27 de set de 2011

Há Amor em Mim

Ontem seria apenas mais um dia daqueles. Acordei com alguns abacaxis espinhados para descascar. Um deles, envolvendo ser intermediária num conflito afetivo-familiar. Pra isso, acordei cedo, deixei meu filho sob a responsabilidade do marido. Fingindo ignorar a pergunta que ele vinha me fazendo há dias: "- mãe, a gente vai pegar doce?" E sai, com o coração apertado, por mais uma vez, deixar meu pequeno para trás e ir resolver pendengas alheias.

Não sei em que exato momento, percebi que estava tudo errado, que eu estava errada, que aquilo que estava tentando intermediar, era consequência de atos similares ao meu, ao deixar meu filho sem resposta pra sua pergunta. Disse adeus e fui me embora, ainda há tempo de segurar a mão do filhote, marido botar a mochila nas costas e durante duas horas e meia, fomos correr atrás de doces.

E foi ali, vendo meu filho correndo feliz com as outras crianças, agradecendo a cada saquinho ganho, que vi que o amor se perde fácil se não cuidarmos dele. Como dizia o Pequeno Príncipe, nós somos responsáveis por quem cativamos. E responsabilidade significa pequenos gestos de carinho, dedicação e afeto.

Nessa caminhada junto ao meu marido e filho, percebi que o mundo pode ruir, que as coisas podem insistir em não dar certo, que a vida pode fechar mais portas, do que abri-las, mas quando há amor dentro da gente, tudo fica diferente, ficamos mais fortes.

Ouvir meu filho ao final de uma tarde exaustiva - o pequeno andou muito - chegar em casa, com vários saquinhos de doces e brinquedos, abrir um sorriso banguela e me dizer feliz que ele nunca esqueceria aquele dia, que fora o dia mais feliz da vida dele, o amor que há em mim transbordou e inundou de esperanças e certezas de que dias melhores virão...

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Este post faz parte da Blogagem Coletiva "Há Amor em Mim" - promovida pela Elaine Gaspareto em comemoração aos 3 anos do blog - Um Pouco de Mim.
Aproveito para dar parabéns a blogueira e ao blog - um dos mais especiais da blogosfera, sempre com textos prontos a te cativarem ou te auxiliarem. Vai e aproveite para ler outros que também estão participando da blogagem.

26 de set de 2011

Poliana em Tempo de Crise - cap.III


Capitulo III: 
Cenas de Um Divórcio:

Cena 1 - Homens não prestam e mulheres não sabem o que querem. 


Deixei que a ideia criasse raízes. Ponderando todas as conseqüências do ato. Precisava tomar coragem de conversar com Adalto. E essa era a parte mais difícil. Imagine como informar a minha conturbada família, que eu estava abrindo mão, do que era considerado um casamento perfeito.
Mas, no final o inesperado aconteceu, já que foi ele que tomou a decisão. Foi em um sábado. Liliana na rua, em uma festa qualquer, Betânia na cama e nós dois ali, curtindo Supercine.
- Acho que nós precisamos dar um tempo.  - é preciso explicar uma coisa antes, Adalto é a pessoa mais direta que conheço. Fala em uma frase o que a maioria das pessoas, enrolaria dois parágrafos para dizer.  Por isso, não fez rodeio aquele dia. De maneira, rápida, clara e sem muitas delongas, tratou de explicar que queria o divórcio.
- Também ando pensando nisso...
- Pois é, acho que viramos dois amigos, e se é para sermos somente amigos, que sejam em casas separadas, assim, um não impede o outro de viver um novo amor.
A frase doeu. Em todo o tempo que havia pensando na separação, não havia pensado nas conseqüências concretas do ato. Ele conhecer uma nova pessoa e tentar uma vida a dois novamente era uma dessas.
- Você está com outra?
- Eu? Não. Mas ando pensando na possibilidade...
Bem, eu sou mulher. E como toda mulher, não acreditei.
- Seu cretino, miserável! Você está me traindo!
- Poli, presta atenção! EU NÃO ESTOU TE TRAINDO! E é para não te trair que estou pedindo o divórcio! Será que é tão difícil de entender? Além do mais, você acabou de dizer, que também estava pensando nisso!
Nessa altura, eu já estava com as mãos na cadeira, segurando o choro. A razão completamente submetida ao desvarios do velho monstro de olhos verdes.
Falei uma meia dúzia de palavrões. Xinguei toda a família dele e me tranquei no quarto, aos prantos.
Se você acha que ele foi lá me consolar, pode tirar o seu cavalinho da chuva! Meu querido marido, agora ex, não caia na velha armadilha feminina das lágrimas. Viu o filme todo, e só quando já estava caindo de sono, foi para o quarto.
Eu estava lá, claro, jogando todas as roupas dele em uma mala.
- O que você está fazendo?
- Expulsando você!
- Por que?
- Por que você é um cretino, filho da mãe!
-...
- Com quem você me traiu, heim?! Com quem?
- Uê, se você tem tanta certeza que eu te trai, deve saber com quem!
Nessa altura, o resto da dignidade vai por água abaixo, literalmente, sentei no chão, perto da cama, as lágrima escorrendo copiosamente.
Uma coisa que é preciso dizer. Nós mulheres somos os bichos mais estranhos do planeta! Eu vinha pensando em me divorciar há meses, esperando só a chance de falar com ele. Sem pensar nos sentimentos dele, ou melhor, preparando-me para vê-lo se arrastar e implorar que eu não o deixasse.
Mas, como a situação não fora bem a que planejei, fora ele que tomara a iniciativa, sentia-me traída e apunhalada. De repente a idéia do divórcio parecia ser uma coisa horrorosa.
E lá estava eu, chorando como uma criança, na beira da cama. Enquanto o cretino, sim, agora ele era um cretino. Olhava tudo, sem esboçar gesto nenhum.

