras de boa sorte. Amanheci assim. Não sei se entardeço do mesmo modo. Até lá, sigo cantando...

4 comentários:

material girl disse...

Lindo, Patrícia. Felicidade vem de dentro mesmo, não importam as cores externas, aproveite, e parabéns pela beleza do post.

Tays Rocha disse...

Adorei amiga, lindo, sensível... essa capacidade de ver a felicidade no improvável, naquilo que não é óbvio só cabe a alguns. Beijos e bom fds.

Fernanda Reali disse...

Lindo post! Adoro quando me sinto assim, leve e feliz. E gostei de te ler bem!

beijo

Ah, cadê as unhas cinza??????????ww

Sergio Martins disse...

Quando os olhos são sensíveis, veêm-se beleza até na feiúra. Adorei teu blog e estou te seguindo; caso também queira seguir-me, veja: http://asvozesdomar.blogspot.com/