20 de abr de 2009

Sobre Casamentos e Jogos

Quando escrevi sobre a Veruska, quis brincar intensificando uma busca que ouvia de amigas e lia por ai, de mulheres que cansaram de brincar e querem se casar. 

Mais eis que domingo, deparo-me com uma matéria do jornal O Globo e levei um baita susto. A matéria tratava das mulheres revertidas. Como assim? Mulheres jovens, bem sucedidas em suas carreiras e que resolvem se reverter ao islamismo em busca de...marido?

A justificativa de todas tem sempre o mesmo mote, estamos em busca de respeito, amor e dignidade. Então deixa ver se entendi, em busca desses valores, vamos nos cobrir da cabeça aos pés, nos sujeitar a poligamia, nos coibir de saídas e diversões, a sermos mutiladas, apedrejadas, perder a guarda de nossos filhos, caso o casamento não dê certo? É assim que resgatamos o que nos é de direito, regredindo em todas as conquistas que nossas bisavós, avós e mães lutaram tanto para que conseguíssemos. E tudo isso em troca de quê? De um relacionamento forjado por uma religião.

Não. Não vou entrar no mérito da religião, cada um sabe de si e sua fé. Se essas mulheres justificassem sua reversão sob a ótica religiosa, poderia ser contra, estranhar, mas nada justificaria minha contestação.

O que me choca é saber que a maioria delas está fazendo isso em busca de um marido, de dignidade e respeito !!!!

Não pode ser a roupa que uso, que justifique a falta de respeito que a sociedade insiste em ter em relação a nós mulheres. Recuso-me a acreditar que o fato de sair ou não a noite, de beber ou fumar, me transforma em um objeto consumível! Eu sou, ou melhor, nós somos livres para fazermos o que quisermos com nossas vidas e nossos corpos! Não é uma minissaia que vai me diminuir perante a ninguém, nem o que eu bebo, nem o que digo! Não somos nós que temos que mudar para sermos respeitada, e sim, devemos lutar sempre para que esse respeito exista!

E como se não bastasse, leio na Casa da Gabi, um post antigo de março, acho. Sobre um jogo, que não direi o nome porque não vou dar ibope para criminosos. Sim, é isso que acho da empresa que criou esse jogo e dos criadores do jogo e dos que jogam também, CRIMINOSOS. 

Para vocês entenderem, o objetivo do jogo é estuprar mulheres e crianças de dez anos e, caso elas engravidem, convence-las a abortarem. 

Antes que entrem aqui com o discurso de liberdade virtual, vou ser clara: sou contra todo e qualquer jogo que possa induzir ao crime, como um que ensinava a bater e intimidar o colega da escola, ou ainda um que pontuava atropelamentos de velhinhas e crianças. Para mim, isso passa do limite do sadio e divertido. E não adianta argumentos, sou intransigente e minha opinião a esse respeito NÃO IRÁ SER MUDADA!

Quanto a esse jogo que citei, soube através de matéria no Estado de São Paulo que está sendo vendido nas ruas de Sampa e em alguns sites na internet. Se está no camelo de SP, provavelmente está sendo vendido aqui no Rio. 

Que pessoas sejam irresponsáveis para conceber um jogo desse porte, que uma empresa seja irresponsável para bancar esse jogo e distribui-lo, que sites sejam irresponsáveis para divulgar e colocar em seus catálogos esse jogo, pode-se alegar a questão financeira da coisa, afinal, quem compra estimula a produção deste tipo de jogo. Mas o que dizer de quem compra? O que se espera ao jogar? Cometer um crime e escapar ileso. Ou dito em linguagem crua: sentir todo o “prazer”(?) de ser um estuprador e pedófilo,  e não ser preso! 


Quis falar desses dois casos em um único post, porque no final, são duas faces da mesma moeda. Ambos os casos tratam de violência contra a mulher. Sim, violência. Um, mais explicito, dolorosamente explicito, já que trata de estupro e agressões. O outro, mais sutil, também fala da violência, a mental, quando muitas de nós, já cansadas de tanta luta e falta de respeito, acabam, infelizmente, por retroceder e passam a acreditar que são elas, as responsáveis por tudo isso. 

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