29 de set de 2013

Regrinhas de Ouro

Convivência é uma arte. Felizmente não restrita a poucos. Mas, apenas aqueles que não tem disposição de aprender. Por que conviver, isto é viver com,  parte do princípio que você enxergue o outro como pessoa independente de você, com desejos, temores, gostos semelhantes ou não, aos seus. E, no entanto, e mesmo assim, vivem juntos, respeitando as diferenças.

Não que me considere uma expert no assunto, mas talvez por vir de uma família gigantesca, que nos áureos tempos, vivia quase em bando, fui criando minhas próprias regras de convivência, de maneira a não me violentar nessa convivência, nem invadir o espaço de ninguém. 

Essas regras, ais quais chamo de "Filosofia de Gaveta", por que embora, óbvias, sempre preciso me relembrar e relembrar a outros. 

A primeira delas, meu norte, quase um mantra que recito todas as vezes que sinto que vou perder a linha é:

1) Trate o outro EXATAMENTE como deseja ser tratado. Se você não gosta de ser agredido, xingado, humilhado, ou qualquer coisa similar, não faça isso com o outro. É impressionante, mesmo que a pessoa tenha predisposição de te agredir, se você agir com gentileza, você quebra o outro. Claro, que sempre tem as zebras, mas na grande maioria das vezes, a pessoa, vai te tratar com um mínimo de educação.

A segunda regra, não é a principal, mas faz uma diferença absurda nos relacionamentos:

2) Ponha-se no lugar do outro. Como assim? Primeiro aprenda a ouvir o que o outro tem a dizer. Mas, ouvir de verdade, não com ouvidos rasos. Tenha interesse no que é dito e assimile isso. Ao fazer isso, você poderá entender porque a pessoa está tão alterada, se foi um dia difícil ou uma infância difícil, o importante é compreender que todo aquele comportamento tem uma origem e se pondo no lugar dessa pessoa, poderá enxergar o porquê de tudo aquilo e a partir dai, poderá mudar o rumo da história.

Essa é uma regrinha de ouro. Vital para uma boa convivência, e fácil, fácil de, não seguindo-a, cometermos deslizes.

3) Se alguém fala mal de outra pessoa para você, 90% de chance de falar mal de você para outras pessoas. Usando essa mesma lógica, se você fala mal de alguém para um terceiro, esse terceiro achará que você também fala mal dele para outros e se achará no direito de falar mal de você também! Entendeu a corrente maldosa que se forma? 

E, tem mais, falar mal de alguém significa um "julgar" e, na maioria das vezes, condenar o "acusado", dai, entro na 4ª regra:

4) Quem é você para julgar e condenar alguém? Se eu não sou melhor ou pior do que ninguém, por que cargas d´água me arvoro como supra-sumo da sabedoria e vocifero verdades absolutas sobre o outro? 

Por fim, a regra mais complicada de todas:

5) Você não é obrigado a gostar de ninguém. Nem ninguém é obrigado a gostar de você. Familiares adquiridos por casamento entram nesta regra. Gostar é consequência das relações. Respeito é obrigação! SEMPRE e de AMBAS as partes.

24 de set de 2013

Teoria da Corda

Toda corda pode ser tensionada. Mas há que se arcar com as consequências de uma corda demasiada esticada. Uma hora, ou ela arrebenta e suas metades voltam-se para os que a tensionaram na mesma força e intensidade, ou ainda, apenas escapole de uma das mãos e, também se dirige a quem ainda a segura, na mesma força e intensidade da sua tensão. 

E corda arrebentada e/ou escapada, quando volta, machuca, magoa, até mesmo sangra aquele quem ela atinge. E mesmo quando o tempo passa e a corda volta a sua tensão natural, as marcas que ela deixou, são indeléveis.

12 de set de 2013

5 de set de 2013

Sobre Culpas no Armário


Tem gente que esconde dores. Tem gente que esconde amantes. Tem gente que esconde horrores pessoais. Tem até quem se esconda ali.

Ela escondia culpas. Imensas, ancestrais, que muitas vezes -a maioria delas - sequer lhe pertenciam. A verdade e que só conseguia ser feliz, até a pagina 2, e a noite,quando todos ressonavam tranquilos, ela se debatia na cama, presa nas teias do dia que se fora. 

Era a frase que não disse, o trabalho que não foi entregue, a esmola que não dera, ou dera, não importava, o que quer que tivesse feito, sempre teriam duas possibilidades, e a não escolhida era aquela que atormentaria seu sono... 

E seguia assim, adormecendo entre angustias,  até o dia que cansada, encarou seus monstros do armário. e um a um desnudou-os e percebeu: nada daquilo lhe pertencia. 

Pela ultima vez, abriu as portas do móvel e convidou a todos os monstros ali presentes a se retirarem. Depois dormiu. O sono tranquilo dos que não tem culpa. e ao sair para o emprego, pela ultima vez olhou o armário, agora vazio e de portas abertas, deu um sorriso, repleto de certezas e jogou as chaves no lixo. 

De agora em diante, não mais culpas gigantes que não lhe pertenciam. Apenas aquelas que lhe coubesse, e que pudessem ser depositadas, ao fim de um dia difícil, sobre o criado mudo.