14 de mar de 2011

In The Blue Sky

Espio saudade pela fresta. Cores iluminam vãos inexistentes de mim mesma. Quase posso ouvir tuas mãos segurando o pequeno pássaro caído do ninho. Cabeça preta e peito branco. Você disse o nome, mas se perdeu em alguns segundos após sua fala. Enebriava-me tanto em sua paleta, que o som só se faziam presente em cores. Havia o muito azul do céu, o amarelo incandescente dos girassóis, o barrento do rio que cercava. E sua voz, que me chegava em sobre tons, às vezes gris, outros numa calmaria dos tons pastéis... As tardes eram verdes e se enroscavam modorrentas em nossas pernas sobre o galho, enquanto explodíamos jabuticaba no céu da boca.

No dia em que fui embora, havia um azul embotado em seus olhos. Que me segurou as mãos e disse: - toma filha, para ajudar nas despesas. Dentro delas, duas notas de 100 reais. Tudo o que você tinha. Tudo o que eu queria, no entanto, era a fortaleza segura do seu abraço.

Eu murmurei obrigada e entrei no carro. Meus olhos agrilhoados aos seus, eram cinzas opacos.

6 comentários:

Iara disse...

Patricia, lindo, triste, mas profundamente lindo.

Ana Paula Santiago (inventandocasa.blogspot.com) disse...

Senti um aperto no peito. Triste, mas lindo!
Quando eu crescer quero escrever assim!
Pode, que eu te sigo no Bichos de pano e nunca vim aqui?
Que absurdo!!!
Raíva de mim agora!!!!!!!!!!
Mas já tô seguindo e não perco mais o caminho, nem me perco nele!!!kkkkk
Beijos Patrícia!

Jullyane disse...

Patrícia, que conto lindo, adorei!

Bjo bjo

Jurubeba disse...

Lindo conto, Paty!
Você é a fada das palavras... consegue transformar letras em mágica!
#MeEmocionou ;)

Beijos

areiasdejade disse...

Lindo,com os olhos rasos dágua!
Nely

Maraguary disse...

Eita moça... tens o dom de me fazer chorar... que lindo...