30 de abr de 2009

Palavras

Gosto de palavras. Frases povoam minhas noites insones. Saboreio versos como quem degusta um bom vinho.

No entanto, mesclo-me com silêncios infindáveis. Viro a alma do avesso para sorrir e dizer bom dia. 

Ser invisível é um sonho de consumo. Passar desapercebida nas ruas. Sombra a flutuar. 

Incomodo. Incomodo-me com sons altos, escuro e multidão. Gosto de dias claros, onde posso enxergar meu rosto no espelho. Embora tenha medo. Medo de um dia, não me encontrar mais. Perdida que sou em pensamentos confusos e desconexos. 

Sede. Sede de conhecer. Mundos, odores, pessoas. Vontade de se atrever a dar o passo no abismo. Ícaro sem asas. Podo-me no cotidiano. Rotina de concreto e contas.

27 de abr de 2009

De que Adianta?

De que adianta ter lido mais de mil livros. Saber poesias de Vinicius, Cecília e textos inteiros de Machado de Assis de cor. Ter um vocabulário apuradíssimo. do tipo que é capaz de saber o significado e a origem da palavra zelotipia . Falar Inglês, Espanhol e Francês fluentemente, se na hora H, no momento certo, aquele que uma palavra pode significar o inicio ou o fim de tudo, a única coisa que consigo dizer é oi?




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Curiosos para saber o que significa Zelotipia?
Inveja ou ciúme descomedido, doentios. Idéia fixa, interesse exacerbado, até o limite da insanidade, ao defender uma causa. Monomania religiosa, doutrinária. Sinônimo de Inveja.

20 de abr de 2009

Sobre Casamentos e Jogos

Quando escrevi sobre a Veruska, quis brincar intensificando uma busca que ouvia de amigas e lia por ai, de mulheres que cansaram de brincar e querem se casar. 

Mais eis que domingo, deparo-me com uma matéria do jornal O Globo e levei um baita susto. A matéria tratava das mulheres revertidas. Como assim? Mulheres jovens, bem sucedidas em suas carreiras e que resolvem se reverter ao islamismo em busca de...marido?

A justificativa de todas tem sempre o mesmo mote, estamos em busca de respeito, amor e dignidade. Então deixa ver se entendi, em busca desses valores, vamos nos cobrir da cabeça aos pés, nos sujeitar a poligamia, nos coibir de saídas e diversões, a sermos mutiladas, apedrejadas, perder a guarda de nossos filhos, caso o casamento não dê certo? É assim que resgatamos o que nos é de direito, regredindo em todas as conquistas que nossas bisavós, avós e mães lutaram tanto para que conseguíssemos. E tudo isso em troca de quê? De um relacionamento forjado por uma religião.

Não. Não vou entrar no mérito da religião, cada um sabe de si e sua fé. Se essas mulheres justificassem sua reversão sob a ótica religiosa, poderia ser contra, estranhar, mas nada justificaria minha contestação.

O que me choca é saber que a maioria delas está fazendo isso em busca de um marido, de dignidade e respeito !!!!

Não pode ser a roupa que uso, que justifique a falta de respeito que a sociedade insiste em ter em relação a nós mulheres. Recuso-me a acreditar que o fato de sair ou não a noite, de beber ou fumar, me transforma em um objeto consumível! Eu sou, ou melhor, nós somos livres para fazermos o que quisermos com nossas vidas e nossos corpos! Não é uma minissaia que vai me diminuir perante a ninguém, nem o que eu bebo, nem o que digo! Não somos nós que temos que mudar para sermos respeitada, e sim, devemos lutar sempre para que esse respeito exista!

E como se não bastasse, leio na Casa da Gabi, um post antigo de março, acho. Sobre um jogo, que não direi o nome porque não vou dar ibope para criminosos. Sim, é isso que acho da empresa que criou esse jogo e dos criadores do jogo e dos que jogam também, CRIMINOSOS. 

Para vocês entenderem, o objetivo do jogo é estuprar mulheres e crianças de dez anos e, caso elas engravidem, convence-las a abortarem. 

Antes que entrem aqui com o discurso de liberdade virtual, vou ser clara: sou contra todo e qualquer jogo que possa induzir ao crime, como um que ensinava a bater e intimidar o colega da escola, ou ainda um que pontuava atropelamentos de velhinhas e crianças. Para mim, isso passa do limite do sadio e divertido. E não adianta argumentos, sou intransigente e minha opinião a esse respeito NÃO IRÁ SER MUDADA!

Quanto a esse jogo que citei, soube através de matéria no Estado de São Paulo que está sendo vendido nas ruas de Sampa e em alguns sites na internet. Se está no camelo de SP, provavelmente está sendo vendido aqui no Rio. 

