29 de dez de 2009

Tudo Novo, de Novo?

Era inevitável. O final do ano chegava e ela era inundada de uma estranha euforia. Espectativas do impossível, que aos seus olhos refletiam possibilidades. Era como pudesse se despir daquela que era e então, metamorfosear-se em outra.

A dos sonhos. Que sempre sabia como agir, falar, pensar. A outra que não ela, que tinha em uma das mãos a certeza dos caminhos a serem percorridos...

Tola. Ao final do espocar dos últimos fogos. No instante onde a escuridão e o silêncio se tocavam, leve roçar, quase imperceptível fração de segundo, dentro dela já se aquietavam os sonhos.

A máscara daquela que um dia sonhará ser desfiaria tal qual renda delicada puxada por grosseiras mãos e ela se veria apenas ela. E a vida que era a sua. Porque era apenas um novo ano, onde a vida se desenrolaria do mesmo modo de sempre. As oportunidades surgiriam e desapareceriam como sempre; onde os sonhos seriam todos trancafiados em lugares ermos dentro de si.

Ainda haveriam dias de lágrimas e dias de muitos sorrisos. Dias de solidões inconfessáveis e de abraços inesperados. Dias de beijos e outros de intrigas. Dias de sim e muitos de não. Viver era isso, sempre fora. Mesmo agora, quando o ano novo já a espia pelas frestas.

20 de dez de 2009

Eu que (quase) fiz:


Há uma semana do Natal, cheia de encomendas e com uma produção incompleta, claaaro que eu tinha que me meter em um curso de bonecas!

Mas, valeu a pena, desse curso, nasceu a pequena miss que vocês estão vendo acima! Criação da professora de bonecas Amei Garcia.

E agora que aprendi fazer, em breve vou aumentar a família e apresentar as irmãs!

Para quem quiser saber mais sobre o curso, foi ministrado pela professora Amei Garcia, no Armarinho Izabel - Rua do Catete, 274 galeria. E em janeiro, vão ter mais aulas por lá!

E maiores informações sobre como adquirir a boneca, pelo meu e-mail: patricia.daltro@gmail.com

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E, finalmente chegou minha semana de descanso! O que significa que: vou poder visitar meus blogs amigos, fofocar no twitter, curtir marido e filhote, bater pernas por ai e, escrever, escrever e escrever!

Ando com saudades de colocar meus textos por aqui, em breve isso irá voltar.

12 de dez de 2009

Dias Felizes

Eu e marido no shopping com o pequeno, para escolher presentes de Natal. A dúvida era, filhote acredita ou não em Papai Noel? Nas conversas, ele parecia não se ligar muito nisso. Mais preocupado, é claro, com o presente, do que, com quem entrega.

Dentro da loja de brinquedos, perguntamos, e ai, filhote, o que vai pedir pro Papai Noel? Ele ia para lá e para cá e escolhia, claro, todos!
Papai e filhote! A carinha de felicidade não tem preço.

Na saída, o bom velhinho tirava fotos com as crianças. Filhote não quis foto, mas quis falar com ele. Conversamos com as atendentes, que gentilmente deixaram o pequeno falar com o Papai Noel. Ele chega, dá um super-abraço no velhinho e sussurra alguma coisa no ouvido dele. Depois volta todo feliz e sorridente.

Papai Noel dá um jeito de avisar o que foi sussurrado no seu ouvido: - Pais, ele pediu um boneco Max Steel.

Bem, respondida nossa pergunta: Filhote acredita em Papai Noel e não gosta de intermediários.

Olha que carinha mais fofa!

8 de dez de 2009

Pequenos Defeitos:

IMPACIÊNCIA

A impaciência nela existia como um verme que corroia sua paz. Ela não sabia esperar. Muitas vezes, não sabia o quê esperar. E, no entanto, a agonia, a vontade de ter as respostas, para perguntas que, muitas vezes, nem formuladas foram...

Dentro dela, um vulcão em estado de perpétua erupção. Queimando etapas, destruindo planos, atropelando falas, calando atos... E tudo que ela queria era saber esperar. Calmamente, num banco de praça. As mãos sobre o colo, sem pressa esperaria que ele se declarasse, que a vida melhorasse, que as oportunidades acontecessem...

Mas nada era assim, no segundo seguinte do que poderia ter sido, ela já queria ter ou ser, não importa. Ela queria o amanhã, quando o ontem ainda desfilava em suas retinas. Queria o futuro preso em cadeias de planos intermináveis e nem percebia que era areia da praia e escorria por entre os dedos.

Arrastava-se em meio a tempestade, porque não conseguia aguardar a calmaria. Perdia-se em brumas do impossível, eternamente desejando o impalpável. Sedenta demais, mas incapaz de ver o rio.

Talvez um dia ela aprenda a arte da paciência, mas enquanto isso, ela tambolira nervosamente os dedos na mesa e fuma cigarros intermináveis esperando o que não deveria ser esperado.

