Está escrito em algum lugar que pior não pode ficar. Está escrito em algum lugar, que a dor não pode ser maior do que podemos agüentar. Se não está escrito, alguém falou. Ela grava. Repete mentalmente dúzias de vezes ao dia. Convencimento que não vem.
A tempestade não cessa. As coisas continuam a ruir. E ela que havia prometido não chorar mais em público, descobre-se em lágrimas frente ao computador. E as palavras se recusam a sair. Dias de sofrer em silêncio. Angústias cativas a doerem no peito. Expectativas do impossível. Um dia sonhara a propaganda de tevê. Quem enganara? Fingir de adulta, com batom vermelho e salto alto. E os monstros dentro do armário, podiam se enfrentar com lanternas e orações.
Os monstros agora são outros. As propagandas também. E nesses dias cinzas ela descobre que crescer fora a coisa mais idiota que fizera.