- Não vai falar nada?
- Não, enquanto você não voltar a ser um ser racional.
- Por que você quer se separar de mim?
- Poli, eu não quero me separar de você. Nós queremos nos separar um do outro! Lembra?
Não. Eu não lembrava. Na verdade, só pensava em como era infeliz e como ele podia ter feito isso comigo e que os homens não prestavam e eram todos cretinos, miseráveis e canalhas!
Foi uma looooonga noite de conversa. Eu chorei, (mais), ele chorou. Lembramos tudo que havíamos passado. O casamento, o nascimento das meninas... Tudo.  Eu gritei. Ele gritou. Fiquei com raiva, ele ficou com raiva. Falei um monte de palavrões, ele falou outros tantos. Eu o ameacei, ele me ameaçou... Resumindo, fizemos o que todos os casais fazem quando o assunto divórcio entra em pauta. Depois dormimos. E amanhecemos convencidos que devíamos nos separar.

Restava agora contar para a família. As meninas eram a nossa maior preocupação. Por isso, decidimos preparar bem o terreno. 

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Este texto faz parte do Romance: Poliana em Tempos de Crise e você pode ler os capítulos anteriores nos links abaixo:

Capitulo I - A Arte de Dormir numa Cama Inflável
Capitulo II  - Muito Prazer, Sou Poliana

Capítulo III - Cenas de um Divórcio

25 de set de 2011

Shiiii!

Ilustração: Patricia Daltro

Por que às vezes só o silêncio é capaz de expressar tudo aquilo que estamos sentindo...

23 de set de 2011

Poliana em Tempos de Crise

Capitulo III:

Cena 1 - Homens não prestam e mulheres não sabem o que querem. 

A decisão de pedir o divórcio, não surgiu de repente, como a maioria das coisas em minha vida. Pela primeira vez, houve toda uma preparação anterior. Um conjunto de ponderações que perturbaram minha paz, durante quase um ano.

Foram necessários alguns sinais, para que percebesse que algo não andava bem no meu casamento. Sinais, também percebidos por Adalto, os quais fui saber um pouco depois.

Primeiro foi a minha pouca tolerância para aturar coisas que no inicio não me incomodavam: televisão alta demais, prato com restos de comida dentro da pia. O modo como ele penteava o cabelo, as roupas que vestia, as velhas piadas, que antes me faziam rir, agora serviam para me irritar.

Com a pouca tolerância, começaram as brigas. Brigas cotidianas, que normalmente se iniciavam junto com o dia e deixavam uma sequela de mal-humor que se arrastava até o final-da-noite.

O sexo também dava os seus sinais de desgaste. Pouco, rápido e insosso. Para ele e para mim.

Mas ainda gostava dele. Tinha um carinho tão grande, que só em pensar em me separar doía.

Foi Wanda que sentenciou tudo de maneira exemplar. Havíamos tomado duas garrafas inteiras de vinho, comemorando a sua nova paixão, um guri de 22 anos, que ela havia conhecido na academia. Já tínhamos passado da fase do "eu amo você" e entravamos com tudo na "a vida não presta" quando comecei a derramar a ladainha. Ela arregalou os olhos, correu para o banheiro e depois de vomitar durante uns quinze minutos, amaldiçoando o vinho, disse o que eu já sabia, mas não tinha coragem de assumir:

- Por que não se separa? Agora, enquanto ainda tem amizade um pelo outro. Se ficar insistindo, vai acabar criando uma mágoa que não vai curar nunca. - Disse e em seguida vomitou de novo.