Que pessoas sejam irresponsáveis para conceber um jogo desse porte, que uma empresa seja irresponsável para bancar esse jogo e distribui-lo, que sites sejam irresponsáveis para divulgar e colocar em seus catálogos esse jogo, pode-se alegar a questão financeira da coisa, afinal, quem compra estimula a produção deste tipo de jogo. Mas o que dizer de quem compra? O que se espera ao jogar? Cometer um crime e escapar ileso. Ou dito em linguagem crua: sentir todo o “prazer”(?) de ser um estuprador e pedófilo,  e não ser preso! 


Quis falar desses dois casos em um único post, porque no final, são duas faces da mesma moeda. Ambos os casos tratam de violência contra a mulher. Sim, violência. Um, mais explicito, dolorosamente explicito, já que trata de estupro e agressões. O outro, mais sutil, também fala da violência, a mental, quando muitas de nós, já cansadas de tanta luta e falta de respeito, acabam, infelizmente, por retroceder e passam a acreditar que são elas, as responsáveis por tudo isso. 

14 de abr de 2009

Grandes e Boas Novidades:

O meu mundo para, mas felizmente, ao redor, tudo continua girando na velocidade da luz. 

A peça "A Vigilante, Uma Comédia de Peso", (da qual, sou co-autora, junto com Raphael Miguel e Rosana Hermann), volta a estar em cartaz, dessa vez fazendo uma turnê pelo interior do estado do Rio. Começando em Caxias, dias 18 e 19 Teatro Municipal Raul Cortez em Duque de Caxias! Imperdível!

Para matar a saudade de quem viu e para dar água na boca de quem não pode ir, um vídeo aperitivo abaixo:



Além dessa turnê, a peça ganhou também um site, que contêm todas as informações sobre ela, turnês, autores, projetos e etc - http://www.avigilante.com.br/ 
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Outra Novidade é que dia 19/04 na Bienal do Livro da Bahia vai ser lançado o livro "Nova Coletânea - Contos e Crônicas para Viagem" - conjunto de crônicas e contos de autores contemporâneos, no qual eu estou incluida com o conto "O Quadro".


Esse livro não é só um livro, mas também é um projeto de Inclusão Literária organizado pelo escritor Bruno Resende Ramos. No site - Nova Coletânea, vocês poderão obter maiores informações.

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12 de abr de 2009

De Volta Para Casa

Sim, a casa está bagunçada. Poeira e teia de aranha recobrem os móveis. Os fantasmas se esgueiram pelos corredores, olhos estranhando a súbita luz que chega da porta entreaberta. 

Estou de volta, ensaio avisar. Mas, para quem? Já que na casa vazia e escura, tudo que restou foram fragmentos esparsos de lembranças.

Vejo as xícaras sobre a mesa, resquício de uma época remota. Copos, pratos, tudo como um dia antes fora. Agora, nada. Nem lembranças.

Não reconheço mais a vizinhança. Todos novos. Antigos afetos, desafetos, ou apenas passantes que insinuavam bom-dias em sorrisos amarelos, todos mortos. Ou ausentes. Acho que a ausência é um tipo de morte. Talvez quem tenha morrido tenha sido eu...

Meus passos deixam marcas no chão coberto de saudades. Passo a passo circulo pela casa, ensaio aberturas de cortinas, encontro janelas lacradas. 

Um recomeço é sempre um momento decisivo. A porta entreaberta ainda me convida a sair, voltar aquilo que não sei se ainda sou. Ou recomeçar. De novo, de novo, de novo... sempre o novo me confundindo a mente. 

Melhor fechar a porta, penso. Sair por ela e encerrar de vez o que um dia aqui foi festejado. Em casa, deixar a saudade invadir a alma através de recortes do passado. 

Não consigo, quero entrar, limpar a poeira, espanar as teias, recolher a louça e abrir a janela. Quero fundamentalmente abrir janelas e deixar que o sol invada a casa. Expulse os fantasmas para o sótão. Caminhar de cabeça erguida, reconquistar os estranhos que se aproximam e me espiam pela fresta de luz da porta entreaberta.

Voltar. Sem promessas de longos dias ausentes, sem sorrisos falsos em porta-retratos. Encarar os espelhos e descobrir fios brancos que me pertencem. Por mais que negue. 

A hora da fuga se encerrou no momento que abri a porta. O novo momento, começa agora.


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4 de abr de 2009

Maximize-se



Por que quando os problemas me sequestraram, só BBB me salvava. Minhas madrugadas insones foram regadas ao riso do lado B e as maluquices de  Fran e Max.
Por tanto agora eu retribuo e peço seu voto. 

Agora é escolher quem vai ser o novo milionário. Sou fá do casal, virei MAXINE de coração, Mexicana de alma e pena que não dá para os dois ganharem. 
Com dó no coração, prefiro Max em 1º e Fran em 2º - mas se der ao contrário, vou ficar feliz também.



3 de abr de 2009

Noticias do Botequim

Só para constar: Eu sempre ri dos meus problemas. Tem uns dois meses, que eles resolveram rir de mim.
Mais um pouquinho e eu tô de volta...