8 de ago de 2010

Sobre Pais e Escolhas

Quando eu era pequena e tinha festa na escola por conta do dia dos pais. Enquanto todas as crianças se concentravam em montar porta-retrato de macarrão, normalmente eu era consoladas por tias muito doces, que se penalizavam com a pobre menina órfã de pai.

Um dia, minha mãe descobriu o porquê de tanta solicitude. Eu dizia pras tias que meu pai havia morrido. Na verdade, contava toda uma longa história, que culminava com a morte heróica dele. Acho que ali já exercitava minha veia de contadora de causos, que depois, viraria letras no papel.

A verdade é que meu pai não tinha morrido, se bobear está vivo até hoje. Mas, a forma que eu encontrei de lidar com a realidade de um pai que nunca me quis, foi usar a criatividade e construir um pai fictício que morria e ponto.

Dia dos pais sempre foi uma data complicada para mim.  Durante muito tempo, sofri tentando entender esse pai que nunca fora, até perceber exatamente isso, eu não precisava de um pai que me aceitasse, precisava era me aceitar, apesar desse pai. Não era culpada por separação, nem por ele não me querer. 

O ex-bbb Max Porto (oi @fernandareali) disse que o dia em que ele reencontrou o pai, não sentiu nada, nenhuma emoção, como aparecem nesses rencontros de tv. Pois eu o entendo como ninguém, quando finalmente tive acesso a esse pai, percebi que era apenas um estranho. O meu pai interno era muito melhor do que o real que me apresentaram.

E talvez por isso, sempre tive medo de cometer o mesmo erro que minha mãe, embora ela não tenha culpa nenhuma e nessa vida, sempre foi pai e mãe. Mas, eu morria de medo de dar um pai ausente pro meu filho. Um pai que o rejeitasse e mentisse para ele a vida toda. Esse era o meu medo secreto.

Até engravidar e descobrir que nem sempre pais são figuras que rejeitam. As vezes eu paro e fico olhando os dois brincando e ouço do meu pequeno a frase que é sua forma de falar sobre o pai: "ele é meu amigo e meu pai".  Eu me sinto tão feliz.

Por isso, hoje ao ver meu filho acordar e pular sobre o pai desejando Feliz Dia dos Pais, e ver o pai, tão feliz, tão encantado de vivenciar esse dia com ele. Soube finalmente que não haveria mais necessidade desse medo. Meu filho tem um pai. O melhor do mundo, a melhor pessoa que eu poderia escolher para ele.

10 comentários:

Bel disse...

Ai, Pat, como é bom a gente poder passar a escrever a nossa própria história, apesar do começo que ela teve!

Parabéns pro Marcelo e pro Dani, e pra você também!

Bjooo

Fernanda Reali disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
calma que estou com pressa disse...

oi amiga- olha o blog aí - aqui estou te conhecendo mais e mais- a tua hitória que criou par te proteger-
e agora tu tem a felicidade de ver o que é ter um pai- tão bonito estas cenas -
eu tenho um pai coruja e um marido - paizão corujão babão -
adoei tua história mais uma ve - teu blog deveria virar um livro - crônicas da Patricia daltro - hãm - adorei a ideia
tô na fila para comprar e ganhar autografo
bjs

Flavia disse...

que lindo texto!
te entendo perfeitamente, não tenho pai, o meu se separou da minha mãe qdo estava gravida e nunca estive com ele. mas tenho contato com uma tia, so!
nao me faz falta, tive um avô que foi meu pai, e o biologico pra mim não passa de um estranho...
hj estou formando minha familia, e tenho certeza que meu marido será um pai maravilhoso.
bjs e felicidades!
Flavia
http://cheiadecoisinha.blogspot.com/

Leticia disse...

Paty
Lindo o seu texto... você é uma daquelas pessoas que encontrou a resposta e superou isso tudo através da maternidade.
Seu marido deve ser um pai e tanto! Parabéns para ele e para o seu filho. E também parabéns a você pela luz que você tem.
Beijos
lelê

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu te entendo...
Meu pai foi muito ausente. Trabalhava muito. Porque trabalhar acho que era uma maneira de fugir de sua responsabilidade de pai, sobrou tudo para minha mãe. Ele nunca participava de nada. Na escola zuavam comigo, falavam q eu não tinha pai. E eu inventava tb, que meu pai "estava no Japão (isso porque meu pai nem é descendente, ele é brasileiro filho de europeu rs).

E com isso eu cresci sem querer ter filhos... tinha medo de um dia ser do jeito que meu pai foi.

O bonito é que vc e seu marido reescreram a história, seu filho não sentirá o que vc sentiu um dia.

Felicidades SEMPRE pra vcs!

Talita disse...

Eu tô sensível rs
Mas é lindo ver que você está conseguindo viver essa relação familiar tão bem!
Parabéns!

Mulher Multifacetada in disse...

Olá
Li a sua história e me emocionei, pois entendo bem o que você passou, pois embora a minha história seja um tanto diferente da sua sei o q é ter uma família diferente, do as outras pessoas tem.
Meus pais são separados e desde os 5 anos moro com meus avós, e desde pequena sempre penso que não quero meu meu filho passe pelas mesmas coisas q eu passei, acho q é o melhor q podemos fazer. Fiquei super feliz com a sua história.
bjos
Maysa

Ana Paula Santiago (inventandocasa.blogspot.com) disse...

Oi Patrícia:

Vi a supresa que seu marido preparou para vc, aliás, as duas,opost da Fernanda e o girassol. Não poderia não ler o que vc escreveu sobre ele. Que lindo ver esse amor, essa família. Meu marido tb é o melhor pai do mundo, tenho orgulho da minha escolha tb, e até ciúmes, porque os meninos são mais apegados a ele do que a mim, mas é inevitável, ele nasceu pra ser pai, é o seu melhor papel!

Parabéns por ter encontrado seu grande amor, por vivenciá-lo e valorizá-lo, por ter construído uma família linda, forte, unida e amorosa!
Beijos

Adelaide Araçai disse...

Me vi em partes de sua história, eu sou filha de alcolatra e cresci revoltada com isso, por vezes desejei não ter pai. Mas com o tempo descobr que precisamos ter um pai nem que seja para odiar. Disso depende a nossa maturidade. Hoje vejo na relação d minha filha com meu marido, a relação que eu queria ter vivido com meu pai. Mas isso tudo só foi possivel graças a falta que eu senti.

Muita Luz e paz
Abraços