Enquanto a enfiava no chuveiro gelado e preparava um café forte, fiquei pensando no que ela falou. As palavras crescendo dentro de mim.
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Este texto faz parte do Romance: Poliana em Tempos de Crise e você ler os capítulos anteriores nos links abaixo:

Capitulo I - A Arte de Dormir numa Cama Inflável
Capitulo II  - Muito Prazer, Sou Poliana

20 de set de 2011

E Murphy Ataca Outra Vez...

Fazia tempo que ele andava me dando uma tregua. No máximo, umas brincadeirinhas de mal gosto pra que eu não sentisse sua falta. Mas eis que (re)surge com força total nessa segunda:

Primeiro Ato: Vou ao que achei que seria um encontro comercial sério. O lugar é dois pontos depois do fim do mundo. Já entrando na área de floresta do Rio. Depois de andar uma eternidade e subir uma ladeira que não é de Deus. Chego e a pessoa ainda não chegou. Espero. Eu e uma turma de mosquitos assassinos, codinome Simulídeos, os quais as picadas dooooeeeem muito e me causam uma alergia violenta: local da picada doí, incha, fica vermelho, quente, cooooça que é uma loucura e o único antídoto é o antialérgico - que me deixa dopada, enquanto tomo... Bem, esperei a pessoa chegar durante 10 minutos, nos quais os tais assassinos fizeram a festa nos meus pés.

Segundo Ato: O encontro comercial sério se desintegra ao ouvir a proposta indecorosa da pessoa, que não quer uma artesã, mas uma costureira para remendar tecido e pagar uma ninharia. 
Vendo minhas peças, pergunta, quanto cobro pra lojista. Informo o valor e crio uma falsa expectativa, que também vai por água a baixo, ao surgir um cheque para UMA peça, no valor cobrado para lojistas que compram em quantidade!!!
Nessa altura, meus pés já doem tanto, que só quero ir embora daquele inferno. Junto minhas peças, dou uma recusa educada - até me arrependi de ter sido tão educada, pra pessoa e vou me embora.

Terceiro Ato:  Enfrento duas conduções lotadas, com os pés latejando e coçando intensamente até em casa, tomo o antialérgico e apago - acabando com todas as possibilidades de trabalhar no dia. E como a alergia continua, estou ainda em estado de torpor, por duas vezes, dormi na máquina. Logo, encomendas e costuras, vão ter que esperar a alergia passar um pouco.

Fecha a cortina e aplausos pra Murphy, que caprichou como nunca, no roteiro do My Reality.


16 de set de 2011

A Dificil Arte de Ser

Ela desejava frases impossíveis. Por que o impossível sempre é o mais prazeroso. Desejava beijos de cinema, comendo pipoca. Amores ardentes da telenovela. Príncipe encantado dos contos de fadas.

Rompia com o real em linhas curtas, desejando o unicórnio da beira do lago. Caminhava na areia, no entanto não molhava os pés. Queria a rosa, sem os espinhos. O mar, sem as maresias. A vida, sem os dissabores.

O sonho morava em suas retinas, que insistiam em retirar o cinza e marejada em lágrimas cultivava o azul. Oniricamente caminhava em nuvens e tropeçava em pedras que nunca estavam lá.

No final da tarde, na casa da bisa pedia o chá que tiraria a dor do peito. A bisa sorria e tentava explicar a menina, que crescer sempre seria o desafio mais delicado.

15 de set de 2011

Um pouco de mim, pra você...

Imagem daqui

Pra dona das palavras sempre precisas, dos conselhos e dicas preciosos pros nossos blogs e vida, responsável pela materialização do sonho de muitos - a publicação dos seus escritos em um livro e acima de tudo, dona das palavras amigas que chegam na hora certa em nossos corações.

Para você, hoje e sempre, os votos de felicidade, desejos realizados, saúde e muita grana (por que com dinheiro, tudo fica mais fácil) :oP rs

Beijos e curta muito esse último ano dos inta! 

