29 de jul de 2008

Saudades

Ela pensa em quanto é ridículo sentir saudades do que nunca aconteceu, mas sente. Estranhamente seu peito bate mais forte por lembranças que sequer foram suas: a casa azul – sim, essa era a casa dos sonhos, seus (hoje ela bem sabe), mas houve um tempo, em que realmente acreditara que a casa azul era parte do sonho dos dois.

Assim, como os planos das férias na serra, vinho, fondue e lareiras que nunca aconteceram e os filhos... essa talvez seja a lembrança do que nunca vivera, mais forte.

Porque eram dois: um casal. Ele, mais velho, chamado Pedro. Ela, que nunca usaria vestidos com rendas e fru-frus, seria Natália e aos quinze anos seria posta de castigo, por fugir de casa para ir a um show com o melhor amigo, que seria apaixonado por ela, mas ela não saberia. Pedro faria faculdades, seria ator, cantor, pintor, qualquer coisa que quisesse.

E hoje ela sofria a ausência dos filhos que nunca tivera. Da casa que nunca fora sua. Dele, ela não sentia saudades. Porque hoje, ele era o seu passado, e o que doía em seu peito, era a ausência do que nunca tinha sido.

9 de jul de 2008

Está Combinado

Vamos combinar uma coisa? Vamos dar um reset. Começar do zero. Fingir que o ontem e o hoje viraram talvez, hipóteses pré-determinadas e aniquiladas antes mesmo de ousar ser

Vamos combinar que não acreditamos mais em nada. Nem em anjos, nem em fadas, em nada... muito menos no futuro!

Não queremos o futuro entre a gente, nem anseios de perspectivas, nem planejamentos ou possibilidades! Nós queremos o nada. Estamos combinados?

Vamos combinar também que não teremos lágrimas. Nem dores intensas, dúvidas inconseqüentes, amores ardentes, tampouco desejos desenfreados.

Nada de fim, nem começo, de “sims” intercalados de negação. O melhor é combinarmos que os sentimentos devem ser abolidos, seja ele amor, ciúme, paixão... Nenhum sentimento, é isso que devemos combinar.

E se no final, nada do que combinamos for cumprido, o melhor a fazer é seguir em frente, fingindo que nunca combinamos tudo isso e deixar que vida nos guie pela mão.

7 de jul de 2008

Delicadezas


Meu filho saiu do hospital. E mesmo que a terceira guerra mundial estourasse essa manhã. Eu continuaria cantarolando e vendo flores e borboletas pelo caminho.
Voltar para casa com meu pequeno sorrindo e tagarelando sobre as cores dos carros que passam é uma sensação indescritível. Alegria? Muita! Alivio? Imenso! E uma sensação enorme de gratidão a tudo, a Deus, a vida, a fé, ao milagre...

Prendo ele em meus braços, enxugo lágrimas que ainda teimam em escorrer, mas não mais de medo, ou impotência, mas de felicidade. Plena. De repente consigo dimensionar tudo. E percebo que nada, mas nada mesmo, vale mais do que o sorriso que ele deu a pediatra, quando ela perguntou se ele queria ir para casa essa manhã.

Foram longos e dolorosos dias de angústia. Vendo meu pequeno uma sombra do era sobre a cama. Um pequeno herói que acompanhou passo-a-passo a sua doença, tentando consolar a mãe e o pai aflitos, num tênue sorriso, dizendo sempre que ia “melolar”.

E agora ele está em casa, contando para todos que vêm visitá-lo sua aventura no hospital e agora sei que a vida é realmente bonita, é bonita, e é bonita! Como já dizia a canção.

1 de jul de 2008

Coisas que aprendi quando cresci:

Se você foi aquela que ficava correndo atrás das “meninas legais” do colégio e só levava toco. Você, sem querer, vai acabar fazendo a mesma coisa quando crescer. E, quer saber, o toco dói mais quando a gente cresce...