4 de dez de 2009

Primeiro Encontro em Duas Versões:

A Versão Dele

Pô sai com a Leninha ontem. Não que tivesse muito afim, mas sabe como é, sexta-feira à noite e nada para fazer. Abri minha agenda e fui tentando, com ela colou. E aí e que nem o ditado: melhor uma na cama, do que acabar na mão. Ainda mais em uma se(x)sta-feira.

Marquei de passar lá por volta das nove da noite, mas ai o povo do escritório inventou de beber e é claro que não podia deixar de ir. Acabei me atrasando, mas descolei uma desculpa de trabalho e a gata ficou até com pena de mim. Eu sou o máximo, não é? A Globo não sabe o artista que 'tá desperdiçando...

Ela até que tava gostosinha com uma blusinha de renda que dava para ver o sutiã, mas preferia que ela estivesse com um vestidinho preto que de vez em quando usa, um que dá para ver bem os melões... Coisa de louco. Para fazer média, deixei que escolhesse o restaurante, e é óbvio que tinha que escolher o mais caro...

Ficamos lá, no maior chove e não molha, a mulher não parava de falar um segundo. Eu até que tentava participar da conversa, mas o máximo que conseguir era dar um sorriso meio sem-graça e fingir que estava ouvindo aquele tagarelar todo! Cheguei a ficar com o maxilar doendo!

E na hora da conta? Pô, maior sacanagem da mina! Esperou eu pedir a conta para o garçone e se mandou para o banheiro. Ficou aquele pinguim engomado, lá do meu lado, com cara de: "não vai pagar não é?" Acabei tendo que pagar tudo e a mulher nem para perguntar quanto foi quando voltou, ou pelo menos disfarçar e colocar um troco na minha mão. Mô prejuízo!

Além de tudo isso, inventou de irmos dançar. Maior mico! A mulher parece que tá tomando eletrochoque na pista de dança. Todo mundo olhando para a gente e ela nada. Tava se sentindo uma Madonna. Nunca mais vou poder pisar naquele lugar...

Aí final da noite, fui levar a madame em casa. Na porta do apartamento dela começou rolar uns amassos maneiros. Pelo menos isso, né! Pô, tive o maior preju, paguei um king-kong e não ia comer?! Claro que comi, oras! E cá entre nós, ela bem que gostou, pediu até telefone no final. Eu dei é claro, mas disse que estava indo para São Paulo e só voltava na semana que vem.
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A Versão Dela


Ontem sai com o Anselmo. Ai, que foi tudo de bom. Antes dele chegar foi a maior correria. Tive que passar no salão e dar uma ajeitada nas unhas e no cabelo que estavam horríveis. E na hora de me vestir, foi traumático, eu não tinha roupa para ir. Olha que já tinha programado ir com o vestido preto, mas na hora que botei, vi que ele estava horroroso! Quase perdi a hora tentando ver uma roupa, ou não cabia mais em mim, ou estava fora de moda, ou era ousado demais e não queria parecer muito dada... Um sufoco, acabei optando por uma saia jeans comprida e uma blusa branca de rendas.

Mas, apesar disso tudo, estava pronta antes das nove, hora que ele iria passar para me buscar. Deu 9:05h e nada dele, com certeza era o transito. 9:10 e nada, nem um telefonema para avisar que ia chegar atrasado, eu já achando que tinha levado um bolo. Meia hora depois e nada dele, o discurso pronto para quando ele chegasse (ou ligasse), iria esculhambar geral, mas quando o interfone tocou e ele disse que tinha ficado preso no escritório, fiquei com uma pena, tadinho, não era culpa dele.

Fomos jantar em um lugarzinho ótimo, ele deixou que eu escolhesse, como mea culpa pelo atraso e ainda elogiou minha roupa, ou melhor, não falou nada, mas lançou uns olhares que diziam tudo. E ele é tão divertido e tão atencioso, não é daqueles que não sabem ouvir uma mulher, ficou ouvindo tudo e quando eu parava, ele abria um sorriso lindo, incentivando que falasse mais.

Além de tudo isso, ainda pagou a minha conta! Eu ia dividir, sabe que sou dessas mulheres modernas, que não têm problema nenhum em dividir despesa. Mas, sabe que me deu uma vontade danada de ir ao banheiro? Poxa, tinha bebido muito, não dava para segurar. E quando voltei, ele já tinha pago e cavaleiro que só ele, nem comentou nada!

Depois fomos dançar. Caramba, dançamos muito! Ele é um dançarino nato e eu, sem falsa modéstia, danço muito bem. Eramos o casal sensação da pista, todo mundo olhando, quase babando de inveja. Achei o máximo!

A noite terminou por volta das três da manhã, quando chegamos na frente do meu apê. Ai, não resisti, rolou uns amassos muiiiito boooommmm.... Até pensei em falar para ele subir, e bem que nós dois queríamos isso, mas quer saber, na hora pensei nas meninas falando e achei que o melhor seria deixar para o próximo encontro.

Achei que iria ficar chateado, mas reagiu numa boa, me deu seu cartão e pediu que eu ligasse! Tudo de bom, não é mesmo? Pena que ele foi para São Paulo e só volte semana que vem...