Parabéns ELAINE GASPARETO

9 de set de 2011

Reflexões para uma 6ª Feira:


  1. O livro O Segredo afirma que o universo conspira ao meu favor, sei não, acho que na hora da leitura, confundi o português, e mentalizei a conspiração contra mim. Por que, só assim né?
  2. Para os que não dão importância a vírgula, se ela mudasse de lado e pulasse umas quatro casas à direita, meu saldo bancário seria uma beleza. 
  3. De todas as leis, as únicas infalíveis são as de Murphy e a da gravidade. A primeira afeta meu dia-a-dia e a segunda, meus peitos
  4. Naquele dia que você acorda sem vontade de tirar o pijama e enfia um moleton básico e sai, sem maquiagem e com os cabelos in natura, vai ser esse o dia que você vai esbarrar com a nova namorada do seu ex, com o seu ex e com aquela perua que te sacaneou na 5ª série. 
  5. Dieta é uma merda.
  6. Tudo aquilo que eu gosto, é ilegal, é imoral ou engorda - sendo essa última opção a mais forte das três.
  7. As coisas, incluindo eletrodomésticos e encanamento, quebram todas ao mesmo tempo e no exato período em que você está totalmente sem grana.
  8.  O dinheiro só não traz felicidade, para aqueles que não tem.
  9. Meu cabelo não é meu amigo.
  10. O telefone só vai tocar quando você estiver no banheiro!

4 de set de 2011

Compartilhando Escritores

Desde que me entendo por gente, sempre sonhei em ser escritora. No inicio, achava que para ser escritora, bastava escrever. Depois entendi que até para isso tem que se ter disciplina, talento e criatividade. Fiz oficinas literárias, participei de saraus e com isso veio um novo desejo, todo escritor quer ser lido. Escritor só, entre quatro paredes, fica com a sensação de vazio. 

Naturalmente, veio a vontade de publicar o que escrevia. Antes do advento dos blogues, esse desejo só poderia ser sanado, através de editoras ou revistas. E foi um longo processo de "nãos", que machucavam, mas não calavam o que ia pro papel. 

Com os blogues aprendi que a publicação no papel, embora importante, não era a única forma de mostrar o que escrevia, a quem queria ler. 

São mais de trinta anos de escrita, entre romances, contos e histórias infantis. Nesse meio tempo, consegui publicar alguns livros, todos em cooperativa e um romance infantil. E uma nova descoberta, não bastava escrever e conseguir publicar, a distribuição era/é um processo difícil. 

A escrita não é apenas uma arte, mas também, um comércio. É a maioria das livrarias não quer um escritor novo, bom ou não, mas um escritor vendável. Isto é, quer um nome para estampar e garantir que aquele livro não encalhe nas prateleiras.

Quando você não tem nome, não o importa o talento que tenha, conseguir um espaço numa livraria é raro, dispendioso (envolve representações, taxas, etc) e quase sempre frustrante.

É assim que muitos talentos se perdem, ou lutam para conseguir seu lugar ao sol. Pela net espalham-se inúmeros deles, que até conseguiram publicar seus livros, depois de muita batalha, ou pagando a publicação. Mas, esbarram na realidade mercantilista da coisa e seus livros ficam à margem do grande público. 

É por isso que estou criando este espaço (mesmo não sendo grande coisa) e convidando a todos que me leem a conhecerem talentos que, infelizmente, ainda não conseguiram seu lugar ao sol. Escritores nacionais contemporâneos, dotados de uma escrita surpreendente, mas que por não serem "retorno financeiro" certo, contam apenas com seus meios para divulgar seus livros. 

Inicio este espaço com quatro desses escritores e a partir desse domingo, sempre trarei mais quatro aqui para apresentar a vocês.

Fal Azevedo - pra mim, depois de Clarice, é ela. Escrita linda, forte, envolvente, que te faz rir, chorar, achar que é você ali naquelas linhas. 
Livros publicados: 
O Nome da Coisa (contos/crônicas)
Crônicas de Quase Amor (contos/crônicas)
Minúsculos Assassinatos e Dois Copos de Leite (romance)

Iara Gonçalves - poetisa delicada e com uma capacidade de transpor sentimento pro papel que me cativou desde o primeiro momento que a li.
Livros publicados:
Flores de Papel

Vanessa Anacleto - escritora de texto concisos, delicados e que sempre te deixa com vontade de ler mais e mais.
Livros Publicados:
Culpa de Mãe

Gloria Leão - Escritora que fala sobre o universo feminino de uma maneira bela e representativa, outra que parece que enxergou nossa alma para escrever sobre ela.
livros Publicados:
Numa Esquina do Tempo Nº 50


E, neste final de semana, um filho gerado coletivamente, finalmente nasceu, o Livro Vidas - fruto de um concurso literário, organizado pela blogueira Elaine Gaspareto.  E, ele já está sendo disponibilizado para vendas. Vai lá no blog da Elaine, que ela te explica tudo. 

Ah,  e o mais importante :o) um dos meu contos foi escolhido para participar dessa edição (que eu espero que seja a 1ª de muitas!)